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Economia Brasileira

Guerra no Oriente Médio pressiona custos da indústria química no Brasil, diz Abiquim

Publicado 17/03/2026 • 20:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Conflito eleva preços de petróleo, gás e fretes, pressionando custos da indústria química.
  • Setor não vê risco imediato de desabastecimento devido à capacidade ociosa no país.
  • Dependência de fertilizantes importados, acima de 80%, é principal vulnerabilidade.

O conflito no Oriente Médio já começa a impactar a indústria química brasileira, principalmente por meio da alta do petróleo, do gás natural e dos custos logísticos. O diagnóstico é do presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro, que falou ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (17).

Segundo o executivo, o principal efeito imediato é o aumento dos custos de produção. “O primeiro e mais evidente impacto é uma pressão de custos”, afirmou.

Ele explicou que a indústria petroquímica depende diretamente de petróleo e gás natural. “Quando sobe o preço do barril de petróleo, como subiu 25%, 30%, 35% a partir da explosão da guerra do Irã, isso traz efeitos em cadeia diretamente”, disse. “Varia o preço do barril, varia o preço dos derivados do petróleo, portanto da nafta petroquímica”, afirmou, destacando o impacto sobre a principal matéria-prima do setor.

O gás natural também registra alta. “A gente vê variações de preços saindo da casa de 8, 8,5 para 14, 15 o milhão de BTU”, disse, ao apontar pressão adicional sobre os custos. Segundo ele, essas matérias-primas têm peso relevante na produção. “Na petroquímica, elas representam 40%, 50%, 60% e no caso de fertilizantes até mais de 80% do custo de produção”, afirmou.

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Além disso, há impacto logístico. “Você começa a ter dificuldade no trânsito de navios e isso pressiona os fretes internacionais”, disse.

Capacidade interna reduz risco imediato

Apesar da alta de custos, o executivo afirmou que não há, neste momento, risco de desabastecimento. “O Brasil tem capacidade de aumentar a produção dentro das plantas industriais existentes”, disse.

Segundo ele, há ociosidade relevante no setor. “As centrais petroquímicas operam com ociosidade de 30% a 35% e, em alguns casos, até mais de 40%”, afirmou. “Há como se mobilizar essa capacidade em caso de dificuldade de acesso ao mercado internacional”, acrescentou.

Cordeiro citou a pandemia como referência. “A indústria brasileira respondeu bem a um bloqueio no mercado internacional durante a pandemia”, disse.

Dependência de fertilizantes preocupa

O principal ponto de atenção está nos fertilizantes. “No caso de fertilizantes, o desafio é um pouquinho maior”, afirmou. Segundo ele, o país depende fortemente de importações. “Mais de 80% de amônia e ureia são importados hoje no Brasil”, disse.

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Parte relevante desses produtos passa por regiões afetadas pelo conflito. “Uma boa parte transita pelo Golfo Pérsico e pelo estreito de Ormuz”, afirmou.

O executivo também apontou um entrave estrutural. “O que prejudicou a nossa capacidade de investimento foi o preço do gás natural no Brasil”, disse. Ele comparou com outros mercados. “No Brasil, o gás custa 15, 16, até 20 por milhão de BTU, enquanto nos Estados Unidos é 2 ou 3”, afirmou. “O Brasil precisa direcionar o gás do pré-sal para a indústria, especialmente fertilizantes e química, para evitar esses riscos”, concluiu.

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