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Banco Master: segunda onda pode afetar quem nunca comprou produtos da instituição; entenda
Publicado 20/11/2025 • 21:45 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 20/11/2025 • 21:45 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A apreensão de investidores aumentou nos últimos dias, após a liquidação extrajudicial do Banco Master. Além dos afetados diretamente, há o temor no mercado por uma “segunda onda” de efeitos da quebra, que além dos depositantes e aplicadores diretos, vai alcançar quem nunca investiu no banco, mas pode sofrer perdas via fundos, CRIs, FIPs, derivativos ou previdência complementar.
Essa contaminação indireta preocupa analistas porque expõe investidores que não tinham relação aparente com o banco, mas estavam ligados a estruturas nas quais gestores aplicaram recursos em ativos associados ao Master — e que não contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Esse é o ponto levantado pelo Instituto Empresa, associação que atua desde 2017 em defesa de investidores. Para a entidade, a liquidação gerou uma segunda camada de impactos “atingindo investidores que jamais contrataram produtos da instituição, mas que estavam expostos por decisões de gestores”.
Para André Neves, sócio de Banking do BZCP, mestre pela LSE e doutor em Direito Comercial pela USP, há risco real de uma segunda onda mais profunda – e silenciosa.
Segundo ele, parte relevante do problema decorre de uma prática adotada pelo Banco Master nas aquisições que realizou nos últimos anos. O banco pagava por participações societárias utilizando recursos condicionados à aplicação compulsória em CDBs do próprio Master.
“Na prática, ele comprava a participação de algumas empresas com o CDB dele próprio”, explica Neves.
“Se a compra era de 50 milhões de reais, parte desse valor — por exemplo, 30 milhões — tinha que ser aplicada de volta em CDB do Master. O vendedor recebia 50 milhões, mas era obrigado a investir parte desse valor no próprio banco.”
O resultado disso começa a aparecer agora. Segundo Neves, diversas operações estão sendo desfeitas porque parte do preço combinado “nunca foi efetivamente paga”. E o problema se amplia quando esses vendedores acabam perdendo o montante aplicado compulsoriamente via CDB.
“Não há muito como ter direito de regresso aqui contra o comprador, que era o banco. Isso ainda vai gerar bastante discussão”, afirma.
Neves alerta ainda que essas participações não eram pontuais: “O banco era um comprador importante de participações em gestores, fundos e outros negócios. Isso pode estar espalhado por aí. Pode afetar FIPs, fundos imobiliários e empresas que transacionaram com o Master nos últimos anos.”
E o impacto, nesses casos, é integral. “Os valores aqui são muito mais altos do que os R$ 250 mil cobertos pelo FGC. Esse é o impacto na economia real.”
Apesar da gravidade, ele não vê risco sistêmico relevante: “Outros bancos relevantes não compravam CDB do Master. Pode haver uma financeira ou outra com parceria, mas não é algo que represente ameaça ao sistema financeiro brasileiro.”
O caso da Oncoclínicas (ONCO3) exemplifica o efeito cascata. A empresa revelou ter R$ 433 milhões aplicados em CDBs do Master, dos quais R$ 217 milhões já estavam provisionados. O restante — cerca de R$ 216 milhões — segue como exposição contábil, com potencial de afetar o preço da ação e investidores que jamais tiveram relação com o banco.
CRIs ligados à empresa também sofrem desvalorização diante da incerteza sobre a capacidade de honrar obrigações. O cenário é agravado pela perda financeira anterior relacionada à Ambipar, hoje em recuperação judicial.
Especialistas afirmam que muitos fundos multimercados, FIPs, fundos de crédito e previdência carregavam exposição direta ou indireta ao Master. Em parte dos casos, o investidor não foi informado sobre essa concentração.
Isso levanta alertas sobre o dever fiduciário. Gestores administram patrimônio de terceiros e devem monitorar riscos, mitigar perdas e comunicar deteriorações relevantes de forma tempestiva.
Fundos de pensão aparecem entre os principais pontos de preocupação. O RioPrevidência investiu cerca de R$ 2 bilhões no Master entre maio e julho de 2025, já durante o período mais crítico. A AmazonPrev registrou perdas de R$ 50 milhões no banco.
Segundo avaliadores independentes, o modelo de intermediação do mercado permite que riscos significativos fiquem ocultos até o momento da crise. A quebra escancara que investidores podem estar expostos a ativos de crédito deteriorado sem jamais terem comprado esses produtos.
Entre os riscos imediatos estão:
• perda de patrimônio via fundos expostos;
• desvalorização de CRIs e ações;
• impactos de longo prazo em previdência;
• risco de liquidez em carteiras concentradas.
Diante do cenário, especialistas recomendam:
• pedir abertura completa da carteira do fundo ou previdência;
• exigir transparência sobre ativos ligados ao Master;
• confirmar provisões feitas ao longo de 2025;
• cobrar medidas de mitigação;
• monitorar repasse de perdas ao valor da cota;
• avaliar redistribuição da carteira;
• considerar medidas judiciais em caso de omissão.
A liquidação do Master — motivada por “grave crise de liquidez” e “violações relevantes às normas do SFN”, segundo o Banco Central — marca um ponto de inflexão no mercado de crédito privado.
Para investidores e reguladores, a mensagem é clara: a cadeia de intermediação financeira pode esconder riscos que só aparecem tarde demais. Transparência, diligência e escrutínio ativo tornam-se essenciais.a de um banco, mas um alerta sistêmico sobre governança, risco de crédito e comunicação com o investidores em um mercado cada vez mais dependente de produtos estruturados e crédito privado.
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