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A última cartada de Buffett: o investimento estratégico da Berkshire no New York Times

Publicado 20/02/2026 • 08:00 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • O investimento sinaliza uma busca por geração de caixa em ativos que superaram a crise do modelo impresso via digitalização.
  • A entrada no setor de mídia serve como estratégia defensiva diante de juros elevados e incertezas no cenário global.
  • O retorno de Buffett à mídia tradicional ocorre seis anos após ele próprio prever a "morte dos jornais impressos".
Warren Buffett

Adam Jeffery | CNBC

Warren Buffett

Um documento recente enviado a SEC (a CVM americana) detalhou que a Berkshire Hathaway realizou uma movimentação impactante ao investir US$ 351,7 milhões (aproximadamente R$ 1,84 bilhão) no The New York Times Company.

Este aporte, efetuado no quarto trimestre de 2025, configura-se como um dos atos finais de Warren Buffett na posição de CEO da holding, cargo que ele transmitiu a Greg Abel em 1º de janeiro de 2026. A compra de 5,07 milhões de ações demonstra que o lendário investidor, aos 95 anos, mantém seu faro apurado para ativos com valor intrínseco e alto potencial de resiliência.

O retorno estratégico ao setor de mídia

O retorno de Buffett à mídia tradicional ocorre seis anos após ele próprio prever a “morte dos jornais impressos”. No entanto, a tese atual é radicalmente diferente. Ao contrário dos jornais locais da BH Media e do The Buffalo News, vendidos em 2020 por US$ 140 milhões (R$ 733,6 milhões), o New York Times é visto agora como uma potência digital.

O analista Guilherme Ravache afirmou ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC que o mercado de “jornalões” pode ter encontrado o fundo do poço e iniciado uma nova era de lucros baseada em credibilidade. O investimento reflete o conceito de Value Investing: uma análise minuciosa que ignora modismos para focar em fundamentos. O NYT cresceu 9% no último ano, impulsionado por uma base sólida de assinaturas digitais. “As pessoas querem se livrar do lixo de Inteligência Artificial (IA) e buscam conteúdo confiável”, aponta Ravache.

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Além disso, veículos com conteúdo original possuem uma vantagem competitiva única, pois seus dados são essenciais para treinar os grandes modelos de linguagem (LLMs) das big techs. Para Jayme Simão, sócio-fundador do Hub Investidor, esse movimento reflete uma disciplina de capital apurada. “Ao aumentar posição no New York Times, o Buffett sinaliza que enxerga valor num ativo de mídia que conseguiu se reinventar via assinaturas digitais e fluxo de caixa mais previsível. Em um cenário de juros ainda elevados e incerteza global, ele tende a priorizar negócios resilientes e com receita recorrente“, destaca.

A mudança na bússola da Berkshire Hathaway

Nos últimos anos, a Berkshire concentrou seu capital em setores defensivos e de infraestrutura, como energia, seguros e tecnologia. A entrada no NYT, embora represente uma fração pequena da carteira de US$ 274 bilhões (R$ 1,44 trilhão), quebra essa monotonia. Enquanto Buffett reduziu em mais de 75% sua posição na Amazon e cortou 4% da participação na Apple — que ainda é seu maior ativo, avaliado em US$ 62 bilhões (R$ 324,9 bilhões) —, ele buscou refúgio em empresas com marcas fortes e previsibilidade de caixa.

Sobre a redução na gigante do varejo, Jayme Simão pondera que “a Amazon já entregou bastante valorização nos últimos anos, então faz sentido reduzir um pouco a exposição e realizar parte do ganho“. Essa “rotação de portfólio” também incluiu reforços na Chevron, na Domino’s Pizza e na rádio por satélite Sirius, reforçando a busca por negócios que dominam seus nichos.

Embora o mercado observe a troca de comando na holding, a essência da estratégia permanece. Segundo Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, a decisão é coerente com o histórico da firma:

“Não há nada de errado na estratégia da empresa, mesmo Buffett dizendo, há alguns anos, que o setor de mídia estava em declínio. A diferença da decisão do investimento para sua fala é que a Hathaway sempre investiu em empresas com boa geração de caixa e modelo consolidado.”

O fenômeno digital do New York Times

A tese de investimento no NYT sustenta-se na sua transformação bem-sucedida em uma empresa de assinaturas. Pioneiro no uso do paywall, o jornal superou as críticas iniciais e hoje colhe os frutos de uma estratégia de ecossistema. Além das notícias, o grupo expandiu para verticais de entretenimento, como o The Athletic (esportes) e jogos on-line, que criam múltiplas camadas de engajamento.

A meta da companhia é atingir 15 milhões de assinantes até o fim de 2027. Para o analista Felipe Machado, o NYT foi “premiado pelo pioneirismo” em um mercado onde muitos concorrentes falharam ao demorar para cobrar pelo conteúdo. Em um cenário saturado por informações de baixa qualidade, a curadoria humana e a marca centenária tornaram-se ativos financeiros de alta rentabilidade, atraindo o olhar final de um dos maiores investidores da história.

Uma chance para a saúde financeira do New York Times?

Para complementar a análise sobre a robustez do modelo de negócio do jornal nova-iorquino, o economista e CEO da Corano Capital, Bruno Corano, destaca que o investimento de US$ 351,7 milhões (aproximadamente R$ 1,84 bilhão) representa uma chancela definitiva sobre a saúde financeira da publicação.

Segundo Corano, a aquisição de 3% do capital da empresa no apagar das luzes de 2025 funciona como uma validação de que o jornal se tornou uma “máquina de fazer dinheiro” em um setor que muitos consideravam decadente.

O especialista ressalta a escala operacional que coloca o veículo em um patamar de liderança global isolada no segmento de mídia impressa e digital:

“O New York Times é o melhor case de assinatura do mundo depois da Netflix. Com quase 13 milhões de assinantes e um crescimento anual de mais de 1 milhão de novos usuários, eles geram cerca de US$ 130 milhões (R$ 681 milhões) por mês apenas com mensalidades. Eles deixam o Wall Street Journal comendo pó”, comenta.

Além do volume de assinaturas, Corano aponta que a previsibilidade de receita é o que realmente atraiu o olhar da Berkshire Hathaway neste momento de transição de liderança. A capacidade de gerar, em média, US$ 10 (R$ 52) de receita por assinante mensal, somada aos ganhos com publicidade, transforma o jornal em um ativo de geração de valor contínua.

“Considerando que estamos falando de um jornal esse aporte é uma validação de que o modelo de negócio pós-internet não apenas sobreviveu, mas prosperou de forma vultuosa, garantindo uma arrecadação mensal raramente vista no setor”, reforçou o economista.

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