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‘Dono do Master é Tanure’ e Vorcaro era ‘pau-mandado’, diz gestor à CPI do Crime Organizado
Publicado 18/03/2026 • 17:22 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 18/03/2026 • 17:22 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
O gestor de fundos Vladimir Timerman afirmou nesta quarta-feira (18), em depoimento à CPI do Crime Organizado, que o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, não era o verdadeiro responsável pelas decisões da instituição e que atuaria como um “pau-mandado” de outros nomes por trás do banco.
Segundo ele, o empresário Nelson Tanure estaria entre os principais envolvidos na estrutura de poder do negócio.
“O senhor Nelson Tanure é uma das cabeças, eu acho que é o mais alto da hierarquia […] O meu sentimento é que [Vorcaro] é uma pessoa que realmente não sabia nem o que estava acontecendo. Foi colocada para ser a cara [do banco], para fazer as conexões políticas”, afirmou.
O depoimento ocorre no contexto das investigações sobre o esquema que levou à liquidação do Banco Master e aponta para a existência de uma estrutura mais ampla e, segundo o gestor, ainda não totalmente revelada.
Timerman também criticou a atuação de órgãos como Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Polícia Federal e Banco Central. Segundo Timerman, essas instituições teriam ignorado alertas feitos por ele desde 2019.
“Minhas denúncias acerca de Gafisa S.A. se iniciaram em 2019, até 2021. A Gafisa S.A. é o laboratório de tudo. O inquérito [na CVM] demorou 473 dias para ser aberto. O inquérito na polícia não anda. Acho que todo mundo falhou”, disse.
Segundo ele, as denúncias resultaram em retaliações, incluindo ações judiciais e ameaças.
O gestor afirmou ter sofrido “mais de 30 ações criminais e ameaças de morte”, além de pedidos de prisão.
Durante o depoimento, Timerman descreveu um modelo de operação baseado na valorização artificial de ativos, com o objetivo de sustentar a captação de recursos.
“Elevavam o valor, criavam um lucro artificial. Só que esse dinheiro já era desviado antes de entrar no banco. Mas assim, o banco está tendo lucro, é um bom banco. O balanço está sólido, porque essas coisas estão infladas”, afirmou.
Segundo ele, a estratégia permitiria manter o fluxo de captação, especialmente por meio de CDBs.
“Por que precisa de captar mais CDB? Para pagar os CDBs que tinham para trás e continuar rodando a máquina”, disse.
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que o esquema teria afetado um número relevante de investidores, inclusive aqueles com valores acima do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de R$ 250 mil.
“São números tão fora da realidade das pessoas que parece que não tem vítima, mas existem milhares, talvez milhões de vítimas espalhadas pelo Brasil”, afirmou.
Timerman também alertou para efeitos indiretos no sistema financeiro, com possível encarecimento do crédito.
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Siga o Times | CNBCEm nota enviada à imprensa, o empresário Nelson Tanure negou qualquer envolvimento com o Banco Master e contestou as declarações feitas à CPI.
Segundo ele, Timerman “ostenta diversas condenações no Poder Judiciário”, incluindo por perseguição, difamação e disseminação de informações falsas contra diferentes profissionais do mercado.
O empresário afirmou ainda que o gestor é investigado pelo Ministério Público em casos relacionados a ameaças e suposta manipulação do mercado.
Tanure reiterou que “nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master”, e que manteve com a instituição apenas “relações comerciais legítimas, como cliente”.
O empresário também destacou que tem “décadas de experiência no mercado” e afirmou confiar no esclarecimento dos fatos no âmbito das investigações.
Leia a nota de Nelson Tanure na íntegra:
“O senhor Vladimir Timerman, autor das ilações apresentadas ao Senado Federal nesta quarta-feira (18/03/2026), ostenta diversas condenações no Poder Judiciário:
Basta uma pequena consulta ao seu histórico judicial para entender a razão pela qual esse indivíduo não desfruta de qualquer credibilidade no mercado.
O empresário e investidor Nelson Tanure tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários e jamais havia sido acusado de qualquer prática supostamente delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista.
O empresário reitera que nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas, como cliente, nos mesmos moldes em que opera com diversas outras instituições financeiras.
Nelson Tanure reafirma sua confiança nas instituições e no esclarecimento dos fatos no âmbito das investigações em curso.”
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