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Quem é Alexandre Baldy, ex-ministro à frente da BYD no Brasil, empresa beneficiada por isenção fiscal e responsável pela obra que gera denúncias

Publicado 20/01/2026 • 11:21 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Alexandre Baldy é o principal executivo da BYD no Brasil e figura central na expansão da montadora chinesa no país.
  • O crescimento da BYD foi impulsionado por regime tributário especial e investimentos bilionários na antiga fábrica da Ford na Bahia.

Industrial, ex-deputado federal por Goiás e ex-ministro das Cidades, Alexandre Baldy de Sant’Anna Braga, 45, é hoje o principal rosto da expansão da montadora chinesa BYD no Brasil.

Ao mesmo tempo em que circula em eventos oficiais ao lado do presidente Lula e de governadores para anunciar investimentos bilionários em carros elétricos, ele é o executivo que responde por crises trabalhistas envolvendo o complexo industrial da BYD em Camaçari, na Bahia. Entre elas estão o resgate de trabalhadores chineses em condições análogas à escravidão e, mais recentemente, uma manifestação de operários de empresas terceirizadas que atuam na obra do complexo sobre falta de higiene, banheiros precários e atrasos salariais.

Quem é Alexandre Baldy

Nascido em Goiânia, em 21 de julho de 1980, Baldy é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Ainda jovem, aos 19 anos, ele fundou a Allbox Embalagens, empresa instalada no Distrito Agroindustrial de Anápolis, voltada à produção de embalagens para o setor farmacêutico, especialmente medicamentos genéricos. A Allbox cresceu e se tornou uma das maiores do segmento no país.

Em 2023, Baldy anunciou a venda da Allbox Embalagens para a multinacional All4Labels. Depois, seguiu no ramo como acionista e conselheiro da Involv Rótulos, empresa ligada ao grupo.

Vida pública

Baldy ingressou formalmente na política em 2010, quando se filiou ao PSDB em Goiás. Em 2011, assumiu o primeiro cargo no Executivo estadual, como secretário de Indústria e Comércio no governo de Marconi Perillo, posição que ocupou até 2013.

Em 2014, foi eleito deputado federal por Goiás. Na Câmara, participou de comissões importantes, como Finanças e Tributação, Segurança Pública e Reforma Trabalhista, e chegou a liderar blocos partidários, passando por siglas como PSDB, PTN/PODE e Progressistas (PP).

Em novembro de 2017, foi nomeado ministro das Cidades do governo Michel Temer, cargo que ocupou até o início de 2019. No mesmo ano, já filiado ao PP, assumiu a Secretaria de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo no governo João Doria, sendo responsável por projetos de metrô, trens e monotrilhos na Região Metropolitana.

Baldy tentou uma vaga no Senado em 2022, mas não se elegeu. Em abril de 2023, foi empossado presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), ligada ao governo Ronaldo Caiado. Documentos oficiais da entidade mostram que ele continua à frente da autarquia, com mandato até 2027.

Chegada à BYD

O vínculo de Baldy com a BYD nasce justamente dessa experiência política. Em 2019, como secretário de Transportes em São Paulo, ele integrou missões oficiais à China para atrair investimentos e negociar projetos de mobilidade, entre eles o monotrilho SkyRail, da própria BYD, para a Região Metropolitana de Salvador.

Após deixar o governo Doria, Baldy recebeu o convite para se tornar special adviser (conselheiro especial) da BYD no Brasil, função assumida em janeiro de 2023. Desde então, a posição evoluiu. LinkedIn e comunicados oficiais da BYD o apresentam hoje como “vice-presidente sênior da BYD do Brasil e Head BYD Auto Brasil”. Ou seja, na prática, ele é o principal executivo da operação automotiva da marca no país.

Em entrevistas, Baldy costuma dizer que sua missão é ajudar a empresa a “errar menos” no Brasil e transformá-la em uma das três maiores montadoras do mercado nacional em poucos anos.

Crescimento da BYD com regime tributário no Brasil

O avanço acelerado da BYD no Brasil foi viabilizado, em grande medida, por um regime tributário excepcional. A montadora foi uma das principais beneficiadas pela isenção do imposto de importação para veículos eletrificados desmontados, nos modelos CKD (completely knocked down) e SKD (semi knocked down), mecanismo que permitiu a entrada de veículos quase prontos no país com alíquota zero ou reduzida, sem a exigência de uma cadeia produtiva local efetivamente instalada.

Na prática, o regime funcionou como um atalho regulatório: os carros chegam desmontados, são apenas montados em território nacional e passam a ser contabilizados como produção local, mesmo sem transferência relevante de tecnologia, nacionalização de componentes ou geração proporcional de empregos industriais. O modelo foi duramente criticado por fabricantes já estabelecidos no país, que operam sob o regime automotivo tradicional, com investimentos de longo prazo, fornecedores locais e maior carga tributária.

Antes de ingressar no mercado de automóveis de passeio, a BYD já operava no Brasil com fábricas de ônibus elétricos em Campinas (SP) e de baterias em Manaus (AM), mas o grande salto veio com o anúncio da compra do antigo complexo da Ford em Camaçari, na Bahia, e a instalação da primeira fábrica de carros da marca no país.

Inicialmente, o investimento previsto era de R$ 3 bilhões, mas, em março de 2024, o valor saltou para R$ 5,5 bilhões, segundo o governo da Bahia e a própria montadora.

O complexo, inaugurado oficialmente em outubro de 2025, é apresentado pelo governo federal como a maior fábrica de veículos elétricos da América Latina, com capacidade inicial de 150 mil carros por ano, podendo chegar a 300 mil e, em fases posteriores, a 600 mil unidades anuais. A meta anunciada é gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos quando o projeto estiver consolidado.

É nesse cenário de expansão que o nome de Baldy passa a ser associado ao maior escândalo trabalhista recente envolvendo investimentos chineses no Brasil.

Leia também: EXCLUSIVO: Falta de higiene e estrutura sanitária. Um ano após escândalo de trabalho escravo, funcionários fazem manifestações em fábrica da BYD na Bahia

BYD e o trabalho análogo à escravidão

Em dezembro de 2024, uma força-tarefa com auditores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União, Ministério Público Federal e a Polícia Federal realizou inspeções surpresa nos alojamentos e no canteiro de obras da fábrica da BYD em Camaçari. As autoridades resgataram 163 trabalhadores chineses, posteriormente reconhecidos como 220 vítimas, em condições classificadas como “degradantes” e “análogas à escravidão”.

Relatórios oficiais e reportagens internacionais, como a da CNBC internacional, descreveram quartos superlotados, camas sem colchões, poucos banheiros, retenção de passaportes, jornadas exaustivas e restrição de circulação fora dos alojamentos. As autoridades passaram a tratar o caso também como tráfico internacional de pessoas.

Em maio de 2025, o MPT ajuizou uma ação civil pública contra a BYD Auto do Brasil e duas empreiteiras responsáveis pela mão de obra chinesa, pedindo R$ 257 milhões em indenizações por danos morais individuais e coletivos, além de medidas para impedir a repetição das violações.

Em junho de 2025, o MTE concluiu processo administrativo e apontou que, embora os trabalhadores estivessem formalmente contratados pela empreiteira JinJiang Construction, a relação de emprego era, na prática, com a própria BYD, que teria submetido parte do grupo a condições análogas à escravidão. Mais de 60 autos de infração foram lavrados contra a montadora.

Como principal executivo da marca no país, Baldy tornou-se porta-voz da BYD na crise. Em entrevistas à imprensa estrangeira, ele afirmou que a empresa só tomou conhecimento das irregularidades após as primeiras reportagens brasileiras sobre as condições dos chineses, no fim de novembro de 2024, e que, a partir daí, cobrou explicações da JinJiang.

Segundo ele e outros executivos, a BYD decidiu rescindir o contrato com a empreiteira, transferir os trabalhadores para hotéis da região e reforçar a supervisão sobre alojamentos e condições de trabalho. Em notas públicas, a empresa sustenta que cumpre a legislação brasileira, diz repudiar qualquer forma de trabalho escravo e afirma tratar o episódio como consequência de falhas de uma contratada, não de sua política corporativa.

Ao mesmo tempo, a companhia declarou que pretende contestar administrativamente as autuações do MTE e judicialmente as acusações do MPT.

Leia também: Anfavea alerta: renovação de isenção que beneficia BYD pode gerar perda de R$ 103 bi para o setor automotivo

Denúncias

Um ano depois do resgate dos chineses, o canteiro de obras de Camaçari voltou ao noticiário. Trabalhadores terceirizados realizaram manifestações e paralisações no início do mês de dezembro. Entre as reclamações, estão as de que o cotidiano ainda seria marcado por falta de higiene e estrutura sanitária, água quente nos bebedouros, refeitórios lotados, atrasos salariais e necessidade de gastos elevados com transporte até a fábrica. Operários também descreveram problemas estruturais nos dormitórios, filas longas para alimentação e falhas em equipamentos de proteção individual.

Essa paralisação organizada por esses trabalhadores levou à apresentação de uma carta de reivindicações de 11 itens, incluindo adicional de insalubridade, aumento de vale-transporte e alimentação, instalação de vestiários de alvenaria e mais ônibus internos.

A BYD nega que o canteiro opere em condições precárias. A montadora rechaçou declarações de que haveria falta de estrutura sanitária e afirmou que, antes mesmo das manifestações, já havia 230 banheiros instalados para atender aos empregados e prestadores de serviço. A empresa diz também que parte das demandas já foi atendida e que os protestos seriam liderados por um movimento político sem legitimidade sindical.

Baldy e a Lava Jato

Antes de se tornar executivo da BYD, Baldy enfrentou desgaste público por investigações na esfera penal. Em agosto de 2020, quando era secretário de Estado do governo de João Doria em São Paulo, ele chegou a ser preso preventivamente em desdobramento da Operação Lava Jato (Operação Dardanários), acusado pelo Ministério Público Federal de participar de um esquema de pagamento de propina ligado a contratos de saúde em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Foi solto por decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que considerou a prisão desnecessária. Depois, a Segunda Turma do STF determinou o envio do caso à Justiça Eleitoral, e parte das provas foi anulada.

Em 2024, decisões apontam para o esvaziamento do processo, com pedidos de arquivamento por falta de elementos suficientes para uma acusação eleitoral consistente. Até o momento, Baldy não foi condenado e nega ter cometido irregularidades.

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