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Ibovespa cede 0,05% próximo a estabilidade em pregão marcada por aversão ao risco
Publicado 02/04/2026 • 17:14 | Atualizado há 59 minutos
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Publicado 02/04/2026 • 17:14 | Atualizado há 59 minutos
KEY POINTS
Reprodução
Ibovespa teve queda acentuada na sexta-feira
O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (2), com perdas sutis de 0,05%, aos 188.052 pontos, segundo dados do TradeMap. O principal índice da bolsa brasileira chegou a iniciar a sessão em queda livre e amenizar a desvalorização. O desempenho lateral é um reflexo da deterioração das expectativas quanto ao fim da guerra do Irã, após a declaração do presidente Donald Trump indicar um possível recrudescimento do conflito.
A impressão otimista alimentada ao longo do começo da semana se reverteu na noite da última quarta-feira (1), e os investidores entraram em ritmo de zerar as posições. “A quinta-feira começou com os ativos bem estressados após falas de Trump ontem a noite. Todos imaginavam que seria um pronunciamento calmo, mostrando que realmente estamos na reta final da guerra, mas, pelo contrário, ele reforçou que vai atacar mais forte nas próximas semanas”, afirma Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.
A estabilidade, puxada pela disparada do petróleo que levou as petroleiras junto, também reflete a boa impressão que o mercado brasileiro tem causado – a despeito da queda dos mercados internacionais. Na sessão, o fluxo extrangeiro na bolsa brasileira foi de R$ 24,4 bilhões.
“De certa forma, quando a gente olha os Estados Unidos, as bolsas lá tiveram o seu pior trimestre em quatro anos. Nós não. Estamos tendo um baita trimestre. Mês passado, a gente teve uma queda em março de 2%, o que não é nada relevante diante de todo esse caos. Isso mostra tanto a resiliência dos nossos ativos quanto o apetite do gringo pelo Brasil”, explica.
Para Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, o desempenho contido é uma alta reprimida, cujo potencial de expansão foi limitado pela escalada do conflito.
“Os países têm fugido das principais economias para pegar oportunidades em emergentes como o Brasil no momento em que se tem uma inflação controlada. Ainda assim, o Brasil tem um nível alto de endividamento, muita inadimplência, mas está em posição de se resolver”.
A dianteira das ações veio pela Prio, que registrou alta de 5,68%, cotada a R$ 67,77, segundo dados do Trademap. Em seguida, a Auren avançou 4,49%, aos R$ 12,57, e a Brava Energia, em alta de 3,28%, aos 20,47%. No campo das baixas, o destaque vai para a RaiaDrogasil, que cedeu 3,95%, aos R$ 21,86. Depois, veio a Cyrella, em baixa de 3,51%, cotada a R$ 27,52, e depois a Yduqs, 2,58%, aos R$ 11,72.
Segundo Gabriel Brondi, sócio da The Link Investimentos, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, a expectativa de um tom diplomático por parte do governo americano foi frustrada, gerando estresse nas bolsas globais logo na abertura. “O mercado esperava que Donald Trump anunciasse um cessar-fogo com o Irã, mas ele afirmou que os objetivos militares estão sendo atingidos e que os ataques continuarão. Isso reverteu o otimismo, fazendo o índice futuro acordar com queda superior a 1,70% e os índices americanos também abrirem em forte baixa”, analisou.
Apesar do pessimismo inicial, houve uma recuperação parcial ao longo do dia após sinais de que o Irã poderia estar disposto a dialogar sobre rotas comerciais estratégicas. “A notícia de que o Irã criou um protocolo para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz deu um recado positivo de que há disposição para negociações. Criar um protocolo é melhor do que interromper o fluxo, o que ajudou o mercado a reduzir as perdas, embora não tenha sido o suficiente para virar para a alta”, destacou.
No cenário das commodities, o petróleo Brent disparou, sendo negociado na faixa de US$ 110 (R$ 568,70), impulsionando as ações de petroleiras e criando um movimento inverso ao restante do índice. “Hoje a Petrobras subiu mais de 1,5%, recuperando as perdas de ontem e destoando das demais empresas. É natural esse sinal oposto: quando o petróleo sobe 7%, a Petrobras se beneficia, enquanto setores como o bancário acabam pesando negativamente no Ibovespa”, afirmou.
Quanto ao mercado de câmbio, o dólar operou em estabilidade, cotado a US$ 5,16 (R$ 26,67), influenciado pelo fluxo de exportações, mas limitado pela aversão global ao risco. “O dólar está em compasso de espera, mas o petróleo alto beneficia nossas exportadoras, que recebem em moeda estrangeira e fortalecem o real. Por outro lado, o fator de aversão ao risco mundial faz com que a moeda americana ganhe força globalmente, equilibrando essa dinâmica”, explicou.
A preocupação com o abastecimento global de energia também entrou no radar, com países asiáticos e europeus já discutindo medidas de contenção. “O mercado espera que a oferta de óleo seja reduzida enquanto a demanda continua alta, o que justifica o Brent a US$ 110 (R$ 568,70). Já vemos distorções nos contratos futuros, com o WTI respondendo mais rápido aos choques de oferta de curto prazo por causa do vencimento dos contratos de maio e junho”.
Por fim, o executivo alertou que a volatilidade deve permanecer alta enquanto as diretrizes militares de Washington não apresentarem um desfecho claro. “O medo persiste e, se os ataques seguirem na próxima semana, os contratos de petróleo podem subir ainda mais, fazendo os investidores correrem do risco. O mercado está respondendo minuto a minuto às manchetes: se há sinal de paz, o petróleo cai e a bolsa sobe; se há sinal de guerra, o movimento é exatamente o contrário”.
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