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Gigante chinesa AstraZeneca vai abrir capital em Nova York nesta segunda-feira (2)
Publicado 01/02/2026 • 07:52 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 01/02/2026 • 07:52 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Fachada da AstraZeneca em um prédio em Xangai, em 5 de setembro de 2024.
Fachada da AstraZeneca em um prédio em Xangai, em 5 de setembro de 2024. Hector Retamal / AFP
A gigante farmacêutica AstraZeneca vai listar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) nesta segunda-feira (2), poucos dias depois de anunciar grandes compromissos do outro lado do mundo.
Como o restante da indústria farmacêutica global, a companhia enfrenta um delicado exercício de equilíbrio. Ela busca uma relação próxima com os Estados Unidos, seu maior mercado, e a listagem tem como objetivo impulsionar os investimentos no país.
Ao mesmo tempo, a China, com um ambiente favorável à inovação, vem atraindo empresas farmacêuticas que precisam desenvolver com urgência novos medicamentos para substituir os remédios de grande sucesso cujas patentes expiram nos próximos anos. Os desafios de precificação no mercado americano aumentam ainda mais essa pressão.
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A AstraZeneca anunciou que está investindo bilhões de dólares na China e firmou parceria com uma empresa de biotecnologia chinesa para o desenvolvimento de medicamentos para perda de peso, pouco antes de suas ações começarem a ser negociadas nos EUA, nesta segunda-feira (2).
Esses movimentos ocorrem em um momento crítico para a indústria farmacêutica, à medida que as empresas passam a olhar cada vez mais para o Oriente em busca de inovação que substitua a receita gerada por medicamentos blockbuster que perderão patente nos próximos dois anos. As dificuldades de precificação no mercado dos EUA — responsável pela maior parte dos lucros da maioria das grandes farmacêuticas — intensificam essa pressão sobre o setor.
Na quinta-feira, a AstraZeneca informou que pretende investir US$ 15 bilhões na China até 2030, para expandir tanto a manufatura quanto as atividades de pesquisa e desenvolvimento, anúncio feito no momento em que Keir Starmer se tornou o primeiro primeiro-ministro do Reino Unido a visitar o país em oito anos.
“Esses investimentos abrangem toda a cadeia de valor, desde a descoberta de medicamentos e o desenvolvimento clínico até a fabricação, e levam a inovação chinesa para o mundo”, afirmou a companhia, destacando ainda uma série de outras parcerias com empresas de biotecnologia da região.
Em um comunicado separado, divulgado na sexta-feira, a maior empresa do Reino Unido anunciou uma parceria com a CSPC Pharmaceuticals, listada em Hong Kong, para fortalecer seu portfólio de tratamentos contra a obesidade. O acordo de colaboração inclui oito programas pré-clínicos e em estágio inicial da CSPC, entre eles um medicamento injetável de aplicação mensal. As ações da CSPC caíram 10,2% após o anúncio.
A AstraZeneca vai pagar US$ 1,2 bilhão à CSPC à vista, além de até US$ 17,3 bilhões adicionais caso determinadas metas regulatórias, de pesquisa e de vendas sejam atingidas, confirmou um porta-voz da empresa à CNBC na sexta-feira (30). A companhia preferiu não comentar mais sobre suas prioridades geográficas.
Os anúncios ocorreram pouco antes da estreia das ações da AstraZeneca na Bolsa de Nova York, nesta segunda-feira, e também após o recente anúncio de um investimento de US$ 50 bilhões nos Estados Unidos, com o objetivo de evitar tarifas americanas sobre produtos farmacêuticos.
“O que podemos concluir é que os EUA e a China serão as duas regiões mais importantes para a empresa no futuro previsível”, afirmou Camilla Oxhamre, gestora de portfólio da Rhenman & Partners, à CNBC, por e-mail.
Os Estados Unidos são, de longe, o maior mercado da AstraZeneca. No ano passado, a empresa anunciou que encerraria seu programa de American Depositary Shares (ADS) para seguir com a listagem direta na Bolsa de Nova York, mantendo também suas ações listadas em Londres e Estocolmo, com o objetivo de alcançar uma base de investidores mais global.
“Ela é a maior farmacêutica [na China] e, quando decide listar ações nos EUA, sempre surge, na mente de alguns, a dúvida sobre o compromisso com a China, ainda mais considerando que houve algumas investigações no ano passado”, disse Rajesh Kumar, chefe de research em ciências da vida e saúde da Europa no HSBC, à CNBC. Em 2025, a AstraZeneca enfrentou diversas apurações de reguladores chineses relacionadas ao não pagamento de tarifas de importação.
“Com essa iniciativa, eles estão deixando muito claro que continuam comprometidos com a China”, acrescentou Kumar.
A China é também o segundo maior mercado da AstraZeneca. Oxhamre, cujo fundo mantém uma posição relevante comprada nas ações da empresa, afirmou que o mercado chinês “continuará ganhando importância ao longo do tempo, tanto em termos de receita quanto de pesquisa”.
E a AstraZeneca não é a única farmacêutica a buscar novos ativos inovadores na China. A britânica GSK, listada em Londres, firmou em julho um acordo com a Hengrui Pharma que pode chegar a US$ 12 bilhões, em sua maior parte condicionado ao cumprimento de metas de desenvolvimento e comercialização.
Os acordos de licenciamento entre a Big Pharma e biotechs chinesas, como o firmado entre AstraZeneca e CSPC, aumentaram de forma significativa nos últimos anos. Segundo dados da Biopharma Dive, foram 57 acordos desse tipo em 2025.
“Esses acordos demonstram o sucesso do esforço de longo prazo da China para subir na cadeia de valor da biofarmacêutica, passando de seguidora rápida para fornecedora de ativos diferenciados capazes de competir globalmente”, afirmaram analistas da PitchBook em um relatório publicado no mês passado.
A ascensão da China como líder em desenvolvimento pré-clínico e em estágios iniciais ocorre em um momento em que o financiamento de biotecnologia em outras regiões sofreu nos últimos anos. Esse avanço também é favorecido pela rapidez com que ensaios clínicos iniciais em humanos podem ser conduzidos no país. Um movimento inverso de fuga de cérebros, com cientistas chineses retornando ao país, também tem contribuído para o fortalecimento do setor, segundo Kumar.
“O setor biofarmacêutico chinês se reestruturou em torno de terapias de nova geração, combinadas com uma infraestrutura eficiente de ensaios clínicos para reduzir os riscos desses ativos”, afirmaram os analistas da PitchBook.
“Empresas biofarmacêuticas multinacionais e de médio porte estão buscando ativos na China em ritmo crescente, abrangendo tanto megatransações de destaque quanto acordos menores de licenciamento. É importante notar que essa atividade tem se concentrado em biológicos complexos, e não em modalidades tradicionais.”
Um relatório do Belfer Center for Science and International Affairs, da Universidade Harvard, publicado em junho, sugeriu que “a China tem a oportunidade mais imediata de superar os Estados Unidos em biotecnologia” e que isso poderia “alterar rapidamente o equilíbrio global de poder”.
No fim de 2025, porém, houve uma retomada relevante no financiamento do setor de biotecnologia nos Estados Unidos.
“Sempre haverá inovação vindo de ambas as regiões”, disse Kumar. “O mundo mudou… a China estava alcançando os EUA, e os EUA vão acelerar novamente.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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