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Auditorias falharam? O risco oculto por trás da produção da Labubu entra no radar do mercado

Publicado 22/01/2026 • 09:20 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Relatórios apontam falhas graves em unidades de fabricantes terceirizados responsáveis pela produção da boneca Labubu.
  • Ao todo, cerca de 4.500 trabalhadores teriam sido afetados por contratos incompletos, excesso de horas extras e uso intensivo de mão de obra temporária.
  • Instituições financeiras já vinculam taxas de juros a métricas ESG verificáveis, o que pode elevar o custo de capital em caso de rebaixamento das classificações.
Três bonecos Labubus

Foto: instagram/labubu

Auditorias falharam? O risco oculto por trás da produção da Labubu entra no radar do mercado

Quando denúncias trabalhistas vieram à tona em janeiro de 2026, envolvendo fábricas terceirizadas no sul da China, investidores globais passaram a questionar como, onde e por que os controles da Pop Mart, fabricantes da Labubu, não identificaram irregularidades que agora ameaçam bilhões em valor de mercado.

Publicadas em meados de janeiro, as denúncias sobre violações trabalhistas em fornecedores da Pop Mart acenderam um sinal de alerta no mercado financeiro internacional.

Relatórios apontam falhas graves em unidades de fabricantes terceirizados responsáveis pela produção da boneca Labubu, principal ativo da companhia chinesa de brinquedos colecionáveis.

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Ao todo, cerca de 4.500 trabalhadores teriam sido afetados por contratos incompletos, excesso de horas extras e uso intensivo de mão de obra temporária, segundo informações do Money Markets Strategy.

O caso ganhou repercussão porque expôs um elo frágil na cadeia de suprimentos de uma empresa avaliada em cerca de US$ 45 bilhões e presente em portfólios de grandes investidores institucionais.

Onde as auditorias não chegaram?

No centro da crise está a eficácia das auditorias independentes contratadas para avaliar padrões trabalhistas nos fornecedores.

Inspeções periódicas não teriam identificado práticas como contratos assinados em branco, jornadas acima dos limites legais e ausência de benefícios obrigatórios. Em algumas unidades, o processo de contratação duraria poucos minutos, sem espaço para leitura ou esclarecimento das condições de trabalho.

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Especialistas em governança corporativa observam que auditorias padronizadas, focadas em checklists formais, tendem a falhar em ambientes com terceirização intensa e alta rotatividade de funcionários. O resultado é um risco oculto que só emerge quando denúncias externas ganham força.

Impacto direto na governança e no caixa

A exposição não é apenas reputacional, para diretores financeiros e conselhos de administração, o episódio amplia a responsabilidade fiduciária.

Normas internacionais de divulgação exigem maior transparência sobre práticas de fornecedores indiretos, e inconsistências podem ser interpretadas como informações enganosas ao mercado.

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O custo potencial inclui aumento nas despesas de conformidade, necessidade de auditorias forenses mais profundas e risco de restrição de crédito. Instituições financeiras já vinculam taxas de juros a métricas ESG verificáveis, o que pode elevar o custo de capital em caso de rebaixamento das classificações.

O processo de recuperação de ativos torna-se mais caro quando a fabricação passa a ser realizada por parceiros com preços superiores. No cenário atual, a Shunjia Toys é responsável por 34% do faturamento da marca, produzindo cada item ao custo unitário de US$ 0,70. Diante disso, cabe à liderança financeira simular como a margem bruta seria afetada caso a adoção de práticas trabalhistas mais rigorosas resulte na duplicação do custo por unidade.

Risco de boicote

A Pop Mart construiu parte de seu valor apoiada em marcas virais e endossos de celebridades. Esse modelo, embora eficiente para impulsionar vendas, se mostra vulnerável a crises de imagem.

Movimentos de boicote nas redes sociais e a possibilidade de exclusão de índices ESG globais aumentam a volatilidade das ações e afetam fundos passivos que replicam esses indicadores.

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Analistas avaliam que o crescimento acelerado da receita não compensa, por si só, o risco de reputação associado a práticas trabalhistas questionáveis.

Cadeia de suprimentos sob escrutínio regulatório

Outro ponto de atenção é o risco regulatório internacional, autoridades alfandegárias na Europa e nos Estados Unidos têm ampliado a fiscalização sobre produtos associados a trabalho irregular.

Mercadorias podem ser retidas ou apreendidas, o que transforma estoques em ativos sem valor comercial e pressiona cláusulas de dívida de curto prazo.

A dependência de um fornecedor específico, responsável por parcela relevante da produção, agrava o cenário. A substituição por fabricantes com padrões mais elevados tende a elevar custos e reduzir margens no curto prazo.

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Em cadeias terceirizadas podem comprometer sinergias projetadas e reduzir múltiplos de avaliação. A arbitragem de mão de obra barata, antes vista como vantagem competitiva, passa a ser tratada como risco estrutural.

O que o mercado espera agora?

A pressão sobre a Pop Mart e empresas semelhantes aponta para uma mudança de paradigma, o mercado cobra a transição de auditorias formais para modelos contínuos e forenses, maior verticalização da produção e mecanismos independentes de denúncia.

O plano estratégico prioriza auditorias forenses contínuas, proteção reputacional via fundo indenizatório de US$ 50 milhões para trabalhadores, maior controle direto da produção e o fortalecimento do compromisso ESG junto a grandes acionistas institucionais em um horizonte de 24 meses.

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Mais do que um episódio isolado, o caso Labubu expõe como falhas de controle na base da cadeia produtiva podem se transformar rapidamente em um problema sistêmico.

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