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GPA e Raízen em recuperação extrajudicial e fora do Ibovespa: veja como isso afeta investidores
Publicado 22/03/2026 • 21:11 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 22/03/2026 • 21:11 | Atualizado há 2 meses
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Foto: Freepik.
GPA e Raízen deixam o Ibovespa; como fica o investidor?
Nas últimas semanas, o mercado financeiro viu o Grupo Pão de Açúcar (GPA) e a Raízen entrarem com pedidos de recuperação extrajudiciais. Consequentemente, ambas saíram do Ibovespa e outros índices da Bolsa de Valores brasileira, atingindo R$ 16 bilhões em títulos de renda fixa.
Em geral, os títulos incluíam debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).
Mas, afinal, como ficam os investidores em meio a esse cenário?
Para entender possíveis desfechos, o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC conversou com Regis Chinchila, analista de investimentos da Terra Investimentos; e Ricardo Schweitzer, economista, investidor profissional, analista CNPI e consultor autorizado pela CVM.
Leia também: GPA e Raízen deixam Ibovespa em meio às recuperações extrajudiciais
Quando uma empresa entra em recuperação extrajudicial (RE), como nos casos de GPA e Raízen, os investidores em títulos de renda fixa passam a enfrentar uma série de impactos diretos. Como a interrupção de pagamentos, perda de previsibilidade e desvalorização dos papéis.
Na prática, suspende-se temporariamente o pagamento de juros e do principal – isto é, o valor originalmente investido –, o que interrompe o fluxo de caixa esperado pelo investidor. No caso do Grupo Pão de Açúcar e da Raízen, esse período será de 90 dias. Com isso, as empresas direcionam tempo e recursos para renegociar dívidas com os principais credores.
Ou seja, o investidor deixa de ter clareza sobre quanto e quando irá receber. Enquanto isso, o preço dos títulos tende a cair, devido ao aumento do risco e pela liquidez que irá praticamente desaparecer. Em outras palavras, mesmo que o investidor queira vender o papel, dificilmente encontrará comprador.
Além disso, dependendo da forma como o título está contabilizado, ele pode deixar de render temporariamente. A partir daí, inicia-se um processo de negociação, no qual a empresa pode propor mudanças nas condições originais da dívida. Entre as alternativas mais comuns estão:
Em geral, conforme apontado por Regis Chinchila e Ricardo Schweitzer, o investidor se torna credor em um processo de reestruturação e pode ser levado a aceitar condições piores para evitar perdas maiores. Em cenários mais adversos, há ainda o risco de receber menos do que o valor originalmente investido.
Há ainda um fator adicional para investidores pessoa física: eles não participam diretamente das negociações. Logo, quem representa os detentores dos títulos é o agente fiduciário, responsável por intermediar o processo. No final do dia, o investidor individual fica à espera da definição dos novos termos da dívida.
Leia também: Raízen (RAIZ4) virou penny stock? Entenda o que é esse tipo de ação
No Brasil, os títulos de renda fixa são as aplicações mais procuradas por investidores. Conforme explicado pelo Banco do Brasil, o apelo desse tipo de investimento está em sua maior previsibilidade. Atualmente, a maior parte das operações desses títulos no Brasil envolve debêntures, CRIs e CRAs.
De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a emissão de debêntures somou R$ 492,8 bilhões em 2025. Esse valor representa 58% do total de R$ 838,8 bilhões captados pelas empresas no ano passado.
Enquanto isso, também em 2025, os CRAs tiveram alta de 11,1% no ano passado, chegando ao valor recorde de R$ 46,2 bilhões. Já os CRIs tiveram 20,2% de redução, somando R$ 49,0 bilhões.
Em geral, esses títulos são considerados mais previsíveis e seguros. Contudo, ainda envolve graus de risco, principalmente porque o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não cobre essas modalidades.
No caso do GPA e da Raízen, o pagamento de juros e devolução do valor original aplicado nesses investimentos estão suspensos. Mas, o que isso significa?
Na visão de Regis Chinchila, analista de investimentos da Terra Investimentos, “as recuperações extrajudiciais de Raízen e Grupo Pão de Açúcar marcam uma mudança relevante na percepção de risco da renda fixa no Brasil”.
Isso porque “esses casos quebram a ideia de que grandes empresas ou emissores com perfil “Triple A” são imunes a problemas de crédito, mostrando que até companhias líderes podem enfrentar dificuldades em cenários adversos”, disse o analista da Terra Investimentos.
Na prática, o risco de crédito deixa de ser uma teoria e torna-se uma questão concreta para o investidor. “Fatores como juros elevados, aumento do custo da dívida e choques externos, como clima no agronegócio, podem deteriorar rapidamente a capacidade de pagamento das empresas”, completou o analista.
Especificamente no caso da Raízen, o impacto é maior para o investidor pessoa física porque este público tem entre 60% e 90% das emissões de CRAs emitidas pela empresa.
Já no caso do GPA, a maior parte da dívida é com outras companhias e os CRIs existentes têm imóveis dados como garantia. Ou seja, “isso significa que, se a empresa não pagar, o credor pode tomar o imóvel diretamente, sem depender do resultado da negociação de reestruturação. Quem tem esse tipo de papel está numa posição bem mais confortável do que quem tem CRA da Raízen, cujas garantias, na prática, não existem”, explicou Ricardo Schweitzer, economista, investidor profissional, analista CNPI e consultor autorizado pela CVM.
Mesmo assim, o principal aprendizado diante dos casos do GPA e da Raízen, segundo Regis e Ricardo, é de que a renda fixa privada não é sinônimo de segurança absoluta. Na verdade, “há risco real de perda de capital, e não apenas de volatilidade, então exige maior seletividade e diversificação por parte dos investidores”, reforçou Regis Chinchila.
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