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IA inspirada no cérebro busca maior eficiência energética
Publicado 17/03/2026 • 18:51 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 17/03/2026 • 18:51 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A busca por uma inteligência artificial que consuma menos energia e processe informações com a velocidade da biologia é a nova fronteira da tecnologia, afirmou Álvaro Machado Dias, neurocientista e colunista, em participação no Real Time, programa do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele explicou que a eficiência da natureza supera os modelos atuais: “A mosca resolve em tempo real problemas de navegação e busca de alimentos com 140.000 neurônios, muito menos do que uma rede neural artificial. Ela funciona com uma habilidade muito maior do que a de um carro autônomo, que usa bilhões de neurônios artificiais e consome muito mais energia”, comparou.
O objetivo da indústria é integrar essa eficiência em dispositivos que não dependam de servidores externos. “O que está sendo buscado é como colocar uma rede neural dentro de um veículo autônomo ou de um drone para que ele possa rodar com muito menos energia e uma velocidade de resposta maior, já que os neurônios biológicos respondem perfeitamente ao ambiente sem precisar de conexão espacial”, detalhou.
Sobre o uso de tecidos vivos como hardware, Alvaro mencionou avanços impressionantes em laboratórios internacionais. “Neurônios humanos cultivados em laboratório, baseados em células-tronco, quando conectados a chips, aprendem mais rápido do que softwares. Um sistema de organoides cerebrais em silício aprendeu a distinguir vozes humanas de maneira muito mais rápida, com um gasto de energia que é uma fração da computação tradicional”, afirmou.
A comercialização dessa tecnologia já é uma realidade através de empresas como a suíça Final Spark, que aluga processadores biológicos remotamente. “Você faz uma requisição pela internet para um processador biológico porque ele gasta menos energia e é melhor em algumas funções. A ideia é colocar esses sistemas neuromórficos dentro de celulares e objetos pequenos para ter baixíssimo custo energético”.
Por fim, ele destacou que essa evolução está transformando a própria ciência, unindo o estudo do cérebro à construção de máquinas. “Está acontecendo uma fusão entre uma subárea da medicina e a engenharia. A neurociência está bifurcando: de um lado as questões de saúde e, do outro, o uso do referencial biológico para o desenvolvimento de novas inteligências artificiais que funcionam na ponta, o chamado edge computing”.
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