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Trump reitera promessa de enviar cheques de US$ 5.000 às vésperas das eleições de meio de mandato

Publicado 04/10/2026 • 16:58 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Trump promete cheque de US$ 5 mil a adultos dos EUA caso republicanos mantenham o Congresso.
  • Pagamentos de US$ 90 do Medicare e US$ 500 do Obamacare já começaram a ser distribuídos a beneficiários elegíveis.
  • Proposta de US$ 5 mil ainda depende do Congresso e enfrenta dúvidas sobre custo, déficit e inflação.

AFP

Com as eleições de meio de mandato a menos de um mês, o presidente Donald Trump vem destacando dois programas federais de pagamentos em dinheiro que já estão em andamento, ao mesmo tempo em que volta a prometer um benefício muito maior: um cheque de US$ 5 mil (R$ 26.050) para cada adulto americano, caso os republicanos mantenham o controle do Congresso.

Na sexta-feira, Trump anunciou pagamentos únicos de US$ 90 (R$ 468,90) para 20,8 milhões de beneficiários do Medicare. No dia seguinte, retomou uma promessa feita anteriormente de distribuir US$ 5 mil (R$ 26.050) a todos os cidadãos adultos dos Estados Unidos, mas somente se os republicanos continuarem no comando do Congresso após as eleições de novembro.

“Se os republicanos vencerem as eleições de meio de mandato de 2026 e mantiverem o controle da Câmara e do Senado, vou dar US$ 5 mil (R$ 26.050) a todos os cidadãos adultos dos Estados Unidos”, disse Trump em um vídeo publicado no Truth Social no sábado. Ele já havia feito uma promessa semelhante no mês passado, durante a primeira convenção de meio de mandato do Comitê Nacional Republicano, em Dallas.

Trump não explicou quem teria autoridade para aprovar os pagamentos nem de onde sairia o dinheiro.

As novas declarações vieram na esteira de cheques de US$ 500 (R$ 2.605) do Obamacare, apresentados como um tipo de “reembolso” e que começaram a ser enviados na semana passada a cerca de 950 mil pessoas que compraram planos de saúde sem subsídio por meio do marketplace federal.

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Também estão previstos para este mês pagamentos de US$ 90 (R$ 468,90) a determinados beneficiários elegíveis do Medicare Part B. O dinheiro virá do Medicare Improvement Fund. Já os pagamentos de US$ 500 (R$ 2.605) do Obamacare estão sendo distribuídos a alguns clientes do HealthCare.gov que pagaram o valor integral do plano.

Uma análise da Reuters constatou que 71% dos recursos do programa do Obamacare, cerca de US$ 339 milhões (R$ 1,766 bilhões), estão destinados a moradores de 13 estados que concentram algumas das disputas mais acirradas do país pelas vagas no Senado e pelos governos estaduais. A elegibilidade, porém, é determinada pela situação do seguro de saúde, e não pelo fato de a pessoa ser eleitora.

A sequência de anúncios e pagamentos diretos acontece justamente na reta final das eleições de meio de mandato, em uma campanha republicana marcada pelas preocupações dos eleitores com o custo de vida e a situação da economia.

O chamado “dividendo Trump” de US$ 5 mil (R$ 26.050), no entanto, continua sendo apenas uma promessa. Trump deu poucos detalhes sobre a proposta, principalmente sobre a origem dos recursos e sobre quem teria de autorizá-la. Distribuir US$ 5 mil (R$ 26.050) a cada adulto americano custaria cerca de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,252 trilhões) e dependeria da aprovação do Congresso.

Alguns republicanos também questionaram o impacto da medida sobre o déficit e a inflação.

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O deputado David Schweikert, republicano do Arizona, disse à Reuters no mês passado que faria “tudo o que estivesse ao seu alcance” para impedir a proposta, alertando que ela poderia provocar uma alta nas taxas de juros. Já o deputado Jamie Raskin, democrata de Maryland, chamou o plano de “suborno político” em entrevista à CNN em 10 de setembro e lembrou que cabe ao Congresso decidir sobre os gastos federais.

A Casa Branca e os gabinetes de Schweikert e Raskin não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

As pesquisas também indicam que a proposta não conta com apoio unânime entre os eleitores.

Uma pesquisa da Rasmussen Reports mostrou os prováveis eleitores praticamente divididos: 47% apoiavam a ideia, enquanto 48% se opunham. Apenas 15% disseram que a proposta teria influência sobre seu voto. No Wisconsin, uma pesquisa da Marquette Law School apontou que 70% eram contrários aos pagamentos. Já uma pesquisa da Economist/YouGov mostrou que 57% dos eleitores registrados duvidavam que Trump realmente faria os pagamentos, mesmo que os republicanos mantivessem o controle do Congresso.

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Não é a primeira vez que Trump promete distribuir dinheiro diretamente aos americanos sem que a promessa se concretize.

Em fevereiro de 2025, o governo Trump chegou a considerar um cheque de US$ 5 mil (R$ 26.050) chamado de “dividendo do DOGE”. A ideia era financiar os pagamentos com parte da economia gerada pelos cortes promovidos pelo então chamado Departamento de Eficiência Governamental, liderado por Elon Musk. O programa, porém, nunca saiu do papel.

Mais tarde, em novembro, Trump propôs outro pagamento, de pelo menos US$ 2 mil (R$ 10.420) por pessoa, que seria financiado pela arrecadação de tarifas recíprocas. A Suprema Corte derrubou as tarifas em fevereiro deste ano, e nenhum cheque chegou a ser distribuído.

A estratégia de prometer pagamentos diretamente aos eleitores remonta ao primeiro mandato de Trump. Seis semanas antes da eleição de 2020, ele prometeu cartões de US$ 200 (R$ 1.042) para medicamentos a 33 milhões de beneficiários do Medicare, dizendo que eles seriam enviados “nas semanas seguintes”. Os cartões, porém, nunca chegaram.

Ainda assim, durante seu governo, Trump de fato autorizou alguns pagamentos. No ano passado, por exemplo, o governo distribuiu um “Warrior Dividend” de US$ 1.776 (R$ 9.252,96) a cerca de 1,5 milhão de militares. Em seu primeiro mandato, o Congresso também aprovou pagamentos de estímulo econômico durante a pandemia.

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