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Modelo de pele humana desenvolvido no Brasil deve substituir testes de cosméticos em animais
Publicado 19/12/2025 • 09:27 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/12/2025 • 09:27 | Atualizado há 2 meses
Modelo de pele humana desenvolvido no Brasil deve substituir testes de cosméticos em animais
Modelo de pele humana desenvolvido no Brasil deve substituir testes de cosméticos em animais
Um modelo de pele humana desenvolvido no Brasil pode se tornar uma alternativa aos testes de cosméticos em animais, proibidos por lei desde julho deste ano.
A tecnologia, baseada em bioimpressão 3D, está sendo desenvolvida por um laboratório da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em parceria com uma empresa brasileira de dermocosméticos, e promete mais precisão científica na avaliação de segurança e eficácia de produtos.
A iniciativa surge após a sanção da Lei nº 15.183, que veta testes de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal em animais. Com a nova regra, a indústria passou a buscar métodos alternativos capazes de atender às exigências regulatórias sem comprometer a confiabilidade dos ensaios.
O projeto é conduzido no Laboratório de Bioensaios de Segurança e Eficácia de Produtos Cosméticos (Labsec), da UFPR, sob coordenação da professora Daniela Maluf, em Curitiba. A pesquisa utiliza uma bioimpressora 3D para construir estruturas biológicas tridimensionais que reproduzem as camadas da pele humana.
A técnica emprega uma biotinta desenvolvida pelo próprio grupo de pesquisa, composta por células humanas vivas e biomateriais como colágeno, ácido hialurônico e fatores de crescimento. O objetivo é criar um tecido funcional capaz de reproduzir características fisiológicas da pele real.
Segundo Maluf, as células utilizadas no processo são obtidas a partir de pele humana descartada em cirurgias, com autorização dos pacientes. “Cultivamos essas células até que atinjam quantidade suficiente e, então, reconstruímos as camadas da pele por meio da bioimpressão tridimensional”, afirma.

O modelo está sendo desenvolvido para ensaios de permeação cutânea, que avaliam a capacidade de substâncias atravessarem as camadas da pele. De acordo com a pesquisadora, esse tipo de teste ainda não conta com um método oficial validado no Brasil.
“Para outros ensaios já existem alternativas reconhecidas pela Rede Nacional de Métodos Alternativos ao Uso de Animais. Para permeação, ainda há uma lacuna regulatória”, explica Maluf.
Mais de 100 formulações de biotinta foram testadas até que se chegasse a uma combinação capaz de garantir resistência estrutural e viabilidade celular. A etapa atual do projeto avalia a manutenção dessas células por períodos mais longos e a resposta do modelo à aplicação de cosméticos.
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O desenvolvimento do modelo ocorre por meio de uma parceria entre a UFPR, a Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar) e a empresa de dermocosméticos Creamy Skincare, responsável pelo financiamento do projeto.
Segundo o dermatologista Luiz Romancini, cofundador da Creamy, o modelo deve permitir testes mais precisos e éticos, além de acelerar o desenvolvimento de novos produtos. “Essa tecnologia pode reduzir custos, aumentar a segurança do consumidor e fortalecer a inovação no setor cosmético nacional”, afirma.
A previsão é que o modelo esteja pronto para uso em maio de 2026. Após a conclusão, a empresa avaliará a possibilidade de disponibilizá-lo para validação junto a órgãos reguladores, abrindo caminho para sua adoção em larga escala pela indústria.

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Além de substituir testes em animais, modelos de pele humana equivalente podem ser aplicados em pesquisas sobre cicatrização, tratamento de queimaduras e estudos clínicos. A bioimpressão 3D também vem sendo investigada para a produção de outros tecidos e órgãos, ampliando o potencial da biotecnologia no país.
Para os pesquisadores envolvidos, o avanço depende de investimento contínuo e da integração entre universidades e setor produtivo, num cenário em que ciência, ética e inovação caminham juntas.
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