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Sem acordo com o Irã, Trump avalia ataque e eleva temor no Oriente Médio

Publicado 29/01/2026 • 16:41 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Os EUA reforçaram presença militar no Golfo e Trump passou a considerar um novo ataque caso o Irã não faça concessões sobre seu programa nuclear e mísseis.
  • Arábia Saudita, Catar e Omã intensificam esforços diplomáticos para conter uma escalada que poderia desestabilizar a região e afetar rotas estratégicas de comércio e energia.
  • Conflito envolvendo o Estreito de Ormuz pode pressionar os preços do petróleo, elevar riscos inflacionários e ampliar a volatilidade nos mercados globais.
  • Com bloqueio, preços do petróleo podem saltar para a faixa entre US$ 120 a US$ 130 por barril, enquanto uma interrupção mais ampla poderia levar as cotações acima de US$ 150.

REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

Trump X Irã vem se intensificando nos últimos dias

Sem sinais de concessão por parte do Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom nesta semana e passou a considerar uma nova operação militar contra Teerã, potencialmente mais ampla do que os ataques realizados em junho de 2025 contra instalações nucleares do país.

A escalada ocorre em um momento de crescente fragilidade interna do regime iraniano e de intensificação da pressão militar americana, ao mesmo tempo em que aliados regionais tentam conter o risco de um conflito de grandes proporções no Oriente Médio.

Diplomatas árabes e europeus buscam convencer Washington a manter abertos os canais de negociação e pressionam Teerã a emitir gestos mínimos de confiança. Publicamente, porém, os iranianos reiteram seu direito ao uso pacífico da energia nuclear e defendem seus mísseis balísticos como instrumentos de dissuasão. O temor é de que qualquer erro de cálculo provoque uma reação em cadeia, envolvendo bases americanas, rotas comerciais estratégicas e o mercado global de energia.

Leia também: Irã ameaça resposta ‘sem precedentes’ se EUA atacarem Teerã

Nesta quinta-feira (29), o ministro da Defesa da Arábia Saudita, Khalid bin Salman, irmão e aliado próximo do príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, desembarcou em Washington para reuniões com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com Steve Witkoff, negociador-chefe da Casa Branca. A mensagem saudita é de que um ataque mais poderoso às instalações nucleares iranianas pode gerar instabilidade regional irreversível.

Riad já sinalizou a Teerã que não permitirá o uso de seu espaço aéreo ou território para operações militares contra o Irã. Ao mesmo tempo, autoridades israelenses também circulam por Washington apresentando avaliações de possíveis alvos e defendendo uma postura mais assertiva. A Casa Branca, assim, se vê no centro de pressões opostas entre aliados que defendem contenção e setores que enxergam na fragilidade iraniana uma janela de oportunidade estratégica.

A leitura predominante em Washington é que o regime do aiatolá Ali Khamenei enfrenta seu momento mais delicado desde a Revolução Islâmica de 1979. Desde o fim de dezembro, protestos se espalharam por diversas cidades iranianas em meio ao colapso econômico, agravado por sanções internacionais e pelo peso dos gastos militares. Autoridades iranianas reconhecem mais de 3 mil mortes nos confrontos, enquanto organizações de direitos humanos apontam números ainda mais elevados.

Marco Rubio tem enfatizado que, diferentemente de ciclos anteriores de contestação, os protestos atuais têm como foco central o desabastecimento econômico e a incapacidade do regime de responder rapidamente à deterioração das condições de vida, fator que amplia a vulnerabilidade política de Teerã.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar na região. O porta-aviões USS Abraham Lincoln chegou ao Golfo acompanhado por destróieres e esquadrões de caças, enquanto parte do pessoal não essencial começou a ser retirada da base aérea de Al Udeid, no Catar. Imagens de satélite indicam a construção de novas estruturas defensivas, em movimento semelhante ao observado antes da ofensiva de 2025.

Trump voltou a sinalizar disposição para uma escalada. “O próximo ataque será muito pior”, afirmou nesta semana, ao se referir às operações anteriores. Em outra declaração, descreveu os navios americanos na região como uma “armada navegando com grande poder, entusiasmo e determinação”.

Apesar do discurso público endurecido, canais diplomáticos seguem ativos. Witkoff mantém contatos indiretos com representantes iranianos por meio de intermediários regionais, sobretudo o Catar e Omã.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país “sempre acolheu um acordo justo e equitativo”, desde que livre de coerção e ameaças. Ao mesmo tempo, autoridades militares reiteram que estão prontas para responder a qualquer ataque, reforçando a ambiguidade entre disposição para negociar e retórica de resistência.

O principal ponto de atrito permanece a exigência americana de proibição total do enriquecimento de urânio, nos moldes do modelo adotado pelos Emirados Árabes Unidos. O Irã rejeita essa condição e resiste também a limitar seu programa de mísseis balísticos, que considera essencial para sua defesa.

O risco mais imediato envolve o Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás. O Parlamento iraniano já aprovou, no ano passado, uma autorização para eventual bloqueio da rota em caso de conflito, medida que ainda depende de aval do alto comando político e religioso do país. Analistas estimam que um bloqueio parcial poderia elevar os preços do petróleo para a faixa de US$ 120 a US$ 130 por barril, enquanto uma interrupção mais ampla poderia levar as cotações acima de US$ 150.

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Além disso, bases americanas na região são vistas como alvos potenciais de retaliação. Em 2025, o Irã chegou a lançar mísseis contra a base de Al Udeid, sem vítimas, mas demonstrando capacidade operacional.

Rússia e China também expressaram preocupação com o risco de desestabilização regional. Moscou alertou que qualquer ação coercitiva pode gerar “consequências muito perigosas” para a segurança do Oriente Médio, enquanto Pequim pediu moderação e reforçou a necessidade de uma solução diplomática.

As próximas semanas devem ser decisivas. Se não houver sinais concretos de flexibilização por parte do Irã, a probabilidade de uma nova operação militar americana tende a aumentar.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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