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Trump retira convite ao Canadá para o ‘Conselho de Paz’ e acirra atrito com governo Carney
Publicado 23/01/2026 • 07:50 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 23/01/2026 • 07:50 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou o convite feito ao Canadá para integrar seu “Conselho da Paz”, poucos dias após o primeiro-ministro Mark Carney ter alertado, em discurso em Davos, sobre a coerção econômica praticada pelas grandes potências globais.
“Caro primeiro-ministro Carney: sirva esta carta para comunicar que o Conselho da Paz está retirando o convite feito a você referente à adesão do Canadá”, afirmou Trump em uma publicação na rede Truth Social na noite de quinta-feira, no horário dos Estados Unidos.
Carney havia dito na semana passada que pretendia integrar o conselho, mas que os detalhes — incluindo os termos financeiros — ainda não haviam sido definidos. Países que buscam um assento permanente precisam pagar US$ 1 bilhão.
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Em seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no início desta semana, Carney afirmou que as chamadas “potências médias” do mundo precisam se unir para resistir à coerção exercida pelas maiores potências globais.
“As grandes potências começaram a usar a integração econômica como arma. Tarifas como instrumento de pressão, infraestrutura financeira como coerção, cadeias de suprimento como vulnerabilidades a serem exploradas”, declarou.
Embora Carney não tenha citado nenhum país especificamente, Trump respondeu mais tarde, à margem do fórum, dizendo que “o Canadá só existe por causa dos Estados Unidos. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações”.
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Horas antes do discurso de Carney, Trump havia publicado nas redes sociais uma imagem digitalmente alterada de um mapa com a Groenlândia, a Venezuela e o Canadá cobertos pela bandeira dos Estados Unidos.
Eventos recentes mostraram que a chamada “ordem internacional baseada em regras” está, na prática, morta, enquanto as superpotências globais “buscam seus interesses usando a integração econômica como instrumento de coerção”, afirmou Carney em seu discurso.
As relações entre os dois aliados históricos passaram por forte deterioração no segundo mandato de Trump, que já se referiu ao país vizinho como o 51º estado dos Estados Unidos, além de impor tarifas ao Canadá.
O “Conselho da Paz”, presidido por Trump, foi concebido originalmente para supervisionar a desmilitarização e a reconstrução da Faixa de Gaza após uma guerra de dois anos com Israel. No entanto, Trump afirmou prever que o conselho terá um papel mais amplo, podendo, no futuro, rivalizar com as Nações Unidas — uma atribuição que tem alarmado vários aliados dos EUA.
Trump obteve apoio de países do Oriente Médio, como Turquia, Egito, Arábia Saudita e Catar, além de economias emergentes, como a Indonésia.
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Por outro lado, diversas potências globais e aliados tradicionais dos Estados Unidos no Ocidente têm adotado uma postura mais cautelosa, entre eles Austrália, França, Alemanha e Itália, e alguns rejeitaram a proposta. Segundo relatos, a secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que o país “não será um dos signatários”, citando preocupações com o convite feito ao presidente russo, Vladimir Putin.
Rússia e China estão entre os países convidados a integrar o conselho. Putin teria dito ao Conselho de Segurança russo que o Ministério das Relações Exteriores ainda analisa a proposta, enquanto a China não confirmou se irá aderir.
O discurso de Carney no Fórum Econômico Mundial ocorreu após sua visita de destaque à China, na semana passada, quando fechou um acordo abrangente com o presidente Xi Jinping para reduzir tarifas e reconstruir as relações bilaterais.
Como parte do acordo, Pequim reduziu tarifas sobre diversos produtos agrícolas canadenses, enquanto Ottawa aumentou as cotas para a importação de veículos elétricos chineses, aplicando a tarifa de nação mais favorecida de 6,1%.
Carney celebrou sua parceria estratégica com Xi, ressaltando a importância dos laços entre os dois países diante de uma “nova ordem mundial”, em uma referência velada à instabilidade global causada pelas mudanças na política externa de Trump e por sua agenda comercial disruptiva.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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