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US$ 698 bilhões em um ano: super-ricos ampliam fortuna nos EUA e elevam risco político e fiscal
Publicado 06/01/2026 • 09:06 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 06/01/2026 • 09:06 | Atualizado há 9 meses
AFP/Saul Loeb
Mark Zuckerberg, Lauren Sanchez, Jeff Bezos, Sundar Pichai e Elon Musk na cerimônia de posse de Trump, em 20 de janeiro de 2025.
A riqueza combinada dos 10 bilionários mais ricos dos Estados Unidos aumentou em US$ 698 bilhões no último ano, segundo um novo relatório da Oxfam America divulgado novembro de 2024. O avanço acelerado da concentração de renda reacende o debate sobre sustentabilidade fiscal, estabilidade social e riscos estruturais para a maior economia do mundo.
O relatório destaca que políticas adotadas durante a administração de Donald Trump tendem a empurrar a desigualdade americana a novos patamares, mas enfatiza que o fenômeno não é exclusivo de um partido. Segundo o estudo, decisões bipartidárias ao longo de décadas, incluindo cortes de impostos, enfraquecimento de redes de proteção social e mudanças no mercado de trabalho, ampliaram o hiato de riqueza.
Com base em dados do Federal Reserve entre 1989 e 2022, os pesquisadores apontam que o 1% mais rico acumulou 101 vezes mais riqueza do que a família mediana no período e 987 vezes mais do que os lares no percentil inferior de renda (20%).
Em termos financeiros, isso se traduziu em um ganho médio de US$ 8,35 milhões por família no topo, contra apenas US$ 83 mil para a família média em 33 anos, um descolamento que reforça a leitura de crescimento econômico com baixa difusão de renda, um tema cada vez mais sensível para investidores institucionais.
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Do ponto de vista de mercado, o relatório vai além da análise social e levanta implicações macro relevantes. Atualmente, mais de 40% da população americana, incluindo quase 50% das crianças, vive com renda inferior a 200% da linha nacional de pobreza, um patamar que limita o potencial de consumo, pressiona políticas públicas e aumenta a dependência de estímulos fiscais.
Entre os 10 maiores países da OCDE, os EUA apresentam:
Esses indicadores reforçam um alerta para o mercado: desigualdade elevada tende a gerar volatilidade política, reduzir previsibilidade regulatória e pressionar o prêmio de risco exigido por investidores, especialmente em ciclos eleitorais.
“Desigualdade é uma escolha política”, afirmou Rebecca Riddell, líder sênior de políticas de justiça econômica da Oxfam America. “Os dados mostram que trajetórias diferentes são possíveis e que as decisões importam.”
O estudo afirma que sistemas-chave da economia americana, como o código tributário, os direitos trabalhistas e as redes de proteção social, foram gradualmente desmontados, permitindo que riqueza concentrada se transformasse em poder econômico e político, com efeitos diretos sobre legislação, concorrência e política fiscal.
Um dos pontos centrais do relatório é o projeto de lei conhecido como “one big, beautiful bill”, aprovado pelo Congresso em maio. Segundo a Oxfam, a medida representou uma das maiores transferências de renda para o topo em décadas, ao reduzir impostos sobre grandes fortunas e corporações.
Para analistas de mercado, esse tipo de política tende a:
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Apesar da dificuldade política de implementação, a Oxfam observa um ambiente crescente de mobilização social, alimentado pela percepção de que o atual modelo beneficia desproporcionalmente o topo da pirâmide, um fator que pode redefinir agendas econômicas e eleitorais nos próximos anos.
Fonte: Bloomberg Billionaires Index, dados de 1º de janeiro de 2026
(com informações do The Guardian)
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