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Lucro recorde dos bancos privados em 2025 revela mudança estrutural no setor
Publicado 10/02/2026 • 13:20 | Atualizado há 4 horas
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Publicado 10/02/2026 • 13:20 | Atualizado há 4 horas
KEY POINTS
Variação de ações
Pixabay
Um estudo da Elos Ayta, elaborado pelo economista Einar Rivero, mostra que 2025 marcou o recorde nominal de lucro para os grandes bancos privados brasileiros e também uma mudança estrutural no setor financeiro. O levantamento analisa a evolução da rentabilidade bancária desde 2006 e aponta um novo patamar de resiliência e diversificação de resultados.
No recorte tradicional, que considera Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil, o lucro líquido consolidado somou R$ 86,55 bilhões em 2025, o maior valor nominal desde o início da série histórica. O resultado supera o recorde anterior, de R$ 72,7 bilhões em 2024, e consolida dois anos consecutivos de crescimento após a retração observada entre 2021 e 2023.
Em 2023, os três bancos haviam registrado lucro de R$ 57,4 bilhões. Em apenas dois anos, o avanço nominal acumulado foi de 50,6%, reforçando o papel dessas instituições como termômetro do crédito, da atividade econômica e da confiança no País.

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Quando os lucros são ajustados pelo IPCA até dezembro de 2025, a hierarquia dos recordes muda. Em termos reais, o lucro de 2025 passa a ser o segundo maior da série, atrás apenas de 2019, quando o resultado ajustado atingiu R$ 88,14 bilhões.
O dado é relevante porque mostra que, embora o setor tenha alcançado um novo recorde nominal, a recuperação ainda recompõe perdas inflacionárias acumuladas nos anos anteriores. Entre 2021 e 2023, o lucro real dos bancos caiu 16,1%. Já entre 2023 e 2025, houve uma retomada expressiva, com alta real de 37,8%.
O desempenho de Bradesco, Itaú e Santander vai além do setor financeiro. Essas instituições concentram parcela relevante do crédito, da intermediação financeira e da distribuição de produtos de investimento no Brasil. O comportamento de seus resultados afeta diretamente:
– a oferta de crédito para famílias e empresas;
– o custo do capital;
– o financiamento do consumo e do investimento produtivo;
– o ritmo de crescimento da economia.
Por isso, o lucro dos grandes bancos costuma reagir de forma sensível ao ambiente macroeconômico e à política monetária.
O estudo da Elos Ayta mostra que a relação entre Selic e lucro bancário não é linear. Houve períodos em que juros elevados coexistiram com queda da rentabilidade, refletindo efeitos defasados da inadimplência e do aumento das provisões. Em outros momentos, ganhos de eficiência e controle de risco sustentaram resultados elevados mesmo com juros em queda.
Entre 2021 e 2023, por exemplo, a Selic subiu de forma agressiva, mas o lucro real caiu. O impacto veio da desaceleração do crédito e da materialização de riscos antecipados nos balanços. A partir de 2023, o cenário mudou: inadimplência em recuo, crédito mais seletivo e melhor captura do spread sustentaram a retomada dos lucros em 2024 e 2025.
Ao incorporar o BTG Pactual ao levantamento, o retrato do setor se amplia. Considerando agora os quatro maiores bancos privados, o lucro líquido consolidado alcançou R$ 101,5 bilhões em 2025, o maior valor já registrado tanto em termos nominais quanto ajustados pela inflação dentro da série, que cobre o período de 2011 a 2025.
O resultado supera o pico real anterior de 2019, quando o lucro ajustado somava R$ 93,5 bilhões, e marca um novo patamar estrutural de rentabilidade para o sistema financeiro privado brasileiro.

A inclusão do BTG não é apenas estatística. O banco tem menor exposição ao crédito tradicional e forte presença em mercado de capitais, gestão de recursos e banco de investimentos. Isso altera a dinâmica do setor.
Com o BTG no cálculo, o estudo mostra que o lucro do sistema financeiro privado:
– cai menos em períodos adversos;
– se recupera mais rapidamente após choques;
– apresenta maior resiliência ao ciclo de juros.
O modelo de negócios mais diversificado atua como amortecedor cíclico e eleva o piso de rentabilidade do setor.
As duas leituras levam a um consenso. Os bancos privados seguem altamente relevantes para a economia brasileira e continuam sensíveis à política monetária. Mas o setor mudou de perfil.
O recorte tradicional mostra recuperação sólida e eficiência crescente. O recorte ampliado revela que o sistema financeiro privado atingiu um novo patamar estrutural de lucratividade, sustentado por diversificação de receitas, digitalização e gestão de risco mais sofisticada.
Em síntese, os bancos voltaram a lucrar em níveis elevados — e, desta vez, com uma base mais resiliente do que no passado.
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