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Reag e Fictor usaram brecha ‘casca de ovo’ para entrar na bolsa sem passar por rigoroso critério de abertura de capital
Publicado 15/03/2026 • 18:26 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 15/03/2026 • 18:26 | Atualizado há 1 mês
KEY POINTS
Uma recuperação judicial de uma empresa do agro e uma liquidação de uma gestora de fundo evidenciaram uma brecha pela qual empresas sem liquidez ou que supostamente operaram esquemas criminosos fossem capazes de entrar na bolsa de valores. São os casos da Fictor e da Reag, que conseguiram acesso à bolsa por meio de um esquema em que uma empresa que já está listada é comprada por outra, que entra na bolsa sem passar pelo rigoroso critério de abertura de capital.
Agentes do mercado financeiro consultados pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, disseram que essas empresas teriam utilizado outras companhias como uma espécie de 'casca de ovo', que dão uma aparência de solidez, mas que são ocas por dentro, ou seja, não possuem ativos lícitos capazes de manter a operação em pé. Apesar de legal, esse expediente, também conhecido como IPO reverso, gera pontos cegos na avaliação dos agentes reguladores, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sobre a solidez da empresa entrante.
Em janeiro de 2025, o antigo dono da Reag, João Carlos Mansur, tocou o sino de abertura da bolsa em um dos pregões. Ele era o mais novo controlador de uma empresa que passaria a vender ações para os investidores. Isso aconteceu depois que a Reag adquiriu 66% da GetNinjas, que, à época, carregava o ticker NINJ3 e ficou famosa como plataforma digital que oferece serviços variados, como reformas e reparos domésticos.
Dessa forma, a gestora de fundos conseguiu acesso à bolsa de valores por meio de uma empresa sem ativo físico, o que facilita a omissão de dados sobre rentabilidade. A entrada da Reag na empresa foi gradual, tendo avançado na participação acionária ao longo do tempo, com aquisições crescentes e paulatinas, até que se tornasse acionista majoritária. Em outubro de 2025, a Reag, que operava sob o ticker REAG3, foi vendida à Arandu e, depois, fechou capital, ou seja, saiu da bolsa.
A Reag foi uma das empresas apontadas pela Polícia Federal durante a Operação Carbono Oculto como envolvida na lavagem de dinheiro para o crime organizado. A companhia, que administrava 700 fundos, somava R$300 bilhões sob gestão e teria contribuído com o esquema do banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, na criação e gestão de empresas de fachada.
Outra empresa que usou o sistema casca de ovo para ingressar na bolsa sem se submeter às exigências de um IPO foi a Fictor, que entrou em processo de recuperação judicial depois de ser incapaz de pagar dívidas de mais de R$ 4 bilhões, incluindo SCPs (Sociedades em Conta de Participação), que são opções de financiamento junto a investidores independentes que não são regulados pela CVM e pelo Banco Central.
Em dezembro de 2024, um mês antes de a Reag entrar na bolsa, a Fictor anunciou a compra de 76% da Atom Educação e Editora, que vendia cursos, publicações e materiais didáticos.
Além da parte operacional voltada para conhecimento e publicações, a Atom tinha um time de traders voltado para operar o capital da empresa. Durante a pandemia e por conta do aumento da demanda por cursos ministrados à distância, uma das áreas de atuação da Atom, a empresa chegou a disparar mais de 3 mil por cento na bolsa de valores.
Após a compra da Atom (ATOM3), a Fictor passou a operar na bolsa de valores sob o nome de Fictor Alimentos e com o ticker FICT3. A empresa segue com capital aberto, mas suas ações desabaram nos últimos meses por conta da recuperação judicial da Fictor Holding, sob a qual opera a Fictor Alimentos. Os papéis desceram do patamar dos R$4,00 em meados de 2025 para R$0,50 atualmente, uma perda de valor de 87%.
Em janeiro de 2026, começaram a explodir casos de atraso no pagamento de investimentos pela Fictor Invest, uma das empresas do Grupo Fictor, que prometeu resolver a situação no mês seguinte. Com apenas R$2 mil em caixa, a Fictor Invest não conseguiu cumprir o combinado e pediu recuperação judicial, levando a Fictor Holding junto.
Outras empresas do grupo, incluindo a Fictor Alimentos, ainda podem atuar normalmente, mas relatórios apresentados pelos responsáveis pela recuperação judicial da Ficot Invest e Fictor Holding questionam a capacidade de a companhia como um todo comprovar a existência de ativos que possam dar ao grupo a capacidade de pagar os R$ 4 bilhões em dívidas, e sem deságio, como a empresa prometeu ao apresentar sua proposta de RJ.
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