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Quebra de patentes deve disparar corrida por genéricos do Mounjaro e Zepbound 

Publicado 10/02/2026 • 21:36 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Câmara aprova urgência de projeto que pode permitir licenciamento compulsório do Mounjaro no Brasil.
  • Entrada de genéricos tende a pressionar preços e comprimir margens no varejo farmacêutico.
  • Indústria nacional e redes de farmácia veem oportunidade de ganhar escala em mercado em rápida expansão.
A FDA, dos EUA, aprovou o uso do medicamento Zepbound, da farmacêutica Eli Lilly, para tratar pacientes com apneia do sono.

Foto: Brendan McDermid/Reuters.

A possível adoção do licenciamento compulsório do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida da Eli Lilly, passou a entrar no radar da indústria farmacêutica e do varejo brasileiro depois que a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência de um projeto que declara o produto de interesse público. O mérito do texto ainda precisa ser votado, mas o simples avanço da tramitação já altera a conversa no setor, uma vez que antecipa a possibilidade de concorrência em um mercado concentrado em poucos produtos.

Se esse caminho for adiante, a principal mudança para indústria e farmácias é simples de descrever e complexa de executar. O mercado pode sair de um ambiente de oferta mais restrita e forte poder de preço do inovador para uma fase de competição mais aberta, com mais marcas disputando espaço e o preço passando a ser a variável decisiva na demanda.

Leia também: Câmara aprova urgência para projeto que quebra patentes do Mounjaro e Zepbound

Isso, no entanto, não significa uma queda abrupta imediata. Em medicamentos de alta procura e cadeia produtiva exigente, a entrada de alternativas costuma começar com uma precificação ainda elevada, que vai cedendo à medida que a concorrência se organiza e a oferta ganha escala. Trata-se de um movimento típico de ciclo de vida de produto, no qual a primeira leva tenta capturar parte do prêmio do mercado e, na sequência, a competição faz o preço convergir.

À medida que mais empresas passam a vender o mesmo princípio ativo em versões concorrentes, a disputa deixa de se concentrar na força da marca e passa a girar em torno de preço, disponibilidade e canal de venda, com impacto direto sobre a estratégia das redes de farmácia e dos distribuidores.

Para a indústria local, esse rearranjo é visto também como uma oportunidade de escala em uma categoria que já se tornou relevante no faturamento das lojas. O professor de varejo Ulysses Reis, da Strong Business School, avalia que a entrada de versões concorrentes tende a fortalecer fabricantes nacionais e ampliar o giro nas farmácias.

“Isso vai fortalecer a indústria brasileira de remédios. Isso vai fortalecer o movimento de compra nas farmácias. O que acontece nesse caso é que tem que ser um produto, basicamente um genérico, que vai ter que ter uma marca de fabricante nacional que vai vender não mais o nome da patente, mas vai vender o nome do princípio ativo. Eu acredito que é extremamente positivo para o mercado nacional e para o varejo”, afirmou ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC 

Na prática, para os laboratórios que tentarem ocupar esse espaço, o desafio não será apenas comercial. A entrada de alternativas depende de capacidade produtiva, de uma cadeia de fornecimento consistente e de uma estratégia de lançamento que combine preço, escala e acesso — seja no varejo, seja em canais corporativos, como clínicas e programas de acompanhamento. Em um mercado de demanda aquecida, a vantagem competitiva tende a ir além do desconto e recair sobre disponibilidade e regularidade de abastecimento.

Para as redes de farmácia, a disputa tende a mexer no mix e na margem. Com mais marcas e apresentações, o varejo ganha poder de negociação e pode capturar parte do crescimento via volume e recorrência, ainda que a margem unitária pressione com a queda de preços. Também deve crescer a relevância de programas de descontos, parcerias com plataformas de saúde e ações de fidelização, num segmento em que a continuidade do tratamento influencia diretamente o ticket ao longo do tempo.

Leia também: Senado discute quebrar patente do Mounjaro e levar remédio da obesidade ao SUS

Outro efeito provável é a segmentação do mercado. Mesmo com alternativas mais baratas, parte da demanda pode permanecer em produtos de referência por confiança, prescrição e acesso, enquanto uma fatia maior migra para versões concorrentes conforme preço e oferta evoluem. Esse movimento tende a redesenhar o mapa de participação entre marcas, distribuidores e redes, com impacto direto sobre estratégia de precificação e posicionamento.

Do lado regulatório, o aquecimento do segmento traz uma camada adicional de atenção. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, no ano passado, orientação técnica para padronizar regras de importação, manipulação e controle sanitário de insumos farmacêuticos ativos ligados aos agonistas de GLP-1, incluindo a tirzepatida, e também intensificou ações de fiscalização para coibir produtos irregulares no mercado.

Na prática, portanto, o avanço do debate legislativo sobre o Mounjaro coloca indústria e varejo diante de duas frentes simultâneas: de um lado, a disputa econômica por preço, volume e marca em um mercado em expansão; de outro, a necessidade de reforçar rastreabilidade, conformidade regulatória e segurança sanitária em uma categoria que, quanto mais cresce, mais atrai concorrência — formal e informal.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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