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UE-Mercosul: Von der Leyen dá boas-vindas e Lula diz que não será só “exportador de commodities”
Publicado 16/01/2026 • 16:54 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 16/01/2026 • 16:54 | Atualizado há 3 horas
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AFP
Lula e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, durante pronunciamento no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, realizaram um pronunciamento conjunto no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (15).
O encontro é a conclusão definitiva das negociações do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, cuja assinatura oficial está programada para ocorrer neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai. A reunião marca o encerramento de um ciclo de negociações que se estendeu por mais de duas décadas.
Os líderes destacaram que o tratado cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, integrando mercados que somam 718 milhões de pessoas e um PIB combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões (cerca de R$ 120 trilhões, na cotação atual).
Lula enfatizou que a retomada das conversas com o bloco europeu foi um compromisso central desde o início de sua atual gestão. Ele relembrou o longo percurso diplomático percorrido pelos dois blocos para chegar ao consenso atual: “Restaurar a parceria com a União Europeia em novas bases foi uma prioridade desde o início do meu terceiro mandato. Foram mais de 25 anos de sofrimento e tentativa de um acordo”.
Para o presidente, o processo de negociação foi conduzido de modo a proteger os interesses nacionais de desenvolvimento. Ele destacou que a parceria deve servir como um motor para a economia brasileira sem abdicar da soberania industrial. “Deixei claro que esse processo deveria ser compatível com os objetivos de promoção do crescimento econômico e de reindustrialização do Brasil”, pontuou.
Ursula von der Leyen, por sua vez, classificou a conclusão como um feito geracional, destacando a importância da vontade política para superar os impasses. “Por mais de duas décadas, inúmeros negociadores e seus líderes trabalharam nesse acordo com o Mercosul, que levou 25 anos para ser concluído, e é a conquista de uma geração inteira”, declarou a líder europeia.
A líder da Comissão Europeia fez questão de elogiar a condução brasileira na reta final das tratativas. “A liderança política, compromisso pessoal e paixão que o senhor mostrou nas últimas semanas são realmente enormes e, com isso, muito obrigada pelo seu direcionamento habilidoso”, agradeceu Von der Leyen durante o pronunciamento.
O acordo visa transformar o Brasil em um exportador de produtos com maior valor agregado, rompendo com a dependência histórica de matérias-primas básicas. Lula defendeu que a abertura comercial deve vir acompanhada de inovação tecnológica. “Já somos grandes provedores de produtos agropecuários para a União Europeia, mas não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado”, explicou o presidente.
O tratado também prevê mecanismos para atrair capital estrangeiro e fomentar novas frentes de produção ligadas ao futuro tecnológico. De acordo com o presidente, o texto protege a capacidade de atuação do governo em setores vitais. “Estamos ampliando oportunidades comerciais e de investimentos sem comprometer o papel do Estado em áreas como saúde, desenvolvimento industrial, inovação e agricultura familiar”, afirmou.
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Para o bloco europeu, o comércio internacional é visto como uma ferramenta de prosperidade mútua, onde ambos os lados ganham com a integração. Ursula von der Leyen reforçou que o pacto envia um sinal claro de abertura ao mercado global. “O acordo União Europeia e Mercosul tem uma mensagem forte que diz, sejam bem-vindos ao maior mercado do mundo e a maior área de livre comércio do mundo”, disse.
A líder europeia destacou que a cooperação empresarial será baseada na confiança e no trabalho em equipe. “Nós concordamos que o comércio internacional não é um jogo de soma zero, pois a gente realmente concorda que todo mundo deve se dar as oportunidades para o setor empresarial dos dois lados”, completou.
O respeito a tratados internacionais e a preservação ambiental foram pilares fundamentais reafirmados no Itamaraty. Lula garantiu que o Brasil cumprirá suas metas climáticas e sociais dentro do novo quadro comercial. “Contemplamos compromissos com o meio ambiente e o enfrentamento à mudança do clima, com os direitos dos povos indígenas, com os direitos dos trabalhadores e com a igualdade de gênero”, listou o presidente brasileiro.
O governo brasileiro defende que o comércio só é válido se gerar benefícios sociais tangíveis e reduzir as brechas econômicas. “A liberalização e a abertura comerciais só fazem sentido se forem capazes de promover o desenvolvimento sustentável e reduzir as desigualdades”, defendeu. Ele reiterou que a parceria é fundamentada no pleno respeito às Nações Unidas e à Organização Mundial do Comércio.
Von der Leyen também vinculou a parceria aos valores democráticos e ao Estado de Direito, elementos que aproximam as duas regiões. “O senhor é um líder realmente comprometido com os valores que são muito importantes para nós, a democracia é uma ordem internacional com base em regras e respeito, respeito ao nosso planeta, respeito às comunidades”, disse ela.
A presidente da Comissão Europeia enfatizou que a Europa manterá os mais altos padrões de transparência em suas operações no bloco sul-americano. “Vamos sempre garantir que as comunidades locais sejam os principais beneficiários dos valores criados e com isso todos se beneficiam e aí sim é uma situação onde todos ganham”, garantiu.
Um dos novos focos da parceria estratégica é o setor de minerais críticos, essenciais para as tecnologias de baixo carbono. Ursula von der Leyen revelou a existência de um acordo político específico para o setor. “Mercosul e a União Europeia também estão chegando num acordo político para matéria-prima, com isso vai levar a projetos de investimento em conjunto em lítio, níquel e também terras raras”, anunciou.
Essa cooperação visa garantir a autonomia tecnológica dos blocos em um cenário de disputas geopolíticas por recursos naturais. “Isso é realmente importantíssimo para a transição limpa, como também digital e também nos leva à independência num mundo onde os minerais terminam virando um instrumento de coerção”, explicou a líder da União Europeia.
O presidente complementou que a parceria contemplará cadeias de valor estratégicas para o futuro do trabalho e da energia. O objetivo é que o investimento europeu ajude na descarbonização da economia brasileira. “Nossa parceria vai contemplar as cadeias de valores estratégicas para a transição energética e transição digital. Este acordo de parceria vai além da dimensão econômica”, afirmou.
A integração das cadeias de abastecimento é vista como a criação de “verdadeiras rodovias” para o investimento direto. Von der Leyen acredita que o acesso mútuo a mercados estratégicos com regras claras e previsíveis será o diferencial deste acordo para as próximas décadas.
Além da União Europeia, o chefe do Executivo destacou que o Mercosul tem buscado uma inserção global agressiva, concluindo acordos com o EFTA e com Singapura. O presidente listou as próximas metas da diplomacia comercial brasileira. “Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e para construir novas parcerias no mundo todo, em particular com o Canadá, México, Vietnã, Japão e China”, revelou.
Ele também mencionou sua agenda internacional imediata, que inclui uma visita ao Panamá no final deste mês de janeiro para um fórum econômico. Para ele, o sucesso com a Europa fortalece a posição do Brasil em outras mesas de negociação. “O acordo que será assinado amanhã é bom para o Brasil, para o Mercosul, para a Europa e sobretudo para o mundo democrático e para o multilateralismo”.
A implementação do acordo agora seguirá para os trâmites legislativos. No Brasil, o texto precisa ser submetido e aprovado pelo Congresso Nacional, processo que se repetirá nos demais países do Mercosul. Na Europa, a legislação simplificada exige apenas o aval do Parlamento Europeu para a parte comercial do tratado.
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