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Buffett cumpre último dia como CEO da Berkshire e encerra era histórica

Publicado 01/01/2026 • 12:54 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Buffett encerra último dia como CEO da Berkshire Hathaway após seis décadas no comando
  • Buffett transfere decisões executivas a Greg Abel e permanece como chairman
  • Buffett deixa legado bilionário e mercado avalia impacto da sucessão na Berkshire
Warren Buffett fez críticas as políticas tarifárias de Trump.

Warren Buffett fez críticas as políticas tarifárias de Trump.

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O investidor Warren Buffett encerrou nesta quarta-feira (31) seu último dia como CEO da Berkshire Hathaway, marcando o fim de uma das trajetórias mais longevas e bem-sucedidas da história corporativa. Após seis décadas no comando, Buffett transfere a gestão executiva para Greg Abel, enquanto permanece como chairman do conselho.

Buffett transforma empresa têxtil em gigante global

Buffett assumiu o controle da Berkshire nos anos 1960, investimento que ele próprio já descreveu como o “mais estúpido” de sua carreira. A partir desse ponto, construiu um conglomerado avaliado em cerca de US$ 1 trilhão, apoiado no uso do “float” das seguradoras para financiar aquisições e investimentos de longo prazo.

A estratégia permitiu à Berkshire expandir-se para seguros, energia, ferrovias, indústria e serviços, além de manter participações relevantes em grandes empresas americanas. O processo também tornou Buffett um dos homens mais ricos do mundo, com patrimônio superior a US$ 150 bilhões.

Buffett seguirá como chairman, mas promete perfil discreto

Aos 95 anos, Buffett não se aposenta formalmente. Ele seguirá como presidente do conselho e continuará frequentando a sede da companhia em Omaha, no Nebraska. Ainda assim, já indicou que pretende “ficar mais quieto”, deixando as decisões do dia a dia sob responsabilidade exclusiva de Abel.

Ao anunciar a transição durante a assembleia anual de acionistas em maio, Buffett afirmou que ainda poderá contribuir em momentos específicos, especialmente em períodos de grandes oportunidades de investimento.

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Greg Abel assume comando após anos de preparação

Abel ocupa desde 2018 o cargo de vice-presidente responsável pelos negócios não relacionados a seguros. Ele ingressou na Berkshire em 2000, após a aquisição da MidAmerican Energy, onde era presidente.

Segundo analistas e acionistas históricos, Abel já vinha exercendo papel central na gestão das subsidiárias, ampliando a supervisão e o diálogo com executivos, em contraste com o modelo altamente descentralizado adotado por Buffett ao longo de décadas.

Mudanças graduais na cultura da Berkshire

A sucessão marca ajustes graduais na governança da Berkshire. Recentemente, a companhia criou uma nova camada de gestão para apoiar os CEOs de suas 32 subsidiárias de bens de consumo, serviços e varejo, preservando valores culturais, mas com maior coordenação.

Apesar disso, investidores não esperam uma ruptura abrupta. A avaliação predominante é que a disciplina financeira, a autonomia operacional e o foco no longo prazo seguirão como pilares da companhia.

Desempenho das ações no último ano de Buffett como CEO

No último ano de Buffett como CEO, as ações da Berkshire ficaram atrás do S&P 500. Os papéis classe A atingiram máxima histórica de US$ 809.350 antes do anúncio da sucessão e recuaram até US$ 692.600 em agosto.

Ao fim de 2025, as ações fecharam em US$ 754.800, com alta anual próxima de 11%. Já o S&P 500 avançou cerca de 16% no mesmo período, ampliando a diferença de desempenho entre o conglomerado e o mercado amplo.

O desafio após Buffett

Com o fim da era Buffett no comando executivo, investidores passam a acompanhar com mais atenção o futuro da alocação do caixa da Berkshire, que supera US$ 350 bilhões, além de decisões sobre dividendos e recompra de ações, temas historicamente evitados pelo investidor.

A transição encerra um ciclo singular no capitalismo moderno e inaugura um período em que a Berkshire precisará sustentar seu modelo sem a presença direta do investidor que definiu sua identidade por mais de meio século.

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