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Alvaro Machado: robôs humanoides esbarram no mundo real e ainda não conseguem “abrir qualquer porta”

Publicado 07/04/2026 • 15:27 | Atualizado há 3 horas

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Tendências e Mentalidades

Álvaro Machado Dias é um neurocientista e futurista de reputação internacional. Ele é professor livre-docente da Universidade Federal de São Paulo, membro do Painel Global de Tecnologia do MIT e fellow da Brain & Behavioral Sciences (Cambridge).

Apesar das demonstrações coreografadas e dos anúncios de versatilidade, os robôs humanoides ainda enfrentam limitações básicas quando saem do ambiente controlado. Para o professor Álvaro Machado Dias, o problema não é um detalhe técnico, mas estrutural.

“A demonstração é sempre baseada num planejamento prévio que vai mapear as variáveis do ambiente”, afirmou. Fora desse roteiro, segundo ele, “a performance degrada rapidinho”.

O ponto central, na avaliação do especialista, está no choque entre modelos de inteligência artificial baseados em linguagem, os chamados LLMs, e a complexidade do mundo físico. “O mundo real tem graus de liberdade muito maiores do que a própria linguagem”, disse. Embora a linguagem permita combinações quase ilimitadas, a realidade incorpora variáveis e imprevisibilidades que extrapolam o escopo desses sistemas.

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Ele destaca que os modelos que hoje impulsionam a robótica são herdeiros da revolução dos LLMs. “Essa revolução encontra uma barreira”, afirmou. Ao lidar com situações não planejadas, “o mundo real tem um grau de acaso injetado na própria realidade que ultrapassa a habilidade desses sistemas de operarem de maneira plenamente performática”.

Improviso e corpo: o diferencial humano

Para Machado Dias, a diferença fundamental entre humanos e robôs está na capacidade de improvisação ancorada no corpo. “O humano, assim como as outras espécies, improvisa no ambiente. E improvisar não quer dizer simplesmente fazer uma coisa diferente, quer dizer você sentir o ambiente de uma forma diferente.”

Ele exemplifica com tarefas triviais, como abrir uma garrafa. Ao observar alguém executando a ação, não é possível inferir com precisão a força aplicada ou as microadaptações da mão. “Quando você vê uma imagem de alguém abrindo uma garrafa, você consegue dizer qual que é a quantidade de força sendo colocada? […] A resposta é não.”

O que ocorre, segundo ele, é um processo contínuo de ajuste interno, com base em feedback sensorial. “A gente faz essas coisas porque a gente tem um sistema corporificado que traz um feedback interno.” Essa adaptação envolve múltiplos graus de liberdade — pressão, velocidade, orientação — que não são visíveis externamente, mas determinam o sucesso da ação.

Limitação estrutural para robôs domésticos

Na avaliação do professor, há uma limitação fundamental para a criação de robôs domésticos plenamente funcionais: a ausência de um circuito interno comparável à percepção humana.

“Você põe a mão numa superfície e você imediatamente sabe […] se ela é mais áspera, se ela é mais lisa, se ela é mais dura”, afirmou. Esses sensores biológicos operam de forma automática e preparam o indivíduo para agir. “Isso é diferente de fazer uma leitura da realidade.”

Sem essa integração sensorial, argumenta, a robótica permanece restrita. “Sem essas coisas, simplesmente com leitura por vídeo e texto, a gente não consegue resolver problemas que são basais de como a gente se relaciona com a realidade e que estão sendo resolvidos por quem tem seis meses de idade.”

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