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A cartilha de Trump sobre Groenlândia, Venezuela e Irã para enfrentar a China
Publicado 14/01/2026 • 07:45 | Atualizado há 4 horas
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Publicado 14/01/2026 • 07:45 | Atualizado há 4 horas
KEY POINTS
Reuters
Trump e Xi se reúnem na Coreia do Sul, em encontro que pode redefinir as relações comerciais entre EUA e China.
Em apenas 10 dias, Donald Trump capturou o presidente da Venezuela, assustou líderes europeus ao falar em anexar a Groenlândia e impôs tarifas de 25% a qualquer país que negocie com o Irã. O fio condutor pode ser a determinação dos Estados Unidos de desafiar a China e sua dominância sobre minerais críticos.
Ao destituir o venezuelano Nicolás Maduro e assumir o controle da indústria de petróleo do país, os EUA podem limitar o acesso da China a recursos essenciais e a investimentos em mineração. Ao anexar a Groenlândia, poderiam manter rivais afastados de rotas comerciais emergentes e, potencialmente, da exploração de minerais. Ao impor tarifas a quem negocia com o Irã, em meio a protestos que ameaçam a sobrevivência do regime, os EUA podem penalizar tanto o país do Oriente Médio quanto a China, que compra seu petróleo.
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“A conexão aqui é a rivalidade entre EUA e China e, em menor medida, as fricções estratégicas entre EUA e Rússia”, disse Dan Alamariu, estrategista-chefe de geopolítica da Alpine Macro, à CNBC por e-mail.
“Os EUA simplesmente não querem que nem a China nem a Rússia — ou o Irã, nesse caso — operem a partir da Venezuela. Não querem influência econômica chinesa na Groenlândia, ao mesmo tempo em que buscam conter os avanços russos no Ártico. E querem enfraquecer Irã e Venezuela, que são amigáveis a Pequim e Moscou.”
Rússia e China têm sido atraídas pela Groenlândia devido ao aquecimento do Ártico, que está derretendo a camada de gelo e tornando os minerais críticos da ilha cada vez mais viáveis, afirmou Guy Kioni, CEO da Missang, consultoria, ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, em 12 de janeiro.
Como resultado, o interesse político e comercial no território dinamarquês autônomo aumentou nos últimos anos. Minerais críticos são necessários para tudo, de veículos elétricos à indústria aeroespacial e de defesa, enquanto novas rotas comerciais no Ártico também surgiram no que vem sendo chamado de Rota da Seda Polar.
Washington está determinada a negar esses “locais estratégicos” e recursos a seus rivais, acrescentou Alamariu.
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A China tem um quase monopólio sobre as terras raras. O país controla 60% da mineração mundial e mais de 90% da capacidade de processamento, segundo a Agência Internacional de Energia.
No momento, o país tem uma “vantagem inexplorada”, disse Kioni. “Sem energia, essa vantagem diminui”, afirmou, observando que a anexação da Groenlândia também daria aos EUA acesso a abundante energia verde e ajudaria o país a “equilibrar a China”.
Kioni acrescentou que as ações dos EUA contra dois países que fornecem petróleo à China — Venezuela e Irã — têm como objetivo restringir o suprimento de energia, e o processamento de terras raras é intensivo em energia.
O petróleo barato da Venezuela — do qual até 50 milhões de barris devem fluir para os EUA — pode, então, ajudar Washington a assegurar suas próprias capacidades de processamento.
Construir capacidade de processamento de terras raras é mais importante para os EUA do que minerá-las, disse Alamariu. “A Groenlândia é importante nesse contexto, mas não é decisiva.” Ele acrescentou: “Para ser uma grande potência, um país precisa ter energia barata.”
“Nenhuma das duas, Venezuela ou Irã, é grande produtora de terras raras, embora ambas sejam, obviamente, grandes produtoras de energia”, disse Alamariu, acrescentando que ambas têm indústrias de mineração “não insignificantes”.
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Trump está incentivando empresas dos EUA a retornarem à Venezuela e investirem US$ 100 bilhões no país. Empresas chinesas, muitas delas estatais, investiram US$ 4,8 bilhões no país sul-americano nas últimas duas décadas, segundo dados compilados pela consultoria americana Rhodium Group. Pequim também emprestou recursos a Caracas, o que significa que a intervenção dos EUA coloca esses investimentos em risco.
A China também investe pesadamente na África, rica em minerais. No entanto, a distância do continente em relação aos EUA e a presença chinesa já estabelecida podem impedir que a região se torne um alvo americano, segundo Kioni.
“A Groenlândia é completamente diferente. Ela está geograficamente próxima dos EUA, e é por isso que é importante para os Estados Unidos não apenas estabelecer parcerias, mas também ter controle sobre o território”, afirmou.
Os EUA criaram um marco para minerais críticos com a República Democrática do Congo em dezembro. Um acordo semelhante para a Groenlândia pode ser um resultado das conversas desta quarta-feira entre o secretário de Estado, Marco Rubio, e líderes dinamarqueses que representam a Groenlândia, disse Kioni.
Austrália e Malásia também assinaram acordos com os EUA sobre minerais críticos, mas aliados provavelmente acompanharão de perto os acontecimentos na Groenlândia.
Até agora, os mercados têm, em grande parte, ignorado as ameaças de uso de força militar. Fazer isso contra outro membro da Otan levaria aliados americanos a questionar os benefícios do alinhamento, inclusive países da Ásia, disse Alamariu.
“Qual é o benefício de um aliado que pede partes do seu território? Se isso fosse levado adiante, enfraqueceria severamente o poder global dos EUA, pois provavelmente levaria à perda de grandes aliados”, afirmou.
A ofensiva contra a Venezuela também teve como objetivo remover “potências não americanas do Hemisfério Ocidental”, disse Alamariu, assim como a agitação em torno da anexação da Groenlândia, embora isso seja “potencialmente muito mais arriscado e extremamente controverso”.
O Irã está mais distante, mas a China é seu principal parceiro comercial. A linha dura de Trump em relação ao Irã se deve em parte ao petróleo do Oriente Médio — “e a China importa uma parcela significativa de sua energia do Golfo Pérsico” —, mas também às capacidades nuclear e de mísseis do país, ao apoio a movimentos que os EUA designam como terroristas, à busca por hegemonia regional e à sua longa inimizade com os EUA, disse Alamariu.
“O fato de o Irã estar geopoliticamente mais próximo da Rússia e da China é outro motivo”, acrescentou.
Ele afirmou que a rivalidade entre EUA e China foi “o principal fio condutor” das ações de Trump, acrescentando que isso “está definindo cada vez mais o ambiente geopolítico e geoeconômico. Vivemos em um mundo bipolar emergente”.
No entanto, embora os EUA busquem conter ou contrabalançar a influência chinesa, não procuram um conflito direto com Pequim, disse Alamariu, acrescentando que uma distensão e cúpulas entre os presidentes Trump e Xi são amplamente esperadas para este ano.
Uma redução das tensões ainda é possível, acrescentou. No entanto, o anúncio de tarifas sobre parceiros comerciais do Irã pode forçar a China a escolher entre o acesso ao mercado americano e seu aliado, e “sabotar” as negociações políticas entre as duas superpotências.
Laura D. Taylor-Kale, ex-secretária assistente de Defesa para política da base industrial e atualmente pesquisadora sênior de Geoeconomia e Defesa no Council on Foreign Relations, disse que as tarifas podem ser uma forma de Washington reduzir a alavancagem chinesa em terras raras nas negociações comerciais.
“Não acho que o presidente goste de ver outros terem vantagem sobre ele nas negociações, e, portanto, o movimento para ser muito mais independente e ter tanto a mineração quanto a capacidade de processamento, seja doméstica ou com aliados e parceiros próximos, definitivamente faria parte disso”, disse ela ao “Squawk Box Europe”, da CNBC, em 13 de janeiro.
“Quanto tempo isso vai levar? Essa é outra questão”, acrescentou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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