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Petróleo

Brent acima de US$ 100 mantém pressão e reflete ceticismo do mercado sobre trégua entre EUA e Irã

Publicado 22/04/2026 • 22:06 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A persistente valorização do petróleo Brent acima de US$ 100 reflete a desconfiança do mercado financeiro quanto à eficácia do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, disse Paulo Antonelli, professor de análise financeira na SKEMA Business School.
  • O especialista ressaltou que a trégua diplomática não eliminou os riscos estruturais e a incerteza sobre o desfecho do conflito no Oriente Médio.
  • Essa instabilidade geopolítica impacta diretamente os ativos brasileiros, com destaque para a Petrobras, que registrou um salto significativo em sua volatilidade nos últimos meses.

A persistente valorização do petróleo Brent acima de US$ 100 reflete a desconfiança do mercado financeiro quanto à eficácia do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, disse Paulo Antonelli, professor de análise financeira na SKEMA Business School, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

O especialista ressaltou que a trégua diplomática não eliminou os riscos estruturais e a incerteza sobre o desfecho do conflito no Oriente Médio: “Um cessar-fogo agora não necessariamente é uma boa notícia para o mercado. Traz e deixa cada vez mais evidente que não tem um horizonte muito claro de como que essa guerra deve prosseguir e, principalmente, como que ela deve terminar”, analisou.

Essa instabilidade geopolítica impacta diretamente os ativos brasileiros, com destaque para a Petrobras, que registrou um salto significativo em sua volatilidade nos últimos meses: “Se a gente olhar a volatilidade dos preços da Petrobras nos meses de março e abril e comparar com os últimos 12 meses, percebe-se que os retornos aumentaram em quase 50%. Isso é reflexo direto de um risco maior, pois ao mesmo tempo que o preço mais alto traz maior receita, também aumenta o risco”, afirmou.

Enquanto o setor de tecnologia nos Estados Unidos mantém o otimismo impulsionado pela Inteligência Artificial, os mercados emergentes já sentem o peso da inflação decorrente do choque energético: “O aumento do preço do petróleo impacta diretamente a inflação e isso carrega alimentos, carrega tudo que depende fortemente de transporte. Não é só o preço da commodity que impacta, ele acaba desencadeando o aumento de preço em vários outros itens”, explicou.

No Brasil, as projeções macroeconômicas já apontam para um cenário de maior aperto monetário e crescimento modesto para o próximo período: “A gente já teve uma previsão de inflação subindo para 4,8% ao ano em 2026 e uma Selic no fim do ano em 13%, antes a expectativa era 12,5%. Vemos um PIB abaixo de 2%, o que mostra uma deterioração em todos os principais indicadores decorrente dessa incerteza”.

Quanto ao abastecimento global e aos estoques, o cenário permanece dependente da logística no Estreito de Ormuz, embora o Brasil possa encontrar oportunidades comerciais na crise: “O estoque de petróleo a gente vê ele diminuindo de maneira geral, embora o dado dos Estados Unidos tenha mostrado um leve aumento na última semana. Se a guerra se estender, o Brasil pode ter uma ponta positiva com a Petrobras exportando para lugares que hoje não exporta e a um preço mais alto”.

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