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Dólar cai para R$ 5,10, menor nível desde maio de 2024, com cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos

Publicado 08/04/2026 • 17:36 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A queda foi parcialmente limitada por tensões no Oriente Médio, com ataques de Israel ao Líbano elevando incertezas e risco de nova interrupção no Estreito de Ormuz
  • Analistas apontam que o câmbio segue influenciado por fatores externos e internos, como juros nos EUA e percepção de risco fiscal no Brasil
  • A tendência é de volatilidade no curto prazo, com possível fortalecimento do real condicionado a melhora fiscal doméstica e cortes de juros nos Estados Unidos

Steven Depolo / Creative Commons

Fechamento do dólar

O dólar perdeu valor frente o real nesta quarta-feira, 8, numa baixa expressiva de 1,01%, cotado a R$ 5,10. Foi o menor nível da moeda desde 17 de maio de 2024. O movimento da divisa acompanha o enfraquecimento da moeda americana no exterior, em um ambiente de maior apetite por risco dos investidores após os EUA e Irã concordarem com um cessar-fogo de duas semanas na noite passada.

A desvalorização do dólar, entretanto, foi limitada pelos ataques de Israel contra o Líbano. Durante a tarde, o primeiro-ministro do Irã afirmou que os ataques representam um desrespeito à trégua, o que poderia justificar um novo fechamento do Estreito de Ormuz.

A cotação da moeda americana oscilou entre R$ 5,06 e R$ 5,12, ao passo que o índice DXY caía 0,85%, para 99,008 pontos.

Segundo Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, a tendência é de queda no dólar de maneira mais sustentada. “O cenário está muito incerto, mais difícil, e o dólar sempre foi complicado de prever em termos de direção. Ainda assim, eu compraria uma parte relevante agora, porque ele já caiu bastante e parece estar em um bom ponto de entrada”, disse.

O economista e educador financeiro Leonardo Baldez Augusto, fundador da ISF Crédito, afirma que o comportamento recente do dólar frente ao real tem sido influenciado principalmente pela combinação entre cenário externo e política monetária brasileira.

“O dólar tem reagido a dois vetores principais: a manutenção de juros elevados nos Estados Unidos, que atrai capital para ativos americanos, e a percepção de risco fiscal no Brasil. Quando esses fatores se intensificam, há uma pressão natural de valorização da moeda norte-americana frente ao real”, explica.

Segundo ele, no curto prazo, a volatilidade deve permanecer, especialmente diante das incertezas globais.

“A tendência é de um câmbio ainda instável. Se houver sinalização mais clara de controle fiscal no Brasil e início de cortes de juros nos Estados Unidos, o real pode ganhar força. Caso contrário, o dólar tende a se manter pressionado em patamares mais elevados”, afirma.

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