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Restrições dos EUA a importações do Canadá entram em vigor; veja produtos barrados

Publicado 29/09/2026 • 10:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A proibição dos EUA à importação de diversos produtos canadenses, incluindo várias bebidas alcoólicas e produtos lácteos, entrou em vigor nesta terça-feira (29).
  • O presidente Donald Trump disse esperar que Ottawa ceda na disputa comercial entre os países, enquanto autoridades canadenses afirmam que não assinarão um acordo prejudicial ao país.
  • Nenhuma nova escalada foi anunciada desde 9 de setembro, e autoridades dos dois lados continuam negociando tarifas que estão afetando diversas pequenas empresas.
Fachada da Casa Branca, avenida Pensilvânia 777, em Washington DC

Divulgação/Governo dos Estados Unidos

Casa Branca, sede do governo dos EUA

A Casa Branca proibiu nesta terça-feira (29) a importação de alguns veículos, produtos lácteos e bebidas alcoólicas do Canadá, enquanto autoridades dos dois países deram sinais divergentes sobre as perspectivas de um acordo comercial.

A longa lista de produtos afetados inclui motocicletas e ciclomotores com motores a gasolina superiores a 800 cilindradas (cc), produtos de soro de leite e melaço, além de uma série de bebidas alcoólicas — principalmente aquelas embaladas para consumo direto — como cerveja, sidra, vinho, uísque e vodca.

Os produtos representam cerca de US$ 19,9 bilhões em importações canadenses, segundo estimativa do American Action Forum.

A proibição de importações, anunciada no início deste mês pelo governo Trump, é o mais recente capítulo de uma guerra de declarações e tarifas recíprocas entre os EUA e o Canadá.

O presidente Donald Trump disse na segunda-feira (28) esperar um “acordo justo” com o Canadá nas próximas semanas, mas manteve o tom de confronto.

“Eles se aproveitam de nós, acham que têm direito… não há nada que eles tenham de que precisamos”, disse Trump a repórteres no Salão Oval.

“Acho que o que vai acontecer é que, nas próximas três ou quatro semanas, eles virão até nós e dirão: ‘Vamos eliminar todas as tarifas’. Vamos vencer em tudo”, afirmou Trump.

Leia também: Canadá quer estender acordo USMCA e discute tarifas com Estados Unidos e México

No entanto, autoridades indicam que houve pouco progresso em direção a um acordo.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse à CNBC na sexta-feira (26) que “não há urgência do nosso lado” para fechar um acordo e observou que os EUA ainda mantêm “muito comércio” com o Canadá.

“Ainda estamos recebendo deles o que precisamos em termos de petróleo, gás, potássio, todas essas coisas… então ainda há muito comércio forte entre os dois países”, disse Greer.

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“Não estamos esperando ao lado do telefone”

O ministro do Comércio do Canadá, Dominic LeBlanc, disse em entrevista coletiva na sexta-feira (26) que os EUA estavam “impondo tarifas ilegais e injustificadas sobre setores da nossa economia que estão causando dificuldades consideráveis para empresas e trabalhadores em todo o país”.

LeBlanc afirmou que os países estavam “conversando para tentar encontrar alternativas às circunstâncias atuais”, mas que “não vamos assinar um acordo que seja ruim para o Canadá”.

“Dissemos que assinaremos um acordo quando considerarmos que ele atende aos interesses da soberania e da economia do Canadá… mas não estamos esperando ao lado do telefone”, afirmou LeBlanc.

Ottawa não anunciou novas medidas de retaliação desde o anúncio, em 9 de setembro, da proibição de importações de produtos lácteos e bebidas alcoólicas.

Enquanto isso, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, passou o mês buscando estreitar os laços com a União Europeia, à medida que as relações com os EUA se deterioram. Em um discurso recente, Carney afirmou que a Casa Branca está “transformando” a política econômica em uma forma de “coerção” contra outros países.

O Canadá impôs tarifas que variam de 15% a 50% sobre 27,6 bilhões de dólares canadenses em uma série de produtos dos EUA, incluindo aço, laticínios, equipamentos agrícolas, papel, eletrodomésticos, móveis, roupas e eletrônicos.

O governo canadense afirmou que as medidas eram uma resposta “dólar por dólar” às tarifas de 50% impostas por Washington sobre produtos como cimento, vinho, tacos de hóquei e outros itens, anunciadas em agosto.

Leia também: Carney diz que Canadá decidirá suas próprias parcerias após Trump chamar proposta da UE de ‘ridícula’

As medidas atingem uma parcela relativamente pequena dos US$ 715,5 bilhões em comércio anual de bens entre os dois países. No entanto, uma escalada contínua ou um impasse prolongado devem afetar significativamente setores como metais e automóveis, além de prejudicar pequenas e médias empresas dos dois lados da fronteira.

O Banco do Canadá alertou neste mês que as novas tarifas tornaram as perspectivas de crescimento do país mais incertas e aumentaram os riscos de alta para a inflação.

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