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Trump recorre a diesel russo antes das eleições de meio de mandato, mas analistas veem pouco alívio nos preços
Publicado 12/10/2026 • 14:15 | Atualizado há 50 minutos
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Publicado 12/10/2026 • 14:15 | Atualizado há 50 minutos
KEY POINTS
Foto: AFP
A mais recente iniciativa diplomática do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para aliviar a escassez de diesel antes das eleições legislativas de novembro dificilmente terá impacto significativo sobre os preços, segundo analistas.
O anúncio de Trump sobre uma “trégua energética” entre Rússia e Ucrânia, feito no domingo (11), surpreendeu autoridades de diferentes países, especialmente em Kiev, e provocou uma queda nos preços do petróleo nesta segunda-feira (12). A reação ocorreu apesar de a Rússia ter atacado uma usina de energia pouco depois do anúncio. Posteriormente, as cotações voltaram a subir.
A declaração do presidente veio após ele anunciar um acordo para que a Rússia libere imediatamente 300 mil toneladas métricas de diesel para os Estados Unidos e os mercados globais. O plano prevê o fornecimento de outras 500 mil toneladas em novembro e de mais 1 milhão de toneladas em seguida. Depois disso, Moscou entregaria outras 3 milhões de toneladas, dependendo das condições das refinarias russas, segundo Trump.
O presidente americano tem buscado conter a inflação antes das eleições legislativas de novembro, quando o Partido Republicano corre o risco de perder o controle das duas casas do Congresso.
Leia também: Bolsas da Ásia e do Pacífico fecham mistas após plano de Trump de comprar diesel russo
De acordo com o Pew Research Center, 84% dos eleitores registrados afirmam que a economia é “muito importante” para sua decisão de voto.
Os preços do diesel atingiram uma média recorde de US$ 6,5276 por galão no fim de setembro, segundo a AAA, em meio aos impactos das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio sobre o abastecimento.
“Trump está explorando todas as alternativas para reduzir os preços do diesel antes das eleições de meio de mandato”, afirmou Mohit Kumar, economista-chefe para a Europa do banco de investimentos Jefferies, em uma nota divulgada nesta segunda-feira.
“O acordo com a Rússia enfrentou oposição tanto nos Estados Unidos quanto entre líderes europeus, pois contornaria as sanções impostas ao país”, acrescentou.
“Embora uma oferta maior de diesel possa aliviar parte da pressão sobre os preços, os volumes acordados dificilmente farão uma diferença substancial.”
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma licença temporária que flexibiliza as sanções sobre o diesel russo para viabilizar o acordo anunciado por Trump na sexta-feira (09).
Em uma nota divulgada nesta segunda-feira, analistas do banco suíço Lombard Odier afirmaram que o acordo, somado aos planos da China de retomar as exportações de combustíveis refinados, pode ser “potencialmente significativo”. Segundo eles, a escassez de diesel ampliou os efeitos inflacionários das interrupções no fornecimento de energia, especialmente nos setores de transporte, agricultura e produção industrial.
Os analistas, porém, fizeram uma ressalva: “Cargas anunciadas não equivalem a fornecimento efetivamente entregue”. Além disso, nenhum dos acordos restabelece imediatamente a infraestrutura danificada ou normaliza o transporte marítimo.
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Siga o Times | CNBCNeil Atkinson, ex-chefe da divisão de petróleo da Agência Internacional de Energia (AIE), demonstrou menos otimismo. Em uma nota enviada à CNBC, ele afirmou que a origem dos volumes previstos no acordo de Trump é um “mistério”, a menos que o combustível venha do abastecimento doméstico russo, o que, segundo ele, prejudicaria gravemente a economia do país.
Atkinson observou que o G7 autorizou recentemente a liberação de 50 milhões de barris de derivados de petróleo, principalmente diesel. A medida, porém, “praticamente não fez diferença para a restrição de oferta no mercado de diesel”, devido à falta de clareza sobre os volumes que serão liberados, quando isso ocorrerá e quais serão os destinos.
“O mesmo acontecerá com o novo acordo entre Estados Unidos e Rússia para permitir as exportações russas”, afirmou.
“Mesmo que as 300 mil toneladas iniciais – equivalentes a cerca de 70 mil barris por dia ao longo de um mês – estivessem disponíveis amanhã, o impacto seria pequeno”, acrescentou.
Segundo Atkinson, isso ocorre porque os Estados Unidos consomem 3,7 milhões de barris de diesel por dia, enquanto a demanda mundial chega a 29 milhões de barris diários. Os estoques comerciais americanos somam 105 milhões de barris.
“Antes da guerra, o Golfo do Oriente Médio exportava quase 1 milhão de barris de diesel por dia. Essa oferta continua em grande parte comprometida devido aos danos às refinarias e às dificuldades para exportar derivados por navio”, afirmou.
Leia também: Acordo de Trump com Putin sobre diesel contraria lei de sanções à Rússia, acusam parlamentares dos EUA
Em uma nota enviada a clientes nesta segunda-feira, analistas da Quantum Strategy, de Singapura, apresentaram uma avaliação especialmente pessimista sobre o acordo.
“Esperamos que esse acordo fracasse economicamente. Mantemos posições compradas em derivados de petróleo e petróleo bruto. Continuamos vendidos em ativos americanos”, escreveram.
Os analistas também avaliaram que o presidente russo, Vladimir Putin, poderá interpretar o entendimento como um convite para intensificar as ações de guerra híbrida na Europa.
“Esperamos que Putin interprete o acordo como um convite aberto para elevar a um patamar muito mais alto sua guerra na zona cinzenta na Europa. Os efeitos seriam negativos para o euro e para a dívida soberana da União Europeia, à medida que as potências europeias correm para garantir sua defesa”, afirmaram.
Leia mais: Trump fecha acordo com Putin para fornecer diesel russo aos mercados dos EUA e globais
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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