Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Acordo inédito para exportação de sorgo abre nova fronteira para o agronegócio brasileiro
Publicado 22/08/2025 • 21:31 | Atualizado há 7 meses
Por que a China consegue suportar a alta do petróleo com mais facilidade do que outros países
Trump diz que não vai assinar nenhuma lei até Congresso aprovar projeto eleitoral
Profissões manuais ganham força como “blindagem” contra a IA e atraem nova geração de trabalhadores
Preços da energia cairão quando os EUA destruírem capacidade do Irã de atacar petroleiros no Estreito de Ormuz, diz Wright
CEO da OpenAI diz aos funcionários que “decisões operacionais” das forças armadas cabem ao governo
Publicado 22/08/2025 • 21:31 | Atualizado há 7 meses
KEY POINTS
O brasileiro comum, principalmente os moradores das grandes cidades, provavelmente nunca teve contato com o sorgo. Muitos sequer ouviram falar desse nome, mas trata-se de um dos cereais mais cultivados do mundo e que começa a ganhar relevância inédita no agronegócio nacional.
Historicamente, o sorgo no Brasil era destinado ao mercado interno e quase exclusivamente à produção de ração animal, sobretudo para aves e suínos. Mais recentemente, passou também a abastecer a indústria de biocombustíveis, especialmente na produção de etanol.
Leia também:
CNA rebate acusações dos EUA de ‘práticas desleais de comércio’ e defende setor agropecuário brasileiro
Crise global do cacau abre espaço para retomada do protagonismo do Brasil com avanço do Ceará
Uma das grandes vantagens do sorgo é que ele cresce bem em regiões quentes e secas, onde outras culturas, como o milho, podem enfrentar dificuldades.
Agora, o grão entra em uma nova fase, com a possibilidade de exportação para a China a partir de 2026, após acordo firmado entre os dois países.
Segundo Lucas Sleutjes Silveira, da Advanta Seeds, o próximo passo é ajustar protocolos fitossanitários e padrões de qualidade. “A expectativa é que já na safrinha de 2026 o Brasil esteja apto a embarcar sorgo granífero para o mercado chinês”, afirma.
O apetite chinês impressiona: dados do USDA indicam que o país pode demandar até 7,9 milhões de toneladas por ano — cerca de 81% da importação global.
Os Estados Unidos lideram as exportações, com 5,4 milhões de toneladas, seguidos por Austrália (2,6 milhões) e Argentina (1,4 milhão). Juntos, controlam 96% do comércio global. Mas a conjuntura abre espaço para novos players: a área de sorgo nos EUA já mostra sinais de retração, ao mesmo tempo em que tensões comerciais com a China reduzem a previsibilidade das compras.
O Brasil, que já produziu 5 milhões de toneladas em 2024/25 e se consolidou como o terceiro maior produtor mundial, surge como candidato natural para ocupar parte desse espaço.
A importância do sorgo também cresce dentro da porteira. A cultura é considerada um “plano B” cada vez mais competitivo frente ao milho safrinha. A tolerância à seca, a maior adaptabilidade a diferentes solos e o custo de produção entre 20% e 30% inferior tornam o sorgo uma escolha estratégica em janelas de plantio tardias.
Enquanto o milho demanda mais água e enfrenta riscos de quebra em anos de irregularidade climática, o sorgo mantém produtividade com menor estresse hídrico. “O sorgo enfrenta a seca, mas não a fome. Se o produtor adota manejo nutricional adequado, pode colher até 200 sacas por hectare”, afirmou Wedersom Urzedo, engenheiro agrônomo.
No Mato Grosso e em Goiás, a cultura já ganha espaço. Em Goiás, a área deve crescer 2,2% em 2024/25, chegando a 393 mil hectares, segundo a Consultoria Cogo.

Outro vetor de crescimento é a indústria de biocombustíveis. Estudos mostram que o rendimento do sorgo para produção de etanol é semelhante ao do milho, mas com custo de aquisição menor. Usinas em Mato Grosso do Sul, Maranhão e no Vale do Araguaia (MT) já estão adaptando suas linhas para processar também o sorgo, criando modelos híbridos de esmagamento.
“O DDG gerado após a produção de etanol é altamente proteico e pode ser usado na alimentação animal, agregando valor à cadeia”, explicou Ana Scavone, da Advanta Seeds.
O DDG é o subproduto do processo de produção de etanol a partir de grãos como milho e sorgo. Trata-se de um farelo rico em proteína e fibras, utilizado principalmente na alimentação de bovinos, aves e suínos.
Esse papel na bioenergia reforça a versatilidade do sorgo, que também é usado como biomassa para geração de calor e energia em usinas e como cobertura de solo em sistemas de rotação agrícola.

O grande salto da cultura do sorgo no Brasil vem com o avanço tecnológico. Um exemplo é a tecnologia igrowth, da Advanta, que melhora a tolerância a herbicidas do grupo das imidazolinonas e permite o controle eficiente de gramíneas — um dos maiores gargalos históricos do sorgo.
Esse diferencial garante lavouras mais limpas, colheita mais uniforme e maior rendimento, além de benefícios para culturas subsequentes, como a soja, graças à supressão de plantas daninhas e à retenção de umidade no solo.
O consórcio de sorgo com braquiária também tem mostrado resultados positivos, ao ampliar a cobertura do solo, aumentar a biomassa e favorecer sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Apesar do avanço, especialistas alertam que o sucesso do sorgo depende de manejo eficiente. O controle de percevejos, lagartas e pulgões continua sendo um ponto crítico, assim como o enfrentamento de doenças fúngicas. Empresas de pesquisa já oferecem portfólios de defensivos específicos para proteger a lavoura.
Outro ponto de atenção é a nutrição: por ser resistente à seca, alguns produtores acabam negligenciando a adubação, o que compromete o potencial produtivo. “O sorgo exige o mesmo planejamento que o milho, com atenção especial à escolha do material genético e ao preparo do solo”, reforça Wedersom Urzedo.
Nos últimos quatro anos, a produção brasileira de sorgo dobrou, e a cultura deixou de ser vista apenas como uma “alternativa de risco” para se firmar como componente estratégico do agronegócio.
Com o acordo para exportação à China, a consolidação como insumo para biocombustíveis e os ganhos tecnológicos, o grão tem potencial para ser mais que um complemento ao milho e se tornar protagonista de uma nova fase da agricultura brasileira, unindo rentabilidade, sustentabilidade e inserção global.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Gasolina e diesel podem subir no Brasil com disparada do petróleo; entenda o alerta do setor
2
Bovespa terá novo horário de negociação a partir de hoje com ajuste ao horário de verão dos EUA
3
As 10 conquistas que levaram o Flamengo ao Top 3 do ranking mundial de clubes
4
Trump diz que guerra com o Irã “está praticamente encerrada” e que EUA consideram tomar o Estreito de Ormuz
5
Exclusivo: após suspender lançamento no Rio, Keeta promove demissão em massa