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GPA e Raízen em crise levantam alerta: renda fixa é tão segura quanto parece?
Publicado 20/03/2026 • 10:30 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 20/03/2026 • 10:30 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
Foto: Freepik.
GPA e Raízen testam credibilidade da renda fixa; veja o que dizem especialistas
No Brasil, investidores procuram principalmente por títulos de renda fixa, uma categoria que inclui debêntures, CRIs e CRAs. Essas mesmas modalidades eram também boa parte dos títulos emitidos pela Raízen e pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA) para seus investidores.
Agora, com ambas de fora do Ibovespa e outros índices da Bolsa de Valores brasileira (B3), R$ 16 bilhões em títulos de renda fixa são afetados pela crise nos dois conglomerados.
Em geral, os títulos incluíam justamente debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Contudo, com as empresas em recuperação extrajudicial, esses investimentos perderam boa parte do valor e muitos investidores podem sair no prejuízo.
Sendo assim, surge o questionamento: a renda fixa é confiável?
Para responder a essa questão, o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC conversou com Regis Chinchila, analista de investimentos da Terra Investimentos; e Ricardo Schweitzer, economista, investidor profissional, analista CNPI e consultor autorizado pela CVM.
Leia também: Recuperação extrajudicial serve para dar “fôlego” ao GPA, diz especialista; rede fechou 39 lojas desde 2023
Títulos de renda fixa costumam atrair mais pessoas do que outras modalidades de investimento, justamente porque prometem maior previsibilidade e segurança.
No entanto, os brasileiros têm investido muito em debêntures, CRAs e até CRIs. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima):
No entanto, os três títulos acima se enquadram como crédito privado – e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não oferece cobertura nesses casos. Em casos críticos, o investidor pode virar um credor comum, com menor prioridade na fila de pagamento.
Leia também: Raízen tem prejuízo bilionário no 3º tri, mas avança em eficiência e redução de dívida
Até mesmo os títulos de renda fixa têm versões mais arriscadas, para quem quer tentar retornos maiores. Nesse caso, as debêntures, CRAs e CRIs são investimentos nos quais se “empresta” dinheiro para empresas e ele retorna depois com juros.
Contudo, eles não estão imunes à possível deterioração financeira das empresas. Em todos os casos, o retorno depende da capacidade de pagamento da empresa que emitiu o título ou dos fluxos que dão origem aos títulos.
Dentro disso, o mercado no qual as empresas estão inseridas pode impactar esse retorno. Ou seja, apesar de serem renda fixa, esses títulos não são livres de risco e podem até impactar o restante do mercado de crédito.
“Renda fixa descreve a forma de remuneração, não o risco. A taxa é contratada; se a empresa não pagar, a taxa não serve de nada”, aponta Ricardo Schweitzer, analista CNPI, consultor CVM e investidor profissional.
De acordo com Schweitzer, o rótulo de “conservador”, comum em plataformas de investimento, está mais relacionado à previsibilidade do retorno do que à garantia de recebimento. Na verdade, “a ideia de renda fixa como investimento ‘seguro’ vem da previsibilidade, mas isso só vale se o emissor pagar”, reforçou Regis Chinchila, analista de investimentos da Terra Investimentos.
Os efeitos de eventos como os de GPA e Raízen não se restringem aos títulos diretamente envolvidos. Segundo Ricardo Schweitzer, há transmissão direta e indireta de impactos para o mercado.
A título de exemplo, Ricardo Schweitzer relembra o caso da Americanas, em 2023. Naquela época, o mercado de crédito privado praticamente parou por algumas semanas após a revelação da fraude contábil bilionária.
Além disso, entre outros riscos, Regis Chinchila acrescenta ainda o risco de contaminação via fundos de investimento e mercado secundário. Isso porque, quando títulos problemáticos perdem valor, as cotas dos fundos podem cair, levando a resgates em massa. Logo, para honrar esses pedidos, gestores podem ser forçados a vender ativos saudáveis, medida que pressiona ainda mais os preços.
Ademais, setores relacionados – como varejo alimentar e agronegócio – passam a ser alvo de escrutínio, o que eleva o custo de capital mesmo para empresas sem problemas aparentes. Contudo, o efeito tende a ser seletivo, concentrado em companhias mais alavancadas ou segmentos mais pressionados.
Leia também: GPA e Raízen deixam Ibovespa em meio às recuperações extrajudiciais
Identificar quando empresas estão expostas a riscos nem sempre é fácil, especialmente para investidores pessoa física. Na prática, investidores podem descobrir se há risco nos títulos de renda fixa – como debêntures, CRAs e CRIs – com análise de crédito adequada e do quanto se tem na carteira.
Em casos de crise, “se comprou o título direto pela corretora, provavelmente seu assessor já te ligou. Se tem fundo de renda fixa com crédito privado, a descoberta costuma acontecer quando o gestor “confessa” que carregava o papel, muitas vezes depois que o estrago já está feito”, detalhou Ricardo.
Entretanto, CRIs e CRAs costumam aparecer em fundos, como os FIIs e Fiagros. Nesses casos, o cotista desses fundos pode estar exposto sem saber. “Em geral, a informação existe e é pública, mas está espalhada em documentos que ninguém lê. Quando o problema aparece, a surpresa é quase sempre do investidor, raramente do mercado”, alerta Schweitzer.
Por isso, Regis Chinchila sugere considerar indicadores financeiros-chave nas análises, como alavancagem – isto é, relação entre dívida e geração de caixa – e capacidade de pagamento de juros. “Empresas com alavancagem acima de 3x ou 4x em um cenário de Selic a 15% devem acender o alerta”, reforça o analista da Terra Investimentos.
Ademais, no caso de fundos, Chinchila recomenda acompanhar documentos como:
Em meio à crise do GPA e da Raízen, um outro elemento se sobressai: a sensibilidade do crédito privado quando os juros estão altos. Atualmente, com a taxa Selic elevada, o custo da dívida aumenta e pressiona ainda mais as empresas que se financiaram em um cenário mais favorável.
Diante desse cenário, Ricardo explica que “a segurança de um título não é estática, ela depende da macroeconomia”. Atualmente, de acordo com o analista, o cenário mostra que cerca de 24% das empresas abertas não geram caixa suficiente para cobrir os juros, o que indica um risco sistêmico de alavancagem.
Leia também: Raízen (RAIZ4) virou penny stock? Entenda o que é esse tipo de ação
Junto a isso, o fato de os CRAs da Raízen estarem majoritariamente nas mãos de pessoas físicas expõe a fragilidade da distribuição. “O varejo muitas vezes compra o “nome” da empresa sem entender que, em caso de crise, esses títulos são créditos sem garantias reais, ficando atrás de outros credores na fila de recebimento”, disse Regis.
Por fim, embora só o GPA e a Raízen tenham entrado em recuperação extrajudicial e saído do Ibovespa, “muitas empresas se endividaram assumindo custo baixo de capital, e com a Selic elevada, a conta não fecha mais”, alertou o analista da Terra Investimentos.
Ou seja, até mesmo setores considerados resilientes não estão imunes a choques operacionais e macroeconômicos – e, consequentemente, nem os títulos de renda fixa eles emitem. Seja agro, varejo ou energia, “o principal recado é que crédito privado exige análise contínua e diversificação, pois o risco pode mudar rapidamente com o cenário econômico”, concluiu Regis Chinchila, diante da saída do GPA e da Raízen da Ibovespa e suas recuperações extrajudiciais.
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