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Executiva da Droga5 defende decisões rápidas, pluralidade e humanidade no futuro do trabalho

Publicado 30/01/2026 • 22:08 | Atualizado há 10 horas

KEY POINTS

  • Executiva da Droga5 e referência da indústria criativa afirma que o tempo atual exige decisões rápidas, e não apenas adaptação.
  • Ana Cortat destaca a centralidade das pessoas mesmo em um mundo guiado por dados e inteligência artificial.
  • Trajetória pessoal, enfrentamento do etarismo, combate ao assédio e defesa da pluralidade marcam sua visão sobre liderança e futuro.

Com quatro décadas de atuação na publicidade, Ana Cortat, Chief Strategy Officer da Droga5 — agência global que integra o braço de criatividade, marketing e mídia da Accenture —, defendeu a necessidade de decisões rápidas, revisão de modelos mentais e maior pluralidade nas lideranças para enfrentar as transformações aceleradas do mundo do trabalho. A executiva foi a protagonista do quadro Protagonistas, do Jornal Times Brasil – Exclusivo CNBC, que destaca histórias de mulheres que impactam profundamente os setores em que atuam.

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Finalista do Prêmio Caboré, considerado o “Oscar da Comunicação” no Brasil, Ana Cortat é hoje uma das principais referências em estratégia, comportamento e transformação da indústria criativa. Em sua participação, ela reforçou que, diante de mudanças simultâneas e cada vez mais rápidas, o conceito tradicional de adaptação deixou de ser suficiente. Segundo ela, o cenário atual exige capacidade constante de decisão, revisão de processos e abandono de zonas de conforto.

Ao se definir como um “gerúndio”, explicou que se vê como alguém em permanente construção, aprendizado e reinvenção. Para a executiva, a ideia de carreiras lineares e planejamentos rígidos perdeu sentido. “As mudanças acontecem antes mesmo de nos acostumarmos com a anterior”, afirmou, defendendo a criação de estruturas de trabalho mais flexíveis, colaborativas e menos engessadas.

Outro ponto central da conversa foi a responsabilidade social das empresas. Para Cortat, as organizações não apenas geram empregos e receita, mas também produzem comportamentos, impactos culturais e consequências sociais profundas. Ela destacou que o ambiente de trabalho influencia diretamente a saúde emocional das pessoas e, por extensão, a sociedade como um todo. Nesse contexto, o enfrentamento do assédio moral e a superação do silêncio institucional são indispensáveis para a construção de lideranças mais conscientes.

Ana relembrou o estudo pioneiro que liderou sobre assédio na indústria da publicidade, ressaltando que o problema não afeta apenas o ambiente corporativo, mas adoece indivíduos e compromete relações familiares e sociais. Para ela, reconhecer erros do passado e assumir responsabilidade é parte essencial da evolução das lideranças e da criação de um futuro do trabalho mais justo.

A executiva também destacou a importância da pluralidade nas mesas de decisão. Segundo Cortat, os desafios contemporâneos são complexos, interseccionais e não podem ser resolvidos a partir de visões homogêneas. Ela defendeu maior presença de mulheres, pessoas não brancas, representantes do Sul Global e diferentes gerações nos espaços de poder, afirmando que só a diversidade de perspectivas permite imaginar e construir futuros mais equilibrados.

No debate sobre tecnologia e inteligência artificial, Cortat afirmou que os dados sempre estiveram no centro da estratégia, mas que a IA amplia exponencialmente a capacidade de análise e velocidade das decisões. Para ela, a tecnologia não substitui o estrategista, mas potencializa sua atuação, permitindo diagnósticos mais profundos, testes mais rápidos e maior compreensão dos comportamentos humanos.

Ao compartilhar sua experiência pessoal no enfrentamento de dois cânceres em um intervalo de pouco mais de um ano, Cortat trouxe uma dimensão ainda mais humana à conversa. Ela afirmou que a vivência reforçou a ideia de que é possível “nascer muitas vezes” ao longo da vida e destacou o papel do afeto, da solidariedade e do amor como forças transformadoras.

Encerrando sua participação, Ana Cortat refletiu sobre o que significa ser protagonista da própria história: manter-se fiel aos próprios valores, reconhecer o que é inegociável e sustentar a conexão consigo mesma em meio às pressões do mundo profissional. Para ela, esse é o ponto de partida para liderar, transformar e construir futuros mais humanos em um cenário de mudanças constantes.

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