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O avanço da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã começa a elevar o risco de um novo choque do petróleo, com possíveis efeitos relevantes sobre a economia global. Analistas e executivos do setor avaliam que as próximas semanas serão decisivas, especialmente se não houver a reabertura do Estreito de Ormuz em curto prazo.

CNBCChoque do petróleo ganha força com guerra; reabertura do Estreito de Ormuz até meados de abril é vista como decisiva

Conflito no Oriente Médio

Choque do petróleo ganha força com guerra; reabertura do Estreito de Ormuz até meados de abril é vista como decisiva

Publicado 28/03/2026 • 11:20 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Executivos alertam que, sem reabertura do Estreito de Ormuz nas próximas semanas, impactos sobre oferta e preços de energia tendem a se agravar.
  • Medidas emergenciais ainda seguram os preços, mas efeito pode se esgotar já em abril.
  • Mercado ainda reflete cenários otimistas, mas risco de choque global e inflação crescente aumenta.
O avanço da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã começa a elevar o risco de um novo choque do petróleo, com possíveis efeitos relevantes sobre a economia global. Analistas e executivos do setor avaliam que as próximas semanas serão decisivas, especialmente se não houver a reabertura do Estreito de Ormuz em curto prazo.

O avanço da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã começa a elevar o risco de um novo choque do petróleo, com possíveis efeitos relevantes sobre a economia global. Analistas e executivos do setor avaliam que as próximas semanas serão decisivas, especialmente se não houver a reabertura do Estreito de Ormuz em curto prazo.

A avaliação predominante é de que a situação pode se deteriorar rapidamente em um intervalo de uma a três semanas, caso o fluxo de petróleo continue interrompido. Mesmo com uma eventual normalização, há a percepção de que parte dos danos já foi causada, o que pode manter preços de energia elevados por mais tempo.

Apesar desses riscos, mercados ainda incorporam cenários relativamente otimistas, incluindo uma possível resolução do conflito. No entanto, especialistas alertam que essa janela está se fechando, à medida que os efeitos físicos da guerra começam a se intensificar.

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Atualmente, medidas emergenciais têm ajudado a conter os preços. Entre elas, estão a liberação de cerca de 400 milhões de barris de reservas estratégicasa maior já registrada – e a flexibilização temporária de sanções sobre petróleo russo e iraniano. Ainda assim, analistas apontam que esses mecanismos devem perder eficácia entre o início e meados de abril, reduzindo a capacidade de contenção dos preços.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo, segue com o tráfego comprometido após ataques iranianos a navios civis e infraestrutura energética. Embora parte do petróleo esteja sendo redirecionada por oleodutos, a capacidade alternativa é limitada.

Executivos do setor reforçam a gravidade do cenário. O CEO da Chevron, Mike Wirth, afirmou que há “impactos físicos reais da interrupção do estreito que já se espalham pelo mundo”. Já o CEO da Shell, Wael Sawan, destacou que as disrupções começaram na Ásia e avançam em direção à Europa, com efeitos mais fortes esperados ao longo de abril.

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Um dos pontos centrais é a diferença crescente entre os chamados preços “de papel” e “físicos” do petróleo. Enquanto os preços negociados nos mercados financeiros ainda refletem alguma moderação, os valores para entrega real, especialmente na Ásia, já registram alta bem mais intensa.

O Brent acumulou alta de 36% desde o fim de fevereiro, sendo negociado acima de US$ 113 (R$ 594,4) por barril. Já o petróleo de referência em Dubai, ligado ao mercado físico, subiu 76%, para cerca de US$ 126 (R$ 662,8), evidenciando a pressão sobre a oferta real.

Parte da contenção nos preços financeiros está ligada às declarações do presidente Donald Trump, que sinaliza uma possível desescalada do conflito. Esse tipo de comunicação, conhecido como “jawboning”, tem ajudado a evitar reações mais bruscas nos mercados, embora especialistas ressaltem que não altera os fundamentos físicos da crise.

Além do petróleo, a pressão se espalha para outros mercados. Os preços de gás natural liquefeito (GNL) no Japão e na Coreia do Sul subiram 48%, enquanto custos de combustível de aviação e até hélio também avançam. Sem alívio, esses movimentos tendem a alimentar a inflação global e reduzir o crescimento econômico.

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Nos mercados financeiros, sinais de deterioração começaram a aparecer. O índice S&P 500 chegou a subir com expectativas de adiamento de ataques, mas depois recuou 3,4% em poucos dias. Já o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos subiu para cerca de 4,4%, refletindo preocupações com inflação e juros mais altos.

No campo geopolítico, o governo dos EUA avalia diferentes caminhos, como ataques a instalações estratégicas do Irã, incluindo a ilha de Kharg, ou ações diretas para retomar o controle do estreito. Há também a possibilidade de colapso do regime iraniano, o que poderia restabelecer o fluxo de energia.

Esses cenários mais positivos ainda estão embutidos nos mercados, mas podem não se sustentar por muito tempo. Estimativas indicam que o mundo já perdeu entre 4,5 milhões e 5 milhões de barris por dia, cerca de 5% da oferta global, e que esse número pode dobrar até meados de abril, configurando o maior choque recente de oferta.

O risco é que, nesse período, se esgotem tanto os estoques liberados quanto as alternativas de suprimento. Sem reposição direta da produção, o mercado pode enfrentar um “precipício” de oferta de petróleo.

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Além disso, produtores do Oriente Médio já enfrentam limitações logísticas. Sem capacidade de escoamento, parte da produção foi interrompida, e a retomada pode levar tempo. O CEO da Kuwait Petroleum, Sheikh Nawaf al-Sabah, estima que o retorno à plena capacidade pode levar de três a quatro meses após o fim do conflito.

A Casa Branca, por sua vez, demonstra otimismo e afirma que a estratégia militar pode levar a uma solução próxima. Um representante do governo disse ver “sinais mais claros de saída no horizonte”, além de destacar que ainda existem mecanismos adicionais para ampliar a oferta, incluindo maior participação da Rússia.

Apesar disso, analistas alertam que o espaço para manobra está diminuindo rapidamente. Cada dia com o estreito comprometido aumenta o risco de danos econômicos mais severos, aproximando o mundo de um novo choque energético de grandes proporções.

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