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Enquanto olha para a Europa, o Brasil pode perder a Índia

Publicado 29/01/2026 • 11:36 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Comércio bilateral Brasil–Índia somou US$ 12,1 bilhões em 2024, marcado por forte complementaridade.
  • Barreiras ambientais e regulatórias da União Europeia ampliam custos e incertezas para exportadores brasileiros.
  • Executivos de comércio exterior veem o mercado indiano como hedge geopolítico diante da fragmentação global.

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O cenário do comércio exterior brasileiro vive um paradoxo. Enquanto a diplomacia celebra a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, o empresariado deve reconhecer que a euforia europeia pode ser uma miopia estratégica. A Europa, com suas crescentes exigências ambientais e regulatórias, impõe barreiras não tarifárias que, na prática, dificultam o acesso a diversos produtos nacionais. Paralelamente, a instabilidade protecionista do Hemisfério Norte, evidenciada pelas tarifas agressivas de até 50% impostas pela administração Trump em 2025, exige uma reorientação imediata de nossas cadeias de valor. A resposta a essa fragmentação global não está no Ocidente, mas sim no Oriente: a Índia.

A Índia não é apenas uma alternativa, mas o destino lógico para o volume e o pragmatismo que o Brasil precisa. Sua dinâmica econômica hoje remete à China de uma década atrás: um país em franca urbanização, com uma mão de obra jovem e competitiva, e uma demanda colossal por infraestrutura e insumos básicos. Com projeção de crescimento do PIB em torno de 6,5% para 2025, a Índia se consolida como a economia de maior expansão global. O profissional de Comex deve enxergar o mercado indiano como o hedge estratégico contra o risco geopolítico.

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Nossa relação bilateral, que movimentou US$ 12,1 bilhões em 2024, é de complementaridade essencial. O Brasil tem a missão de alimentar o gigante asiático, exportando açúcares, óleos vegetais e, com potencial de crescimento, proteínas animais. Em contrapartida, a Índia, como a “farmácia do mundo”, fornece insumos farmacêuticos e químicos vitais para o nosso agronegócio. É um ciclo virtuoso: o Brasil garante a segurança alimentar e energética indiana, enquanto acessa bens de capital e componentes com custos competitivos, essenciais para a modernização de nossa indústria.

O momento de mudar a rota é agora. Enquanto o Mercosul negocia a ampliação de seu acordo preferencial com a Índia, o empresário brasileiro deve se antecipar. A Índia “precisa de tudo”, e o Brasil tem a capacidade de suprir essa demanda. Ignorar este mercado em franca ascensão, fixando-se apenas nas incertezas do Ocidente, é um erro que custará a vanguarda do comércio exterior nas próximas décadas.

Marcela Macedo Ferraz é especialista em Comércio Exterior e Internacionalização de Empresas. Diretora da Laxl International Trading e da CBUP Global, Marcela é coordenadora do curso de Pós-graduação em Comércio Exterior e Internacionalização de Empresas do IPOG.

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