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Raphael Coraccini

Mais valorizado que prata e ouro: veja quem está superando a alta do preço dos metais

Publicado 21/01/2026 • 07:20 | Atualizado há 7 horas

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Raphael Coraccini

Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.

Lingotes de prata e ouro

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Alta de quase 200% em 12 meses. Esse resultado espetacular é o dos contratos futuros da prata, que atingem o maior patamar nominal de sua história nesta segunda-feira (19), a 95 dólares a onça. O ouro também renova seus ganhos: valorização de 70% em 12 meses e patamar recorde de 4.678 dólares.

Mas analistas do mercado apontam quem, em muitos casos, está rendendo mais do que esses metais. São as empresas que produzem as commodities metálicas. A Aura (AURA33), por exemplo, subiu 340% em 12 meses.

Os BDRs da Aura se beneficiam principalmente dos ganhos do ouro, mas também da prata e do cobre - metais produzidos em menor quantidade durante a exploração aurífera. A empresa também surfou a onda de valorização do real frente ao dólar.

A mineradora canadense tem o brasileiro Rodrigo Barbosa no comando, e boa parte de suas minas está localizada no Brasil. A companhia viu seu custo de extração cair ao mesmo tempo em que o preço do ouro disparou, o que ampliou suas margens de lucro.

A empresa tem se beneficiado da valorização dos metais em ritmo superior ao de outras mineradoras maiores, como a Newmont Mining, que avançou 130% no mesmo período.

A disparada da prata

Para Leonardo Netto, private banker da Guardian Capital, o que está acontecendo com a prata não se explica apenas pelos fundamentos do metal, mas também por uma mecânica específica de mercado.

“Quando as corretoras aumentam as chamadas ‘margens’, elas estão basicamente exigindo mais dinheiro como garantia de quem está operando alavancado (ou seja, com mais dinheiro do que tem depositado na corretora)”, explica.

Assim, quando a margem sobe, todos os investidores que estavam vendidos - apostando na queda - precisam aportar mais recursos para se adequar às novas exigências ou fechar a posição, o que significa recomprar o ativo que haviam vendido. “Essa compra forçada empurra o preço ainda mais para cima, criando um efeito em cadeia chamado ‘short squeeze’: quanto mais o preço sobe, mais gente é forçada a comprar, e o movimento se acelera”, acrescenta Netto.

Metais x moedas

Alguns analistas apontam que há uma desvalorização gradual de algumas das principais moedas do mundo. Em 2025, o dólar caiu no cenário global, especialmente na comparação com os metais preciosos.

Mas não se trata apenas do dólar. A principal valorização da prata ocorreu na relação com o iene, a moeda japonesa. O Japão enfrenta há algum tempo um problema fiscal, com uma das maiores dívidas públicas do mundo.

O endividamento crescente da França também levanta dúvidas sobre a saúde do euro.

Em paralelo, há a já comentada migração das reservas chinesas do dólar e dos Treasuries para outros ativos, com destaque para as estrelas do momento: ouro e prata.

O varejo e a faca de dois gumes

O preço do ouro e da prata também ajudou a impulsionar as ações da Vivara (VIVA3) na bolsa brasileira: alta de mais de 40% em um ano. Ainda assim, a situação da companhia merece uma análise mais cuidadosa.

A empresa fez compras robustas de ouro e prata em 2025, antecipando a valorização dos metais nos meses seguintes. Acertou em cheio, mas há riscos no horizonte.

A companhia precisa que a demanda no varejo se mantenha elevada para conseguir ampliar as vendas e realizar os lucros.

Por enquanto, o que a Vivara possui é um estoque que disparou de preço nos últimos meses. Agora, precisa transformar esse ouro e essa prata em caixa. O arrefecimento da economia local e da renda do brasileiro, em especial em 2026, pode ser um entrave.

A aposta em relação à empresa segue positiva. “Um dos grandes diferenciais estratégicos da Vivara foi ter comprado e formado estoque de ouro quando o preço ainda estava bem mais baixo. Isso hoje gera três efeitos muito importantes: proteção de margem, vantagem competitiva e menor volatilidade nos resultados, já que funciona como um ‘hedge operacional’, trazendo mais previsibilidade ao lucro”, avalia Netto.

Ele pondera que, no curto prazo, a ação passa por uma correção técnica, após ter subido mais de 40% nos últimos 12 meses.

O Citi Bank divulgou relatório e manteve a Vivara como uma de suas principais ações para compra, destacando a resiliência do crescimento do setor de joias nos últimos cinco anos, a descorrelação com o PIB brasileiro - que deve desacelerar em 2026 - e perspectivas positivas para o retorno sobre o capital próprio. O banco recomenda compra e prevê ações valendo R$ 38. Atualmente, os papéis estão na casa dos R$ 27.

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