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China mantém juros de empréstimos apesar de desaceleração econômica

Publicado 19/01/2026 • 22:52 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Banco Popular da China manteve as taxas preferenciais de empréstimo de 1 ano em 3% e de 5 anos em 3,5% pelo oitavo mês seguido, mesmo com desaceleração da economia.
  • PIB chinês cresceu 4,5% no quarto trimestre de 2025, o ritmo mais fraco desde o fim de 2022, com consumo enfraquecido e 11º trimestre consecutivo de deflação.
  • Autoridades priorizam estímulos direcionados e sinalizam espaço para novos cortes de juros e compulsório, enquanto crédito e investimento seguem em queda.

Unsplash.

Bandeira da China

O Banco Popular da China manteve inalteradas as principais taxas de referência para empréstimos nesta terça-feira (20), mesmo diante da desaceleração da atividade econômica e de sinais persistentes de fraqueza na demanda interna. A decisão reforça a estratégia das autoridades chinesas de priorizar estímulos direcionados a setores específicos, em vez de adotar um afrouxamento monetário amplo.

A autoridade monetária manteve a taxa preferencial de empréstimo (LPR) de um ano em 3% e a de cinco anos em 3,5%, marcando o oitavo mês consecutivo sem mudanças. A taxa de um ano serve de referência para a maioria dos novos empréstimos e contratos em aberto, enquanto a de cinco anos impacta diretamente o mercado de financiamentos imobiliários.

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A manutenção ocorre em um momento de perda de fôlego da segunda maior economia do mundo. No quarto trimestre de 2025, o PIB da China cresceu 4,5% na comparação anual, o ritmo mais fraco desde o fim de 2022, quando o país iniciou a reabertura após as restrições mais severas da pandemia.

Segundo a diretora de pesquisa macroeconômica do Maybank, Erica Tay, em termos nominais, o crescimento do PIB foi de 3,8% no período, o que indica que a pressão deflacionária começa a dar sinais de alívio. Ainda assim, o deflator do PIB ficou em -0,9% no trimestre, marcando o 11º trimestre consecutivo de deflação na economia chinesa.

Os indicadores de consumo seguem fracos. As vendas no varejo cresceram apenas 0,9% em dezembro, o menor ritmo em três anos, refletindo a perda de confiança das famílias diante da crise prolongada no setor imobiliário, do mercado de trabalho enfraquecido e da deflação persistente.

Em relatório divulgado nesta semana, economistas do Nomura afirmaram que “Pequim está cada vez mais preocupada com uma das piores quedas na demanda interna deste século”, reforçando a percepção de que o estímulo econômico poderá precisar ser intensificado ao longo de 2026.

Apesar de manter as taxas básicas inalteradas, o banco central vem adotando medidas pontuais. Na semana passada, reduziu em 0,25 ponto percentual as taxas de suas ferramentas estruturais de política monetária, o que levou as tarifas algumas linhas de refinanciamento de um ano para 1,25%. A instituição também sinalizou a criação de um programa específico de crédito para empresas privadas e o aumento das cotas de financiamento voltadas à inovação tecnológica e a pequenas e médias empresas.

O vice-governador do Banco Popular da China, Zou Lan, afirmou recentemente que “ainda há espaço” para novos cortes tanto no compulsório quanto nas taxas de juros ao longo deste ano. Economistas do Goldman Sachs projetam uma redução de 0,5 ponto percentual no depósito compulsório e de 0,1 ponto percentual na taxa básica já no primeiro trimestre.

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Os dados de crédito reforçam o quadro de demanda enfraquecida. Em 2025, os novos empréstimos bancários somaram 16,27 trilhões de yuans (US$ 2,33 trilhões), queda em relação ao ano anterior. O investimento em ativos fixos nas áreas urbanas recuou 3,8% no ano, a primeira contração anual em décadas, pressionado pelo aprofundamento da crise imobiliária e pelas restrições impostas por Pequim ao endividamento de governos locais e ao excesso de capacidade em alguns setores.

O cenário mantém o mercado atento à possibilidade de novas medidas de estímulo, em um momento em que a China tenta equilibrar apoio ao crescimento com a preservação da estabilidade financeira.

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