Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
O que é SAF? Entenda o modelo que está transformando o futebol brasileiro
Publicado 13/11/2025 • 11:39 | Atualizado há 5 meses
S&P 500 fecha acima de 7.100 pontos pela 1ª vez e Nasdaq tem a sequência de altas mais longa desde 1992
Rival da Nvidia busca ao menos R$ 588 milhões em nova rodada com avanço do mercado europeu de chips de IA
Espanha destaca proteção energética diante da guerra com Irã, enquanto atritos com Trump pesam sobre comércio
Bloqueio naval dos EUA ao Irã chega ao quarto dia; veja o tráfego de navios no Estreito de Ormuz
Netflix supera expectativas de lucro com fim de acordo com a Warner e anuncia mudança no conselho
Publicado 13/11/2025 • 11:39 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
O que é SAF? Veja como o modelo clube-empresa funciona, suas vantagens, riscos. impacto na gestão, dívidas e exemplos de times que adotaram a SAF. | Foto de Melissa Ciulla/Pexels.
O que é SAF? Veja como o modelo clube-empresa funciona, suas vantagens, riscos. impacto na gestão, dívidas e exemplos de times que adotaram a SAF. | Foto de Melissa Ciulla/Pexels.
Em agosto de 2021, a aprovação da Lei 14.193/2021 trouxe ao universo futebolístico a SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Apresentada pelo senador Rodrigo Pacheco, trata-se de um modelo de gestão empresarial para o futebol. A ideia era profissionalizar o gerenciamento dos clubes, incentivando transparência e novos investimentos — uma estratégia pensada para reorganizar dívidas e aumentar a competitividade entre os clubes.
No entanto, o conceito jurídico da SAF foi desenvolvido pelos advogados Rodrigo Monteiro de Castro e José Francisco Manssur. Desde 2015, eles analisavam modelos internacionais e sugeriam mudanças estruturais no futebol brasileiro. O trabalho apareceu primeiro no livro “Futebol, Mercado e Estado”. Tempo depois, a proposta ganhou força no Congresso e se tornou política pública.
Com a aprovação da lei, associações tradicionais puderam se transformar em empresas e em poucos meses surgiram as primeiras SAFs no país, marcando uma nova fase para o esporte.
Entre as principais mudanças da SAF está o novo modelo de estrutura dos clubes. Até então, a maioria funcionava como associação civil sem fins lucrativos. Nessa configuração, os sócios elegem conselhos e presidência para comandar o clube. Esse formato impede a venda do time para investidores, porque ele não é considerado uma empresa.
No entanto, com a SAF isso mudou. O clube pode separar o departamento de futebol e transformá-lo em uma empresa. Essa empresa pode ser vendida parcial ou totalmente. Os compradores podem ser empresários, grupos econômicos ou fundos de investimento. A lei também permite a abertura de capital na Bolsa de Valores. Nenhum clube brasileiro fez isso até agora, mas é prática comum no futebol europeu.
A SAF muda a relação entre comando e propriedade no futebol. Enquanto como associação civil, o presidente é eleito pelos sócios. Nessas condições, ele cumpre um mandato temporário, de dois a quatro anos, não recebe salário e pode ser substituído a cada eleição. A gestão funciona como um governo, com conselhos e diretorias que mudam com frequência.
Já na SAF, existe um dono. Quem compra parte ou todo o clube-empresa tem poder de decisão contínuo. Ele só deixa o controle quando vende sua participação para outro investidor. Ou seja, o comando deixa de ser transitório e se torna empresarial.
Além disso, a gestão da SAF costuma ter uma estrutura profissional. O proprietário contrata especialistas para cargos executivos. É comum ter um CEO, um diretor financeiro, um diretor jurídico e um diretor de marketing. Há também um diretor de futebol, responsável pela área esportiva. Esses executivos devem responder ao proprietário ou ao grupo de sócios-investidores, enquanto as decisões estratégicas passam por um Conselho de Administração.
Nesse sentido, associações civis podem tentar montar estruturas parecidas. Mas, como o presidente muda com frequência, a continuidade é frágil – a SAF busca corrigir essa instabilidade e criar um planejamento de longo prazo.
Leia mais: Top 5 clubes brasileiros que mais contrataram e venderam jogadores em 2025; veja lista
Leia mais: SPFC lança venture builder para investir em startups e novas tecnologias no esporte
De acordo com a regra estabelecida pela lei, SAF pode surgir de três formas. No primeiro caso, o clube pode nascer já como empresa. No segundo caso, é possível converter a estrutura de associação civil para SAF. Ou ainda, pode separar o departamento de futebol e transferir seus ativos esportivos para a nova empresa. Depois da criação, o clube-empresa pode vender uma parte minoritária, majoritária ou todo o capital para investidores. A título de exemplo, foi o que aconteceu com Botafogo, Cruzeiro e Vasco — negociados com John Textor, Ronaldo e 777 Partners.
Já a possibilidade da associação retomar o futebol depende do acordo firmado. Nos três casos, as associações venderam o controle da SAF. Cada negociação definiu obrigações, direitos e mecanismos de saída. Se uma das partes descumprir o contrato, pode haver cláusulas que permitam a reversão ou a venda para novos compradores.
Pelo menos em tese, a tradição do clube permanece protegida na SAF. Enquanto a associação original mantiver ao menos uma ação ordinária de classe A, ela conserva poder de veto.
O poder de veto se aplica em questões simbólicas e de identidade, como a mudança de nome, escudo, marca, apelido, hino e cores. Junto a isso, o clube também pode impedir a transferência da sede para outro município. Assim, mesmo com novos proprietários, a história do clube permanece preservada.
A SAF não herda automaticamente as dívidas do clube. Na verdade, elas continuam com a associação civil que deu origem à equipe. Porém, a mudança para o modelo empresarial deve contribuir para o pagamento desses valores – mas dentro dos limites previstos em lei.
A SAF contribui para o pagamento ao destinar parte de suas receitas pelo Regime Centralizado de Execuções. Se o plano não for cumprido, pode haver cobranças indiretas, e alguns contratos podem migrar conforme a forma de criação da SAF. Ou seja, a SAF não herda as dívidas, mas ajuda a quitá-las.
Como o futebol passa a ser administrado pelo clube-empresa, a associação perde suas principais receitas. Por isso, existem dois caminhos para organizar o endividamento: o regime centralizado de execuções ou a recuperação judicial.
Em outras palavras, a SAF pode ajudar a reorganizar dívidas e dar mais previsibilidade de pagamento. Contudo, o sucesso ainda dependerá da gestão, da capacidade de investimento e da adesão dos credores ao plano.
Atualmente, vários clubes brasileiros já adotaram o modelo de SAF para enfrentar crises financeiras e buscar competitividade. Entre os casos de maior destaque estão:
Embora nem todos os torcedores concordem com a lógica empresarial nos seus clubes do coração, o SAF tem se tornado cada vez mais comum no esporte.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Qual era o papel de Daniel Monteiro, advogado preso hoje junto com ex-presidente do BRB
2
Anthropic lança Claude Opus 4.7, modelo que vai usar para aprender a controlar o mito que criou
3
Shell e Cosan podem perder participação na Raízen? Entenda o risco
4
Lenda do basquete, Oscar Schmidt morre aos 68 anos
5
BTG montou operação bilionária com alto potencial de lucro para compra de carteira do Master