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Cinemas tentam barrar fusão de Netflix e Warner

Publicado 10/01/2026 • 12:32 | Atualizado há 24 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Imagem criada com IA

A reação imediata das redes de cinema norte-americanas contra a possível fusão entre Netflix e Warner Bros. Discovery revela a crescente tensão entre os modelos tradicionais de exibição e as plataformas de streaming. A tentativa de barrar a negociação sinaliza um receio direto do impacto que uma união entre dois gigantes do setor pode provocar na cadeia de distribuição audiovisual. A concentração de poder entre produtoras e distribuidoras digitais tende a enfraquecer ainda mais o circuito exibidor tradicional, que já enfrenta dificuldades desde a pandemia.

O lobby feito pelos donos de cinema junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos indica que, mais do que uma disputa comercial, há uma batalha jurídica e política em curso. O argumento principal das redes exibidoras é o risco de prejuízo à concorrência, especialmente se a nova empresa optar por manter lançamentos exclusivos em plataformas digitais, limitando ainda mais o conteúdo disponível para salas de cinema. O temor é de um novo monopólio midiático, que pode ditar regras de mercado com pouca margem para negociação.

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Essa preocupação não é infundada. A Netflix consolidou sua posição como referência global no setor de streaming, enquanto a Warner Bros. Discovery detém um dos maiores acervos de conteúdo do mundo, incluindo marcas como HBO, DC e Cartoon Network. A fusão ampliaria significativamente o poder de barganha da nova empresa, além de criar um concorrente direto para outras gigantes como Disney e Amazon. A verticalização do setor, do conteúdo à distribuição, tende a sufocar players menores, inclusive estúdios independentes e redes de cinema locais.

Outro ponto relevante é o impacto cultural de uma possível fusão. A padronização do conteúdo, voltado majoritariamente para algoritmos e maximização de engajamento em plataformas, pode reduzir a diversidade de narrativas e formatos no audiovisual. O cinema, enquanto espaço de fruição coletiva e curadoria artística, corre o risco de perder ainda mais espaço diante de um mercado moldado por métricas digitais. A fusão, nesse contexto, não é apenas uma questão econômica, mas também uma disputa sobre o futuro da experiência cinematográfica.

Do ponto de vista regulatório, o histórico recente dos Estados Unidos mostra um endurecimento no controle de fusões consideradas anticompetitivas. O caso da Warner com a Discovery já gerou debates em 2022, e novas uniões de grande porte têm sido analisadas com mais cautela pelas autoridades. A resistência das redes de cinema pode, portanto, encontrar respaldo legal, especialmente se conseguir comprovar que a fusão causaria danos concretos à concorrência e ao consumidor final.

Por fim, o movimento das redes de cinema pode ser visto como uma tentativa de sobrevivência num mercado cada vez mais concentrado. Embora o streaming tenha revolucionado o consumo de conteúdo, ainda existe um público fiel ao modelo tradicional de exibição, e a presença das salas de cinema continua relevante em termos culturais e simbólicos.

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