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Vendas de Champagne disparam no Ano-Novo, mas denúncias trabalhistas pressionam o setor
Publicado 31/12/2025 • 07:19 | Atualizado há 2 meses
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As vendas de Champagne tradicionalmente aceleram no período de Natal e Ano-Novo, quando o espumante francês domina as celebrações. O pico sazonal, porém, ocorre em um contexto de forte pressão sobre o setor, marcado por denúncias de exploração trabalhista, desafios climáticos e tarifas comerciais.
Todos os anos, cerca de 120 mil trabalhadores sazonais atuam na colheita manual das uvas em aproximadamente 34 mil hectares da região de Champagne. A vindima dura poucas semanas e concentra intensa demanda por mão de obra, grande parte composta por migrantes estrangeiros.
O lado mais sombrio do Champagne ganhou visibilidade após a morte de ao menos quatro trabalhadores migrantes durante a colheita de 2023, realizada sob uma onda de calor extremo. O episódio ficou conhecido como “colheita da vergonha” e revelou jornadas excessivas, baixos salários, alojamentos precários e falta de protocolos básicos de segurança.
Em 2025, três pessoas foram condenadas na França por tráfico humano e exploração de mais de 50 trabalhadores africanos contratados para a vindima. Segundo o Ministério Público, havia “subcontratação descontrolada e maus-tratos evidentes” por trás de garrafas de Champagne destinadas ao mercado global.
O Comité Champagne, entidade que representa produtores e casas do setor, reconheceu o dano reputacional e anunciou tolerância zero a abusos. Um plano de ação foi lançado para reforçar regras de alojamento, segurança e contratação durante a colheita de Champagne.
Grandes grupos também passaram a divulgar investimentos em infraestrutura para trabalhadores. A Moët & Chandon, controlada pelo grupo LVMH, informou ter ampliado sua capacidade de hospedagem sazonal, após pressão sindical e fiscalizações.
Além das denúncias, o Champagne enfrenta um cenário econômico mais complexo. A safra de 2024 teve rendimento abaixo da média, afetada por geadas na primavera e chuvas no verão. A colheita de 2025 apresentou melhor qualidade, beneficiada por clima mais estável.
Mesmo assim, o consumo global de Champagne vem recuando. Em 2023, as remessas somaram 299 milhões de garrafas, queda de 8,2%. Em 2024, o volume caiu para 271 milhões. Para 2025, o setor ainda enfrenta o impacto das tarifas de importação dos Estados Unidos sobre produtos da União Europeia, que reduziram os embarques.
Sinônimo de celebração, o Champagne responde por cerca de 10% do volume mundial de espumantes, mas concentra até 35% do valor global do mercado. Com vendas pressionadas, conflitos trabalhistas e mudanças no perfil de consumo de álcool, a forma como o setor lida com sua cadeia produtiva passou a ser parte central do debate sobre sua sustentabilidade econômica e social.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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