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16 ações pagam dividendos acima da Selic a 14,75%; veja quanto rendem R$ 10 mil, R$ 50 mil e R$ 100 mil investidos nelas

Publicado 18/03/2026 • 22:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Levantamento da Elos Ayta mostra 16 ações com dividend yield realizado de 14,75% ou mais no recorte de 12 meses até 17 de março.
  • Simulação com base na mediana de três anos indica que Vulcabras, Grendene e Cemig têm os maiores retornos mensais estimados.
  • Analistas destacam Unipar, Bradespar, Direcional, Cemig e Bemobi entre os nomes mais defensivos da lista.

Foto: Pixabay.

Com a Selic em 14,75% ao ano, bater os juros continua sendo uma tarefa difícil para praticamente qualquer classe de ativo, e com ações não é diferente. Principalmente porque juros elevados tendem a aumentar o custo da dívida e a pressionar os lucros das empresas, o que pode limitar a distribuição de dividendos.

Ainda assim, algumas ações da bolsa seguem exibindo dividend yield (retorno em dividendos) no mesmo patamar da Selic ou acima. Levantamento da Elos Ayta Consultoria com papéis das carteiras do Ibovespa, Small Caps e IDIV mostra que 16 ações apresentam retorno em dividendos de 14,75% ou mais no acumulado dos últimos 12 meses até 17 de março de 2026.

Na liderança, aparecem JSL (JSLG3), com dividend yield realizado de 33,24%, Vulcabras (VULC3), com 32,49%, e Grendene (GRND3), com 29,26%. Também entram no recorte nomes como Lavvi, Direcional, Unipar, Log Commercial Properties, Cury, Bradespar, Movida, Bemobi, Cyrela, PetzCobasi, Marcopolo, Rede D’Or e Cemig.

Confira a lista completa:

EmpresaDividend yield realizado últimos 12 mesesDividend yield projetado próximos 12 mesesMediana de dividend yield 3 anos
JSL (JSLG3)33,24%30,54%4,57%
Vulcabras (VULC3)32,49%31,54%25,66%
Grendene (GRND3)29,26%37,27%19,45%
Lavvi (LAVV3)27,90%17,83%11,53%
Direcional (DIRR3)22,02%15,91%13,29%
Unipar (UNIP6)21,89%18,67%6,71%
Log Com Prop (LOGG3)21,51%14,76%7,75%
Cury (CURY3)18,69%12,09%11,00%
Bradespar (BRAP4)18,46%14,59%11,75%
Movida (MOVI3)17,92%6,57%1,69%
Bemobi (BMOB3)17,42%11,49%5,53%
Cyrela (CYRE3)16,29%13,87%5,73%
PetzCobasi (AUAU3)15,26%24,02%6,74%
Marcopolo (POMO4)14,91%15,71%14,42%
Rede D’Or (RDOR3)14,84%11,55%2,57%
Cemig (CMIG3)14,75%13,85%14,75%
Fonte: Elos Ayta Consultoria

Importante: o dividend yield realizado considera os proventos pagos nos últimos 12 meses. Já o dividend yield projetado leva em conta a hipótese de que as empresas mantenham a mesma política de distribuição e o mesmo nível de lucro, considerando a cotação atual da ação.

Leia também: Copom reduz Selic em 0,25 ponto, para 14,75% ao ano

Ao olhar o dividend yield projetado, o grupo já encolhe. Nove ações seguem com projeção de 14,75% ou mais para os próximos 12 meses: JSL, Vulcabras, Grendene, Lavvi, Direcional, Unipar, Log Commercial Properties, PetzCobasi e Marcopolo.

Para traduzir esse universo em valores mais concretos para o bolso do investidor, um estudo exclusivo de Fábio Sobreira, analista e sócio da gestora Rocha Opções de Investimentos para o Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC simulou quanto renderiam aplicações de R$ 10 mil, R$ 50 mil e R$ 100 mil nessas mesmas ações. Para a conta, ele usou a mediana do dividend yield em três anos, numa tentativa de reduzir distorções causadas por distribuições não recorrentes e trazer uma visão mais estável do histórico de remuneração ao acionista.

Nesse recorte mais conservador, os maiores dividend yields medianos da lista são os de Vulcabras, com 25,66%, Grendene, com 19,45%, e Cemig, com 14,75%. Na simulação, um investimento de R$ 10 mil renderia R$ 213,83 por mês em dividendos da Vulcabras. No caso da Grendene, o valor seria de R$ 162,08 mensais. Já na Cemig, o retorno estimado seria de R$ 122,92 por mês.

Veja quanto rendem os aportes com base na mediana do dividend yield:

EmpresaMediana DY 3 anosQuanto rendem R$ 10 mil aplicados por mêsQuanto rendem R$ 50 mil aplicados por mêsQuanto rendem R$ 100 mil aplicados por mês
Vulcabras25,66%R$ 213,83R$ 1.069,17R$ 2.138,33
Grendene19,45%R$ 162,08R$ 810,42R$ 1.620,83
Cemig14,75%R$ 122,92R$ 614,58R$ 1.229,17
Marcopolo14,42%R$ 120,17R$ 600,83R$ 1.201,67
Direcional13,29%R$ 110,75R$ 553,75R$ 1.107,50
Bradespar11,75%R$ 97,92R$ 489,58R$ 979,17
Lavvi11,53%R$ 96,08R$ 480,42R$ 960,83
Cury11,00%R$ 91,67R$ 458,33R$ 916,67
Log Com Prop7,75%R$ 64,58R$ 322,92R$ 645,83
PetzCobasi6,74%R$ 56,17R$ 280,83R$ 561,67
Unipar6,71%R$ 55,92R$ 279,58R$ 559,17
Cyrela5,73%R$ 47,75R$ 238,75R$ 477,50
Bemobi5,53%R$ 46,08R$ 230,42R$ 460,83
JSL4,57%R$ 38,08R$ 190,42R$ 380,83
Rede D’Or2,57%R$ 21,42R$ 107,08R$ 214,17
Movida1,69%R$ 14,08R$ 70,42R$ 140,83
Fonte: Fábio Sobreira, analista e sócio da gestora Rocha Opções de Investimentos

O exercício ajuda a mostrar como o resultado muda quando o investidor troca o foco do dado pontual de 12 meses por uma medida histórica mais estável. JSL, por exemplo, aparece com dividend yield realizado de 33,24% em 12 meses, mas com mediana de 4,57% em três anos. O mesmo acontece com Rede D’Or, que sai de 14,84% para 2,57%, e com Movida, que recua de 17,92% para 1,69%.

Leia também: CNI e Fiesp criticam corte da Selic e classificam medida como “insuficiente” e “tímida”

Em quais ações vale a pena investir?

Na avaliação de analistas ouvidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, alguns nomes da lista se destacam mais pela capacidade de sustentar a distribuição de dividendos do que apenas pelo número mais alto no recorte recente.

Para Artur Horta, sócio da The Link Investimentos, Unipar e Bradespar aparecem entre os casos mais interessantes. No caso da Unipar, ele vê um possível ganho adicional de competitividade no curto prazo em meio ao atual contexto geopolítico.

“A Unipar é uma empresa que por muito tempo ficou fora do radar dos investidores, e agora, com essa questão da guerra, as empresas que produzem essas resinas e são da cadeia da indústria petroquímica devem elevar o preço dos produtos e vão ganhar competitividade em relação a produtoras europeias que usavam gás vindo do Oriente Médio”, afirma.

Sobre a Bradespar, Horta destaca a exposição praticamente direta à Vale e o potencial de distribuição vindo desse modelo de holding.

“A Bradespar é uma empresa que só investe em ações da Vale. Então ela é uma empresa que não tem nenhum tipo de plano de investimento anunciado. Ela colhe esses dividendos da Vale e distribui”, diz. Segundo ele, a retomada do minério para acima de US$ 105 por tonelada tende a favorecer os resultados da mineradora e, por consequência, a holding.

A Direcional foi outro nome citado mais de uma vez entre os analistas. Para Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, a construtora combina expansão com rentabilidade elevada, o que ajuda a sustentar os proventos.

“A Direcional é uma das construtoras que entregam o maior nível de ROE do mercado. Por consequência, acaba distribuindo boa parte dos proventos para os seus acionistas”, afirma. “É uma empresa que segue em franca expansão, crescimento, aproveitando as ondas do Minha Casa Minha Vida, mas, ao mesmo tempo, ela consegue ser tão rentável que ela ainda paga um baita dividendo para os acionistas.”

Simão também destaca a Bradespar como uma forma de capturar os dividendos da Vale por meio da estrutura de holding.

“O Bradespar, na verdade, é uma holding que tem uma participação muito grande em Vale. E Vale tende a pagar um bom dividendo por causa de bons tempos de eficiência operacional e de minério de ferro”, diz.

Já Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, vê maior atratividade em Cemig, Direcional e Bemobi. No caso da elétrica mineira, ele cita a tese de privatização como um possível vetor adicional de eficiência e remuneração.

“Para mim, quem quer dividendos de uma maneira recorrente, setor de utilidades é bom”, afirma. “A Cemig tem transmissão, distribuição e geração, então tem a possibilidade de sempre ter um bom nível de dividendo.”

Sobre a Direcional, Queiroz reforça a leitura de boa posição competitiva dentro da baixa renda, com geração de caixa sustentada pelos projetos em andamento.

“Vejo como uma empresa muito bem posicionada em projetos de baixa renda, mas não naquela faixa 1. Ela tem subsídio, tem incentivos de juros, então vai ter demanda. Está muito bem posicionada em backlog (carteira de pedidos), então deve seguir distribuindo um bom nível de dividendo também”, afirma.

No caso da Bemobi, o argumento está mais ligado ao perfil de capital da companhia e à previsibilidade da receita.

“A Bemobi não tem capex (investimento na companhia), tem uma margem boa e uma resiliência de receita. Não tem grandes projetos pela frente, então toda essa geração de caixa é distribuída para os acionistas”, diz.

Queiroz, por outro lado, adota uma visão mais cautelosa para os nomes de varejo que aparecem com yield elevado no recorte recente, como Vulcabras e Grendene.

“Creio que já distribuíram bastante dividendo recentemente. Não teria disposição de ambas”, afirma.

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