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Arquivos de Epstein: uma linha do tempo para entender a cronologia do caso

Publicado 11/02/2026 • 06:23 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Em 19 de dezembro de 2025, em Washington, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou a divulgação de centenas de milhares de documentos ligados a Jeffrey Epstein.
  • A liberação dos documentos buscou responder a uma demanda central, esclarecer como Epstein operou por tanto tempo.
  • Os Arquivos de Epstein são um conjunto de milhões de páginas, vídeos, imagens e registros oficiais ligados a duas grandes frentes investigativas.
Jeffrey Epstein

Foto: Sanghvi / Palm Beach Post / AP

Arquivos de Epstein: uma linha do tempo para entender a cronologia do caso

Em 19 de dezembro de 2025, em Washington, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou a divulgação de centenas de milhares de documentos ligados a Jeffrey Epstein, em cumprimento a uma lei aprovada pelo Congresso após forte pressão política e social.

Conhecidos como “Arquivos de Epstein”, esses registros reúnem décadas de investigações criminais, processos judiciais, comunicações internas e provas relacionadas a uma rede de tráfico sexual que envolveu adolescentes, além de contatos de Epstein com figuras influentes da política, dos negócios e da realeza.

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A liberação dos documentos buscou responder a uma demanda central, esclarecer como Epstein operou por tanto tempo e se pessoas poderosas foram protegidas ou beneficiadas por omissões do Estado, segundo publicado pelo veículo jornalistico Britannica.

O que são os Arquivos de Epstein?

Os Arquivos de Epstein são um conjunto de milhões de páginas, vídeos, imagens e registros oficiais ligados a duas grandes frentes investigativas, os processos criminais e civis contra Jeffrey Epstein e sua cúmplice, Ghislaine Maxwell.

O material inclui depoimentos, e-mails, agendas, registros de voo, acordos judiciais, comunicações entre autoridades e documentos sobre a prisão e a morte de Epstein em 2019.

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A simples menção de um nome nos arquivos não significa envolvimento em crime. Ainda assim, a presença de autoridades, empresários, artistas e membros da realeza alimentou o debate público sobre responsabilidade, transparência e possíveis privilégios concedidos ao financista ao longo de décadas.

Anos 1980 e 1990

Jeffrey Epstein ganhou projeção nos anos 1980 após atuar em Wall Street e criar sua própria empresa de gestão de fortunas, voltada a clientes bilionários. A riqueza acumulada lhe garantiu acesso a círculos restritos de poder nos Estados Unidos e no exterior.

Nesse período, passou a frequentar eventos sociais com empresários, políticos e celebridades, além de manter residências luxuosas em Nova York, na Flórida e no Caribe.

Registros posteriormente revelados mostram que, nos anos 1990, Epstein mantinha relações sociais com Donald Trump e Bill Clinton, entre outros nomes conhecidos. Documentos de voo indicam que ambos utilizaram o jato particular do financista em ocasiões distintas, em períodos diferentes.

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Início dos anos 2000

No ano 2000, uma adolescente de 16 anos, Virginia Giuffre, foi apresentada a Epstein por Ghislaine Maxwell. Anos depois, Giuffre afirmaria ter sido recrutada para uma rede de exploração sexual, na qual menores eram aliciadas sob o pretexto de massagens e depois abusadas.

Entre 2002 e 2004, Epstein continuou circulando em ambientes de alto prestígio. A relação com Trump, segundo versões divergentes, teria se rompido nesse período.

Paralelamente, começaram a surgir relatos de jovens sobre pagamentos em troca de “massagens”, o que chamou a atenção da polícia da Flórida.

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2005 a 2009

Em 2005, a polícia de Palm Beach iniciou uma investigação após denúncias envolvendo uma menina de 14 anos. Outras adolescentes relataram experiências semelhantes. Apesar da gravidade das acusações, Epstein acabou enfrentando apenas acusações estaduais reduzidas.

Em 2008, ele firmou um acordo judicial que lhe garantiu uma pena de 18 meses, com autorização para sair da prisão durante o dia para trabalhar.

O acordo incluiu imunidade para possíveis cúmplices e foi mantido em sigilo, sem que as vítimas fossem informadas. Epstein cumpriu apenas 13 meses de detenção. Esse desfecho gerou críticas persistentes sobre tratamento privilegiado e falhas do sistema de Justiça.

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2011 a 2017

A partir de 2011, o caso voltou ao noticiário com ações civis movidas por vítimas, especialmente Virginia Giuffre. Ela acusou Epstein e Maxwell de tráfico sexual e apontou homens poderosos como participantes ou beneficiários da rede. Algumas dessas acusações foram alvo de disputas judiciais, acordos e retratações parciais.

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A pressão por transparência aumentou quando jornalistas passaram a pedir a abertura de processos judiciais antes mantidos sob sigilo, argumentando interesse público.

2018 e 2019

Em 2018, uma investigação jornalística aprofundada reacendeu o caso ao expor falhas do acordo de 2008. Em julho de 2019, Epstein foi preso novamente, desta vez sob acusações federais de tráfico sexual de menores e conspiração.

Pouco mais de um mês depois, em agosto de 2019, ele foi encontrado morto em sua cela, em Nova York. A conclusão oficial foi suicídio, mas a morte alimentou teorias conspiratórias e reforçou pedidos por divulgação integral dos documentos do caso.

2020 a 2024

Ghislaine Maxwell foi presa em 2020, condenada em 2021 e sentenciada a 20 anos de prisão por ajudar Epstein a recrutar e explorar meninas.

Paralelamente, tribunais começaram a liberar partes de processos civis, revelando centenas de nomes, muitos deles censurados.

Durante a campanha presidencial de 2024, Donald Trump declarou que considerava divulgar os arquivos, mas fez ressalvas sobre possíveis informações falsas. O tema ganhou espaço no debate político, inclusive entre aliados do então candidato.

Lei de Transparência e as primeiras divulgações

No segundo mandato de Trump, a pressão aumentou. Em novembro de 2025, a Câmara dos Representantes aprovou, por ampla maioria, a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. O Senado confirmou a decisão, e a lei foi sancionada.

A legislação determinou a divulgação de todos os documentos ligados às atividades criminosas de Epstein, com exceção de materiais que pudessem identificar vítimas, comprometer investigações em curso ou afetar a segurança nacional.

Em dezembro de 2025, o Departamento de Justiça iniciou a liberação dos arquivos. O material, porém, chegou ao público com extensas tarjas de censura, o que gerou críticas de parlamentares e sobreviventes.

Novos lotes e controvérsias

Em janeiro de 2026, mais de três milhões de documentos adicionais foram divulgados, incluindo vídeos e imagens. Autoridades indicaram que aquela seria a última grande liberação. Mesmo assim, parlamentares solicitaram auditorias independentes para verificar se a lei foi plenamente cumprida.

Os novos arquivos trouxeram à tona nomes de empresários, políticos e figuras públicas de diferentes países, reacendendo debates sobre responsabilidade institucional e proteção de poderosos. Sobreviventes criticaram a exposição indevida de informações pessoais, enquanto afirmavam que muitos acusados continuavam fora do alcance da Justiça.

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A linha do tempo dos Arquivos de Epstein revela mais do que a trajetória de um criminoso. Ela expõe falhas repetidas de instituições, acordos questionáveis, atrasos investigativos e a dificuldade de responsabilizar pessoas influentes.

Alguns nomes citados

Os arquivos detalham contatos, convites, mensagens e encontros envolvendo empresários bilionários, ex-chefes de Estado, membros da realeza e dirigentes de grandes instituições.

Publicado anteriormente, entre os nomes mais recorrentes estão o ex-príncipe Andrew, cuja proximidade com Epstein já havia provocado perdas significativas de títulos e funções na monarquia britânica, além de figuras como Bill Clinton e Donald Trump, associados ao financista antes de suas trajetórias políticas mais recentes.

Empresários como Elon Musk, Richard Branson, Sergey Brin e Steven Tisch também aparecem nos registros, sobretudo em e-mails e convites para eventos sociais, viagens ou encontros privados.

Em todos os casos, os citados negam envolvimento em atividades ilegais e destacam que a menção em documentos não equivale a participação em crimes. Os arquivos também reacenderam questionamentos sobre julgamentos morais e a tolerância de elites políticas e econômicas diante de denúncias que já eram públicas à época.

Relações prolongadas mantidas após a condenação de Epstein, como nos casos de Ehud Barak e Larry Summers, passaram a ser vistas sob uma ótica ainda mais crítica, gerando debates em diferentes países.

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Em alguns contextos, como o europeu, as revelações tiveram impacto político direto, levando à renúncia de autoridades citadas, mesmo sem acusações formais.

Trump e Bill Clinton

De acordo com uma outra reportagem do publicada pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Donald Trump, solicitou ao Departamento de Justiça (DoJ) a abertura de investigações sobre possíveis vínculos entre Jeffrey Epstein e figuras de destaque do Partido Democrata, incluindo o ex-presidente Bill Clinton.

Em publicações na rede Truth Social, Trump disse que pedirá à procuradora-geral Pam Bondi, ao DoJ e ao FBI que apurem conexões de Epstein com Clinton, o ex-secretário do Tesouro Larry Summers, o cofundador do LinkedIn Reid Hoffman, o banco JPMorgan Chase e “muitas outras pessoas e instituições”. Segundo o presidente, a investigação teria como objetivo esclarecer “o que estava acontecendo com eles, e com ele.”

A iniciativa ocorre em meio a um ambiente político tensionado. Trump acusou os democratas de usarem o caso Epstein como estratégia para desviar a atenção do “desastroso shutdown”, mesmo após o DoJ já ter tornado públicas cerca de 50 mil páginas de documentos.

Para o presidente, a tentativa de reacender o tema faz parte de um esforço da oposição para desgastar seu governo. “Epstein era um democrata, e é problema dos democratas”, escreveu.

Procurado, o JPMorgan Chase declarou à Reuters que lamenta qualquer associação ao caso e negou ter ajudado Epstein a cometer crimes. O banco afirmou que encerrou o relacionamento com o financista anos antes de sua prisão por acusações de tráfico sexual.

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Até o momento, as declarações de Trump não vieram acompanhadas de novas evidências, mas reforçam o uso político contínuo do caso Epstein no embate entre republicanos e democratas.

Fortuna de Epstein

Jeffrey Epstein construiu uma fortuna estimada em quase US$ 600 milhões operando à margem do sistema financeiro tradicional, com um modelo altamente concentrado em poucos clientes bilionários, estruturas opacas e forte uso de benefícios fiscais.

Segundo a reportagem publicada pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, quando morreu, em 2019, deixou mansões avaliadas em dezenas de milhões de dólares, duas ilhas privadas no Caribe, aeronaves, obras de arte e cerca de US$ 380 milhões em dinheiro e ativos financeiros.

Durante mais de uma década, recebeu honorários elevados, acesso a imóveis e jatos privados, além de influência em círculos empresariais de alto nível. Estimativas indicam que essa relação rendeu a Epstein mais de US$ 200 milhões.

Outro pilar central da riqueza de Epstein foi sua mudança para as Ilhas Virgens Americanas, onde passou a operar empresas de consultoria financeira beneficiadas por incentivos fiscais agressivos.

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Entre 1999 e 2018, essas estruturas pagaram uma fração dos impostos cobrados em outras jurisdições. Cálculos apontam que Epstein pode ter economizado cerca de US$ 300 milhões em tributos nesse período, o que ajudou a preservar e ampliar seu patrimônio mesmo com poucos clientes.

Após o rompimento com Wexner, Epstein encontrou um novo sustentáculo financeiro em Leon Black, fundador da Apollo Global Management. Entre 2012 e 2017, recebeu aproximadamente US$ 170 milhões por serviços de planejamento patrimonial, tributário e filantrópico, valores considerados muito acima do padrão de mercado.

Em alguns anos, esses pagamentos representaram praticamente 100% da receita de suas empresas. No total, entre 1999 e 2018, Epstein recebeu ao menos US$ 490 milhões em honorários, sendo cerca de 75% provenientes apenas de Wexner e Black.

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Paralelamente, investigações apontam que Epstein movimentou mais de US$ 1,9 bilhão em diferentes instituições financeiras ao longo dos anos.

Sua relação com grandes bancos, especialmente o JPMorgan Chase, foi fundamental para a preservação da fortuna: ele manteve mais de US$ 200 milhões depositados e atuou como intermediário informal para novos negócios, gerando comissões milionárias, como cerca de US$ 15 milhões em uma única operação envolvendo o fundo Highbridge Capital Management.

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Após sua morte, o espólio passou a vender ativos para indenizar vítimas. Até agora, mais de US$ 160 milhões já foram destinados a acordos, embora o patrimônio de Epstein ainda seja significativo.

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