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Superapps financeiros avançam na China, enquanto Brasil aposta em modelo aberto com Pix

Publicado 24/03/2026 • 14:11 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • China concentrou pagamentos e serviços em superapps como WeChat Pay e Alipay, integrando grande parte da vida econômica em poucas plataformas
  • No Brasil, Pix representa estratégia oposta: infraestrutura pública, aberta e voltada à competição, ainda que com menor integração
  • Diferenças regulatórias e de mercado explicam por que os países seguiram caminhos distintos na digitalização financeira
aplicativos de bancos e superapps

Pexels

O uso intenso das redes sociais danifica o bem-estar dos jovens, de acordo com um relatório anual publicado nesta quinta-feira (19).

A China tem a transformação mais radical nas finanças pessoais do século XXI. No país, 968,9 milhões de pessoas usam pagamentos móveis e 80% de todas as transações diárias acontecem pelo celular. Enquanto isso, no Brasil, o sucesso do Pix estimula um modelo fragmentado, com múltiplos aplicativos. 

O telefone chinês integra identidade, carteira, prontuário médico e, acima de tudo, funciona como um passaporte para a vida moderna. O que essa diferença revela sobre modelos econômicos?

PAra Theo Paul Santana, consultor em negócios internacionais e especialista em mercado chinês, “a diferença não é tecnológica, é de arquitetura e de intenção. Na China, duas plataformas privadas, WeChat Pay e Alipay, foram autorizadas a construir ecossistemas fechados e verticalmente integrados.”

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O especialista acrescentou que a transformação chinesa foi possível por três condições que se uniram. A primeira é a ausência de infraestrutura legada, pois quando o e-commerce explodiu na China, no início dos anos 2000, o uso de cartões de crédito era limitado. O país não evoluiu dos cartões para o mobile, como nos Estados Unidos, e saltou diretamente do dinheiro físico para o celular.

O segundo fator foi o ambiente regulatório mais permissivo naquele momento. Empresas como Tencent (dona do WeChat) e Ant Group (dona do AliBaba) puderam expandir suas plataformas, consolidar bases de usuários e acumular dados por anos antes de uma regulação mais rígida, o que permitiu atingir escala.

Por fim, houve um elemento cultural decisivo. A digitalização dos hongbao — tradicionais envelopes vermelhos com dinheiro usados para presentear crianças — foi incorporada pelo WeChat em 2014 e ajudou a impulsionar a adesão em massa aos pagamentos móveis. Em 2016, 32,7 bilhões de envelopes foram enviados em seis dias no Ano Novo Chinês. 

Dentro de um único app, o cidadão chinês paga contas, agenda consulta médica, usa o metrô, investe o salário, acessa serviços do governo e manda presente em dinheiro para a família no Ano Novo”, comenta o especialista. 

O celular não é uma ferramenta. É o documento de identidade econômica do cidadão”, completa Santana.

O Brasil fez uma escolha diferente e consciente. O Pix, criado como bem público, aberto e gratuito, é operado pelo Banco Central e é adotado por 93% dos adultos.

Tecnicamente superior ao FedNow americano, que processou apenas 1,31 milhão de transações no primeiro trimestre de 2025, o Pix teve mais de 63,8 bilhões de transações em 2024. 

Do ponto de vista do design, não foi pensado para funcionar como um super app. “A China construiu infraestrutura de Estado dentro de plataformas privadas. O Brasil construiu infraestrutura pública aberta à iniciativa privada”, afirmou Theo Paul Santana. 

São filosofias opostas e produzem experiências radicalmente diferentes. Para um brasileiro que chega a Xangai, o celular do chinês parece ter vindo do futuro. Para um chinês que chega a São Paulo, o smartphone brasileiro parece um álbum de apps desconectados.

O uso da tecnologia habilita, mas a regulação decide. A infraestrutura chinesa sustenta aplicações que ainda são difíceis de replicar em outros mercados, com uma cobertura de 5G que alcança 95% das aldeias administrativas chinesas. 

Em 2025, a China tinha mais de 4 milhões de estações-base 5G, um número que é cerca de 18 vezes maior que o dos Estados Unidos (270 mil) e mais de 200 vezes o do Brasil (21 mil). 

Apesar das diferenças estruturais, isso não é uma limitação definitiva para o Brasil. Para replicar o modelo chinês, Theo Paul Santana explica que o Brasil precisaria “permitir que uma ou duas plataformas dominem serviços públicos essenciais; aceitar ecossistemas fechados sem interoperabilidade; ou criar uma plataforma estatal unificada de identidade e serviços”. 

Nenhuma dessas opções é compatível com o marco regulatório brasileiro atual, nem com a LGPD, nem com a filosofia do Open Finance, nem com a política do Banco Central de promover competição”.

O que é central nesse contraste é que o modelo chinês tem um custo que o Brasil recusou. Na China, a digitalização dos pagamentos veio acompanhada de uma forte concentração em poucas plataformas, que passaram a integrar não apenas transações financeiras, mas grande parte da vida econômica e social dos usuários. Esse modelo levanta preocupações relacionadas à privacidade, vigilância e dependência tecnológica.

No Brasil, o caminho tem sido distinto. Com instrumentos como a LGPD e o Open Finance, o país busca construir um ecossistema mais descentralizado e regulado, que prioriza concorrência e proteção de dados; ainda que com menor integração e escala do que o modelo chinês. 

Os caminhos são diferentes e definidos pelas escolhas de mercado e regulatórias de cada país.

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