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Protestos no Irã já deixaram ao menos 5 mil mortos, diz funcionário do regime

Publicado 18/01/2026 • 15:45 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Um balanço do grupo de direitos humanos Hrana estimou que o número de mortos poderia chegar a 3.308, com outros 4.382 casos ainda sob análise.
  • As manifestações começaram no fim de dezembro, com uma greve convocada pelos comerciantes do Grã-Bazar de Teerã.
  • A insatisfação deriva da alta de preços, consequência da sanções do governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, ao programa nuclear persa.

Os protestos no Irã, que acontecem desde o final de dezembro do ano passado, já deixaram ao menos 5 mil mortos, informou um funcionário do regime do país à agência de notícias Reuters. Os confrontos mais intensos, realizados em áreas curdas do país asiático, foram os mais violentos, de acordo com o funcionário, que não quis se identificar. Dos 5 mil mortos, cerca de 500 seriam agentes de segurança.

Um balanço do grupo de direitos humanos Hrana estimou que o número de mortos poderia chegar a 3.308, com outros 4.382 casos ainda sob análise. Desde o início das manifestações, 24 mil prisões teriam sido feitas. Neste sábado (17) o aiatolá Ali Khamenei afirmou que é preciso punir a “espinha dorsal” dos protestos, indicando que iranianos que estivessem contra o regime e ativos na mobilização seriam condenados.

“Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos”, disse Khamenei a apoiadores em discurso transmitido pela televisão estatal iraniana. “Pela graça de Deus a nação iraniana deve quebrar a espinha dorsal dos revoltosos, assim como quebrou a espinha da revolta”, afirmou.

O ritmo dos protestos diminuiu nos últimos dias, com apenas uma manifestação registrada pela HRANA na quinta-feira. Ao todo, desde 28 de dezembro, foram contabilizados 618 atos em 187 cidades.

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As manifestações começaram no fim de dezembro, com uma greve convocada pelos comerciantes do Grã-Bazar de Teerã. A insatisfação deriva da alta de preços, consequência da sanções do governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, ao programa nuclear persa.

Historicamente, o bazar é um dos principais atores políticos do Irã. Quando seus lojistas estão descontentes, essa raiva costuma se espalhar. Foi assim em 1979, quando o aiatolá Khomeini derrubou o governo do xá Reza Pahlevi e instaurou a revolução islâmica, como descreve o colunista Luiz Raatz.

A onda de protestos – que se espalhou de Teerã para outras cidades importantes – fez Trump insinuar a possibilidade de operação militar no país. O republicano também impôs uma tarifa de 25% a países que fazem comércio com os aiatolás.

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