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Iene perto de 160 a Nikkei em recorde: o que especialistas esperam após a vitória de Sanae Takaichi

Publicado 09/02/2026 • 08:01 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Uma retomada do chamado “Takaichi trade” deve entrar no radar do mercado.
  • Os investidores passaram a antecipar uma política econômica mais frouxa, impulsionando as ações e elevando os rendimentos dos títulos públicos.
  • No câmbio, operadores do iene voltaram a observar o patamar de 160 por dólar, diante do retorno dos riscos de intervenção.

YUICHI YAMAZAKI / POOL / AFP

Sanae Takaichi

Um iene próximo de 160 por dólar, ações japonesas em níveis recordes e rendimentos mais altos dos títulos do governo do Japão podem estar no horizonte após a primeira-ministra Sanae Takaichi conquistar uma vitória esmagadora na eleição antecipada realizada no domingo.

Takaichi conduziu o Partido Liberal Democrata (PLD), no poder, a uma supermaioria na Câmara Baixa, garantindo 316 cadeiras — a maior vitória eleitoral do partido desde a Segunda Guerra Mundial.

O resultado lhe dá poder para derrubar qualquer veto legislativo da Câmara Alta, fortalecendo sua capacidade de avançar com sua agenda no Parlamento japonês.

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O retorno do “Takaichi trade”

Analistas afirmam que a vitória deve levar ao ressurgimento do chamado “Takaichi trade”, que normalmente envolve um iene mais fraco, alta das ações e aumento dos rendimentos dos títulos do governo japonês de prazos mais longos. Essa tendência reflete a postura mais dovish de Takaichi em relação à política monetária e as expectativas de estímulos fiscais ampliados.

Alguns sinais iniciais desse movimento já apareceram na segunda-feira. O índice de referência Nikkei 225 ultrapassou a marca de 57.000 pontos, atingindo um novo recorde histórico, enquanto o índice mais amplo Topix subiu para um pico histórico de 3.825,67 pontos, superando as expectativas pré-eleitorais dos analistas do Citi.

“A forte vitória do PLD está aquecendo o ânimo dos investidores”, afirmou Frederic Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC. “As ações, em particular, estão celebrando o resultado surpreendente da eleição, reativando o ‘Takaichi trade’.”

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“A expectativa é que a ampla maioria dê ao PLD mais espaço para adotar políticas favoráveis ao crescimento”, acrescentou Neumann.

A avaliação é compartilhada por Adrian Wong, estrategista global de mercados da J.P. Morgan Asset Management, que afirmou que a vitória deve resultar em medidas fiscais proativas — como o corte do imposto sobre consumo por dois anos — além de maior investimento corporativo e reformas empresariais mais agressivas.

Preocupações com a dívida persistem

Apesar do consenso sobre o impacto positivo nas ações, alguns analistas alertam que o aumento dos gastos pode pressionar os títulos públicos e elevar os rendimentos. O rendimento do título do governo japonês de 10 anos subiu 4 pontos-base, para 2,27%, na segunda-feira.

Antes da eleição, Takaichi havia anunciado um orçamento recorde de 122 trilhões de ienes para o ano fiscal com início em 1º de abril, marcando o segundo ano consecutivo de gastos históricos.

O Japão é o país mais endividado do mundo, com uma relação dívida/PIB de quase 230% em 2025, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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Após a eleição, Takaichi afirmou à emissora pública NHK que busca “uma mudança na política econômica e fiscal” e uma “política fiscal responsável e proativa”.

“Vamos avançar nas áreas em que for possível e pedir cooperação aos partidos de oposição nos temas em que conseguirmos apoio”, acrescentou, segundo tradução do Google.

Carlos Casanova, economista sênior para a Ásia do banco privado suíço UBP, espera que o rendimento do título de 10 anos chegue a 2,5%, com a maior parte da pressão concentrada na extremidade ultralonga da curva de juros.

Outros analistas foram mais cautelosos. Sree Kochugovindan, da Aberdeen Investments, afirmou que a vitória esmagadora do PLD não dá a Takaichi “carta branca para simplesmente gastar”.

“O PLD é fiscalmente conservador, e Takaichi tem sido muito cuidadosa em relação aos investidores em títulos”, observou o economista-chefe de pesquisa.

Segundo ele, a relação dívida/PIB do Japão vem caindo desde a pandemia, e o mais recente pacote fiscal e econômico de Takaichi deve manter essa trajetória de queda.

A primeira-ministra afirmou que o volume de novos títulos do governo emitidos deve somar 29,6 trilhões de ienes, marcando o segundo ano consecutivo em que as emissões permanecem abaixo de 30 trilhões de ienes.

O iene seguiu na direção oposta

No entanto, em um movimento pouco usual, o iene se fortaleceu 0,4%, sendo negociado a 156,55 por dólar após a vitória eleitoral de Takaichi.

Michael Wan, analista sênior de moedas do MUFG, escreveu em nota na segunda-feira que o movimento provavelmente refletiu o compromisso contínuo de Takaichi com a sustentabilidade fiscal em seus comentários pós-eleição, além de declarações da ministra das Finanças, Satsuki Katayama, em apoio à estabilidade do iene, em coordenação com autoridades dos Estados Unidos.

Katayama afirmou que poderia se comunicar com os mercados financeiros ainda na segunda-feira, se necessário, após a vitória de Takaichi.

O iene havia se aproximado da marca de 160 por dólar no início deste ano, antes de se fortalecer de forma acentuada no fim de janeiro, em meio a especulações de que o Federal Reserve de Nova York teria realizado “verificações de taxa” sobre o iene — frequentemente interpretadas como sinal de possível intervenção. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, posteriormente negou que os EUA tenham intervindo.

Na manhã de segunda-feira, Katayama não descartou a adoção de medidas contra “movimentos rápidos desalinhados dos fundamentos”, afirmando que essas ações poderiam incluir intervenções no mercado cambial.

Para os analistas, o patamar de 160 ienes por dólar parece ser uma linha clara de defesa. Analistas do Citi avaliam que o iene dificilmente se enfraquecerá muito além desse nível, diante da percepção de possível intervenção cambial por parte das autoridades japonesas ou dos Estados Unidos.

“O iene deve voltar a se aproximar do nível de 160, mas provavelmente haverá um embate entre o mercado e as autoridades próximo da marca de 159”, afirmou o banco holandês ING em relatório publicado em 9 de fevereiro.

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