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Tensões globais envolvendo Groenlândia e Venezuela impulsionam ações de defesa na Europa

Publicado 13/01/2026 • 07:20 | Atualizado há 6 horas

KEY POINTS

  • Os gastos com defesa na Europa tornaram-se uma “megaten­dência” de vários anos, impulsionada por ameaças geopolíticas persistentes e por dúvidas sobre o compromisso dos Estados Unidos com a segurança da Otan.
  • A União Europeia e os governos nacionais estão ampliando os investimentos militares, acompanhados por uma participação crescente de capital privado.
  • As principais ações do setor de defesa do continente acumulam altas próximas de 20% no início de 2026, mas ainda negociam com desconto em relação às concorrentes dos EUA, o que sustenta o interesse de investidores no longo prazo.
As ações de defesa asiáticas e europeias têm superado suas equivalentes americanas.

Guvendemir | E+ | Getty Images (Reprodução CNBC Internacional)

Investidores estão direcionando recursos para uma “megaten­dência” de gastos em defesa na Europa, impulsionada por uma combinação de financiamento da União Europeia, de governos nacionais e de capital privado, movimento que deve se estender ao longo da próxima década.

Após várias das principais ações do setor de defesa europeu registrarem altas próximas de 20% na primeira semana de 2026, investidores passaram a enxergar o segmento como uma aposta de longo prazo. A percepção é moldada tanto pelas tensões atuais envolvendo Venezuela e Groenlândia quanto por preocupações estruturais sobre a capacidade de defesa do continente e o futuro da Otan.

Raphaël Thuin, chefe de estratégias de mercados de capitais da Tikehau Capital, afirmou que múltiplos fatores, incluindo a ameaça contínua da Rússia e o fim do “guarda-chuva” de defesa dos Estados Unidos sobre a Europa, sustentam o que ele classificou como uma “megaten­dência em formação”.

Leia também: Ações globais de defesa disparam após Trump defender orçamento militar de US$ 1,5 trilhão

Segundo Thuin, o estado “degradado” da segurança europeia, após décadas de subinvestimento, precisa ser enfrentado com urgência.

“Independentemente da Ucrânia, independentemente do plano de paz que esperamos, obviamente, seja assinado em breve, essa tendência deve ir muito além. Quando se pensa na Rússia e na ameaça potencial que ela representa para os países europeus, isso não vai desaparecer”, disse Thuin ao programa Europe Early Edition, da CNBC, na semana passada.

Ele acrescentou que o fim do “guarda-chuva” de defesa dos EUA sobre a Europa é um pilar central do tema de investimento. “Qualquer que seja a próxima administração, certamente não vai pagar pela segurança europeia”, afirmou.

Leia também: Indústria de defesa acelera na Europa com aumento de investimentos públicos

Ações de defesa disparam

As capacidades globais de defesa ganharam destaque com a turbulência geopolítica que marcou a primeira semana de 2026.

A derrubada do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos em 3 de janeiro foi seguida por novas tensões em torno da Groenlândia e por possíveis fissuras dentro da Otan.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sustenta que o país “precisa” da Groenlândia por razões de “segurança nacional”, levantando questionamentos sobre o futuro da aliança transatlântica e colocando sob novo escrutínio as capacidades de defesa de longo prazo da Europa. Separadamente, França e Reino Unido assinaram na semana passada uma declaração de intenções para enviar tropas à Ucrânia em caso de um acordo de paz.

Aneeka Gupta, diretora de pesquisa macroeconômica da WisdomTree, afirmou que o impasse nas negociações de paz na Ucrânia, as tensões envolvendo a Groenlândia e a operação na Venezuela fornecem novos catalisadores para o setor de defesa em 2026, após um ano recorde em 2025.

“[Esses fatores] validam a decisão da Europa de consolidar gastos muito mais elevados e de internalizar capacidades críticas, reforçando um pipeline de rearmamento de vários trilhões”, escreveu Gupta em nota.

A gigante alemã de defesa Rheinmetall acumula alta de 22,8% no ano, enquanto a italiana Leonardo avança 19,7%. A fabricante de componentes para tanques Renk sobe 23,1%, e a especialista em radares e vigilância Hensoldt registra ganho de 25,6%. A sueca Saab, fabricante de caças, apresenta valorização de 29,9% no ano.

O índice Stoxx Europe Total Market Aerospace and Defense encerrou 2025 com alta de 56,5%.

Apesar de expectativas mais fortes de crescimento e lucro, as ações europeias de defesa ainda negociam com desconto em relação às pares americanas, a cerca de 28 vezes o lucro, contra mais de 30 vezes nos Estados Unidos.

“Há pouco espaço para erro — isso faz parte do risco de investir em ações de defesa”, disse Thuin. “Podemos até ver alguma diferenciação entre os papéis agora, mas, ao projetar dois, três ou cinco anos à frente, essas ações já não parecem tão caras.”

Siga o dinheiro

Investidores apontam compromissos de gastos tanto em nível nacional quanto da União Europeia, incluindo a iniciativa Rearm Europe, de 800 bilhões de euros (US$ 841 bilhões), além do crescente apoio político para mobilizar capital privado.

“Na nossa visão, as empresas de defesa são sustentadas por planos de gastos militares de longo prazo da UE e da Otan — independentemente de flutuações de curto prazo causadas por desenvolvimentos geopolíticos”, afirmou Helen Jewell, diretora global de investimentos internacionais da BlackRock Fundamental Equities, em um relatório de perspectivas para o mercado de ações.

Thuin destacou: “Sabemos que agora estamos, coletivamente, mirando 2,5% do PIB em equipamentos e gastos militares, chegando a até 5% se incluirmos segurança e cibersegurança — isso levará anos para ser implementado”.

Ele acrescentou: “Há também uma forte disposição entre os governos europeus para garantir que o capital privado seja investido nesse espaço. A poupança europeia pode financiar esse movimento em direção a mais resiliência e mais soberania, na defesa e em outros setores. Esse é um sinal muito encorajador e provavelmente uma tendência de longo prazo em formação”.

Fawaz Chaudhry, diretor de investimentos da Fulcrum Asset Management, disse ao Europe Early Edition, da CNBC, em 5 de janeiro, que a demonstração de “poder duro” dos EUA na Venezuela no sábado foi um “exercício de sinalização” que deve servir de catalisador para “mais gastos militares, mais rearmamento, da Europa e da Ásia”.

Reconstrução de capacidades

Thuin afirmou ainda que as ações de defesa europeias devem se beneficiar tanto do impulso por maior soberania regional e do aumento dos gastos militares dentro do bloco quanto da crescente demanda fora do continente, onde essas empresas são grandes exportadoras. “Vemos essa corrida militar acontecendo em outras regiões”, disse. “Há potencial para que as carteiras de pedidos cresçam tanto na Europa quanto fora dela.”

Gupta também destacou a importância dessa nova era de poder duro para investidores em defesa.

“Os novos catalisadores inclinam ainda mais a balança a favor das contratadas europeias: elas têm histórias mais claras de retorno de capital, ventos favoráveis diretos dos orçamentos em múltiplos teatros e um prêmio crescente pela autonomia estratégica europeia, em comparação com um guarda-chuva de segurança dos EUA mais politicamente volátil”, observou.

A própria Tikehau já está “fortemente investida” nessa tendência, segundo Thuin, com US$ 3 bilhões em ativos alocados para defesa e cibersegurança. Ele reconheceu a possibilidade de volatilidade no curto prazo caso surja um acordo de paz duradouro na Ucrânia, lembrando a liquidação das ações de defesa no fim de 2025, mas recomendou que investidores mantenham o foco no horizonte de longo prazo.

“No momento, muitos desses fabricantes de equipamentos militares na Europa estão concentrados em entregar material para a Ucrânia — principalmente tanques, veículos blindados e munições”, disse. “Mas, muito em breve, teremos de reconstruir nossa capacidade militar na Europa. Mísseis, sistemas de defesa aérea, caças, navios de guerra — há uma ampla gama de equipamentos a ser contemplada.”

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