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Executivos estão adoecendo? O preço oculto da pressão nas empresas
Publicado 12/03/2026 • 13:57 | Atualizado há 7 meses
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Publicado 12/03/2026 • 13:57 | Atualizado há 7 meses
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Nos últimos anos, as empresas passaram a discutir saúde mental com mais seriedade. Programas de bem-estar, semanas de mindfulness e iniciativas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional tornaram-se parte do discurso corporativo. No entanto, existe um paradoxo silencioso nas organizações: enquanto se fala sobre cuidar da saúde dos colaboradores, raramente se discute a saúde dos próprios líderes.
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Os números mostram que há motivo para preocupação. Pesquisas globais indicam que cerca de 40% dos executivos já consideraram deixar suas posições devido ao estresse, ao esgotamento e à pressão constante por resultados. A liderança moderna opera em um ambiente de decisões complexas, ciclos econômicos voláteis e expectativas crescentes de performance. Uma combinação que cria um nível de pressão muitas vezes invisível, mas biologicamente real.
Alta performance sustentada tem um custo fisiológico quando não é acompanhada de equilíbrio. Níveis cronicamente elevados de cortisol, distúrbios do sono, ansiedade persistente e aumento do risco de doenças cardiovasculares são cada vez mais relatados entre executivos. Quando o organismo permanece em estado constante de alerta, a capacidade cognitiva começa a ser afetada: a clareza mental diminui, o raciocínio estratégico se estreita e as decisões passam a ser tomadas sob a influência do estresse, exatamente o oposto do que se espera de uma liderança de alto nível.
Esse cenário revela uma mudança importante na forma como entendemos a liderança. Durante décadas, o modelo dominante foi o do executivo resiliente ao extremo, capaz de suportar jornadas intensas e pressão constante sem demonstrar fragilidade. Hoje, a ciência organizacional e a neurociência mostram que esse modelo não é apenas insustentável, mas também é ineficiente.
Por isso, a coerência na liderança tem se tornado um fator cada vez mais determinante para a qualidade das decisões nas organizações. Coerência significa alinhamento entre propósito, valores, decisões e comportamento. Quando esse alinhamento existe, líderes conseguem sustentar clareza mental e discernimento, mesmo em ambientes de alta pressão. Quando não existe, o desgaste emocional aumenta, as decisões se tornam mais reativas e a organização perde a capacidade de pensar estrategicamente.
Mas talvez exista uma pergunta ainda mais importante: será que o problema está apenas nos indivíduos – ou no próprio sistema organizacional que estamos criando?
Em muitas empresas, estruturas de incentivo, metas de curto prazo, culturas de urgência permanente e ambientes de baixa segurança psicológica acabam produzindo um estado coletivo de estresse crônico. Dessa forma, líderes e equipes passam a operar em modo de sobrevivência, e não em modo de criação.
Cada vez mais pesquisas e práticas de governança apontam para a importância da inteligência emocional, da coerência entre propósito e decisão e da construção de ambientes psicologicamente seguros dentro das organizações. Esses elementos não são apenas conceitos de cultura corporativa; eles têm impacto direto na saúde do líder e na qualidade da gestão.
Mas essa transformação não pode depender apenas do esforço individual. Empresas que desejam proteger a saúde de seus líderes e colaboradores precisam revisar alguns pilares de sua forma de operar: equilibrar resultados de curto prazo com sustentabilidade de longo prazo, promover culturas organizacionais com segurança psicológica e desenvolver modelos de liderança baseados em propósito e coerência. Quando esses elementos estão presentes, o impacto vai além do indivíduo. Líderes emocionalmente equilibrados tendem a criar organizações mais saudáveis, onde a inovação, a colaboração e o pensamento crítico florescem.
Estamos começando a perceber que a saúde da liderança não é apenas uma questão pessoal; ela é uma variável estratégica do próprio sistema organizacional.
Talvez o maior sinal de maturidade de uma organização seja entender que prosperidade não é apenas resultado financeiro. É consequência de sistemas humanos equilibrados, em que quem toma as decisões mais importantes também possui clareza, saúde e consciência para fazê-las.
Porque, no final, empresas são sistemas humanos. E, quando o sistema está doente, não adianta exigir mais força das pessoas que o sustentam. É preciso transformar o próprio sistema.
Lara Bezerra é administradora de empresas pela FGV, especialista em liderança organizacional pela London Business School, especialista em liderança coerente e fundadora da WorkCoherence.
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