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Executivo do JPMorgan na Europa diz que linha dura de Trump favorece os negócios
Publicado 22/01/2026 • 12:50 | Atualizado há 2 horas
Publicado 22/01/2026 • 12:50 | Atualizado há 2 horas
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Unsplash e Linkedin
CEOs de grandes empresas globais demonstraram alívio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar da imposição de novas tarifas contra a Europa. Ainda assim, executivos ouvidos pela CNBC reforçaram que a prioridade segue sendo a construção de resiliência diante de um cenário marcado por instabilidade geopolítica e avanço da regionalização das cadeias produtivas.
Conor Hillery, co-CEO do JPMorgan para a Europa, afirmou à CNBC que a postura mais firme adotada por líderes europeus em relação a Trump foi “muito boa para os negócios”. Segundo ele, o alinhamento político trouxe previsibilidade ao ambiente econômico em um momento de elevada incerteza.
Na quarta-feira, Trump anunciou que ele e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, chegaram a um entendimento sobre uma “estrutura de um futuro acordo” envolvendo a Groenlândia. Com isso, o presidente afirmou que não seguiria adiante com a imposição de tarifas de 10% sobre oito países europeus que haviam resistido às suas propostas iniciais.
A reação do mercado foi imediata. As bolsas europeias se recuperaram nas negociações da manhã, com destaque para o setor automotivo, que liderou os ganhos no continente. O segmento é considerado particularmente sensível a tarifas comerciais, em razão de suas cadeias globais de suprimento e da forte presença industrial nos Estados Unidos.
Falando à CNBC durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Hillery avaliou que a postura coordenada dos líderes europeus era algo que o setor empresarial vinha solicitando há bastante tempo. Para ele, o movimento representa mais coesão política, maior foco em crescimento, estabilidade, inovação e estímulo ao investimento.
“O que vimos nos últimos dias foi um foco maior na questão da Groenlândia, nas tarifas e em como lidar com isso — e isso trouxe resultados”, afirmou ao programa Squawk Box Europe. Trump, por sua vez, descreveu a nova estrutura mais como um “conceito” do que um acordo fechado, em entrevista ao jornalista Joe Kernen, da CNBC.
Segundo o presidente, o entendimento pode envolver colaboração entre Estados Unidos e Europa em um eventual sistema de defesa antimísseis Golden Dome, além do acesso a recursos minerais estratégicos na Groenlândia.
O tema do risco geopolítico dominou as discussões em Davos, após o que Hillery descreveu como um ano de “montanha-russa” desde o retorno de Trump à Casa Branca. Ainda assim, ele observou que permanece um sentimento de resiliência no ambiente corporativo.
“Existe uma confiança moderada nas perspectivas macroeconômicas e empresariais, apesar do alto grau de ansiedade sobre os rumos do mundo”, disse.
O CEO da SAP, Christian Klein, reforçou essa percepção ao afirmar que os clientes seguem preocupados com a capacidade das empresas de lidar com choques geopolíticos imprevisíveis, especialmente em um contexto de tarifas e regionalização crescente.
Segundo ele, embora a SAP seja uma companhia global, as startups europeias enfrentam dificuldades adicionais. Klein destacou que a ausência de uma união digital no continente limita o crescimento dessas empresas e reduz sua capacidade de ganhar escala.
Leia também: Trump anuncia acordo com Otan sobre Groenlândia e suspende tarifas contra a Europa
Ele afirmou ainda que a inteligência artificial pode ser decisiva para criar barreiras competitivas, desde que a União Europeia avance na desregulamentação e facilite o acesso a capital e talentos.
Já Henrik Andersen, CEO da Vestas, rebateu declarações de Trump de que a China estaria exportando infraestrutura de energia verde excedente. Segundo ele, a empresa opera com cadeias de suprimento localizadas.
“Temos fábricas que produzem, na maioria dos principais mercados, turbinas destinadas a esses próprios mercados, com base em componentes locais”, afirmou.
Ele acrescentou que a empresa se abastece nos Estados Unidos, na Europa e na Dinamarca, sempre com parceiros regionais. “A ideia de que tudo é produzido na China e exportado para o resto do mundo não corresponde à realidade”, disse.
Antes do recuo de Trump, o estrategista da J. Safra Sarasin Sustainable Asset Management, Wolf von Rotberg, avaliou que os mercados passaram a compreender melhor o estilo do presidente americano.
“Suas propostas iniciais são sempre um lance de abertura, geralmente o mais agressivo possível”, afirmou. “Ele não recua por fraqueza, mas porque sua estratégia pressupõe sair de uma posição maximalista.”
Segundo ele, apesar da retórica dura, Trump assume riscos calculados e é altamente sensível ao desempenho dos mercados financeiros. “Os investidores aprenderam a filtrar o ruído e entender que ele reage fortemente às quedas das bolsas”, concluiu.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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