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Ursula von der Leyen defende Groenlândia e critica tarifas em Davos
Publicado 20/01/2026 • 08:37 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 20/01/2026 • 08:37 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta terça-feira (20), no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e que disputas tarifárias entre aliados históricos representam um erro estratégico diante do novo cenário geopolítico no Ártico.
A declaração ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de aplicar uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de fevereiro de 2026, caso se oponham ao plano americano de adquirir a Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca.
Segundo Von Der Leyen, a Groenlândia não pode ser tratada como ativo negociável em disputas de poder. “A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”, afirmou, ao defender solidariedade plena da União Europeia ao território no Ártico.
A presidente da Comissão Europeia ressaltou que a estabilidade da Groenlândia depende de cooperação entre aliados, e não de ações unilaterais que fragilizam relações construídas ao longo de décadas.
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Sem citar diretamente o governo americano, Von Der Leyen criticou a possibilidade de novas tarifas entre parceiros históricos. Para ela, disputas comerciais internas enfraquecem o campo ocidental em um momento de reorganização geopolítica global.
“As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data”, disse. “Em política e nos negócios, um acordo é um acordo. Quando amigos apertam as mãos, isso precisa significar algo.”
A líder europeia lembrou que União Europeia e Estados Unidos firmaram um acordo comercial em julho do ano passado e alertou que uma escalada tarifária pode beneficiar adversários estratégicos comuns, em especial em regiões sensíveis como a Groenlândia e o Ártico.
No domingo (18), líderes dos 27 países da União Europeia se reuniram em Bruxelas para discutir uma resposta coordenada ao agravamento das tensões envolvendo a Groenlândia. O encontro emergencial foi convocado diante do aumento do alerta diplomático e militar no Ártico.
Em paralelo, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês. Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda divulgaram comunicado conjunto reafirmando o compromisso com a defesa da Groenlândia no âmbito da Otan.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu e destacou a importância da cooperação internacional para a segurança regional.
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Além da defesa da Groenlândia, Von Der Leyen usou o palco de Davos para destacar o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, assinado no sábado (17), em Assunção, no Paraguai.
Segundo a presidente da Comissão Europeia, o tratado encerra mais de 25 anos de negociações e cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo 31 países, mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 20% do PIB global.
Para Von Der Leyen, o acordo envia um sinal político direto ao mercado internacional em um momento de disputas tarifárias e fragmentação das cadeias globais.
No discurso, a líder europeia contrapôs a lógica do livre comércio à adoção de tarifas. “Com este acordo, a União Europeia e a América Latina estão escolhendo o comércio justo em vez de tarifas”, afirmou, ao associar o tratado à diversificação de cadeias produtivas e à redução de dependências externas.
Ela destacou que o acordo com o Mercosul está alinhado aos compromissos climáticos europeus e ao Acordo de Paris, ao integrar crescimento econômico e sustentabilidade em uma mesma estratégia.
A presidente ressaltou que a Europa busca ampliar parcerias com polos de crescimento fora do eixo tradicional, da América Latina ao Indo-Pacífico, em resposta às mudanças estruturais da economia global.
Ao retomar o tema do Ártico no fim do discurso, Von Der Leyen afirmou que a Groenlândia faz parte de uma reflexão mais ampla sobre segurança, economia e autonomia estratégica europeia.
Segundo ela, a União Europeia prepara uma nova estratégia de segurança que inclui investimentos em defesa, pesquisa e infraestrutura no Ártico, além de cooperação com parceiros como Canadá, Reino Unido, Noruega e Islândia.
A presidente reforçou que um povo soberano precisa ter autonomia para decidir sobre seu próprio futuro, mensagem direcionada tanto à Groenlândia quanto ao atual rearranjo das forças globais.
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