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Do varejo ao agro: crise do petróleo se espalha pela bolsa e vai além das petroleiras

Publicado 24/03/2026 • 23:11 | Atualizado há 13 horas

KEY POINTS

  • Logística, aviação, varejo e distribuição estão entre os segmentos mais expostos ao choque no barril
  • Alta de diesel, frete e combustível aperta margens e dificulta o repasse de custos ao consumidor
  • Pressão sobre inflação, juros e câmbio amplia o impacto e pode contaminar empresas sem ligação direta com petróleo

A recente disparada do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio começou a pressionar muito mais do que as ações das petroleiras na bolsa brasileira. Na avaliação de analistas ouvidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o choque no barril tende a atingir primeiro empresas mais dependentes de combustível, frete e logística, antes de se espalhar para outros segmentos por meio da inflação, dos juros e do câmbio.

Entre os setores mais expostos aparecem logística, aviação, varejo e distribuição, além de companhias industriais e exportadoras que sentem a alta de custos operacionais ou a compressão de margens. O efeito, segundo o mercado, não fica restrito ao preço do diesel ou do querosene de aviação: ele pode contaminar toda a cadeia, do transporte ao consumo, com reflexos sobre demanda, crédito e percepção de risco.

Para Bruno Oliveira, fundador e analista do Vida de Acionista, o impacto mais imediato vem da operação. “Imediatamente, de maneira mais instantânea, é o custo operacional. Porque ele começa a valer a partir do dia seguinte: aumentou o preço do diesel, dançou”, afirma. Na visão dele, esse choque atinge com mais rapidez empresas industriais que dependem de logística para escoar produção ou transportar insumos, como Klabin, Unipar, Irani e CSN Mineração.

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Entre as empresas mais pressionadas no curto prazo também estão as distribuidoras e o varejo, sobretudo onde há pouco espaço para repasse. Filipe Ferreira, professor do Insper e sócio da CTW Consultoria, afirma que as distribuidoras sentem primeiro porque estão mais perto do consumidor e enfrentam dificuldade para reajustar preços sem comprometer a demanda. “As empresas de distribuição especialmente, vão sentir mais justamente porque elas estão na ponta do consumidor e é difícil, de fato, repassar esse preço. E, se o preço aumenta demais, você reduz o volume”, afirma.

Esse aperto tende a atingir com mais força as companhias de margem mais estreita e custo logístico relevante, especialmente no varejo e no varejo de alimentos. Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, cita nomes com cadeia física e distribuição mais pesada, como Mercado Livre e Renner, além das companhias aéreas, que seguem entre as mais vulneráveis por conta do peso do combustível na estrutura de despesas.

Na avaliação de Artur Horta, sócio da The Link Investimentos, o choque do petróleo afeta as empresas listadas por três canais principais: receita, custos e desempenho das ações. Ele coloca logística e aviação entre os setores mais pressionados, com empresas como Rumo, JSL e Tegma mais sensíveis ao aumento dos custos operacionais, e afirma que o impacto pode alcançar até companhias sem relação direta com combustíveis, caso o barril siga pressionando inflação, juros e câmbio.

É justamente nessa segunda etapa que o efeito deixa de ser apenas operacional e passa a contaminar a percepção do mercado sobre a bolsa. Bruno Oliveira avalia que inflação, câmbio e juros demoram mais para aparecer, mas tendem a provocar um dano mais estrutural, ao dificultar repasses, comprometer ciclos de investimento e apertar as condições de crédito. Empresas importadoras, companhias mais endividadas e setores dependentes de financiamento tendem a ficar mais expostos nesse ambiente.

No mercado, esse movimento costuma aparecer rapidamente no preço dos ativos. “O principal efeito dessas companhias acaba sendo a piora na percepção”, afirma Bruno. “O mercado, por ter um aumento dessa questão do choque do petróleo, o grau de incerteza em relação ao futuro aumenta, que é instintivamente refletido no preço dos ativos.”

Artur Horta também chama atenção para o risco de disseminação mais ampla caso o petróleo permaneça em níveis elevados por mais tempo. Segundo ele, se o barril ficar acima de US$ 100 por algumas semanas, o choque deixa de ser pontual e passa a pressionar margens, preços ao longo da cadeia e até serviços, em um ambiente de maior aversão a risco.

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Nesse cenário, o principal efeito para muitas companhias tende a ser a compressão de margem. Jayme resume esse movimento ao afirmar que a maior parte das empresas afetadas não consegue repassar integralmente o aumento de custos no curto prazo, o que piora resultado e percepção do mercado ao mesmo tempo.

Nem todos os impactos, porém, são necessariamente negativos. Artur vê espaço para ganhos relativos em segmentos como petroquímica e siderurgia, caso o frete internacional mais caro reduza a competitividade de produtos importados e favoreça produtores locais.

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