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Trégua na guerra: dólar perde força, petróleo se acomoda e Ibovespa pode alcançar 200 mil pontos, avalia especialista
Publicado 22/04/2026 • 13:10 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 22/04/2026 • 13:10 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
O mercado internacional entrou em uma fase de cautela após a prorrogação da trégua entre Estados Unidos e Irã, mas sem abandonar o otimismo. Para André Bobek, CEO e fundador da Mhydas Planejamento Financeiro, o cenário atual favorece estabilidade no petróleo, enfraquecimento do dólar e continuidade do fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira.
Segundo ele, o comportamento dos ativos depende diretamente dos próximos passos diplomáticos no Oriente Médio. “O mundo inteiro está olhando para esse acordo”, afirmou nesta quarta-feira (22) em entrevista ao Real Time, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Na avaliação de Bobek, o petróleo já absorveu parte relevante das tensões geopolíticas e agora tende a trabalhar em um novo intervalo de preços. “O barril estava na faixa de US$ 74 (R$ 368,5) antes do conflito, disparou para US$ 120 (R$ 597,6) e US$ 130 (R$ 647,4) no auge da crise e depois recuou para perto de US$ 84 (R$ 418,3) e US$ 85 (R$ 423,3). Agora, o mercado trabalha com uma linearidade próxima de US$ 100 (R$ 498,0)”, disse.
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Para ele, esse intervalo entre US$ 90 e US$ 100 (R$ 448,2 e R$ 498,0) representa o novo normal do mercado, ao menos enquanto houver manutenção do cessar-fogo.
Bobek pondera, porém, que o cenário continua frágil. Caso as negociações avancem, os preços podem ceder gradualmente. Em caso de escalada militar, a reação seria imediata. “Se não houver acordo e o conflito aumentar, tende a subir muito rápido”, alertou.
Sobre o câmbio, Bobek afirmou que o dólar vem se desvalorizando frente a diversas moedas globais, movimento acompanhado pela oscilação das bolsas americanas. “O Brasil tem se beneficiado bastante desse deságio do dólar e vem se tornando uma economia cada vez mais bem-vista globalmente”, explicou.
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Na visão do executivo, o investidor internacional passou a enxergar o Brasil como alternativa relevante em meio às incertezas nas grandes economias.
Ele acrescenta que a tendência para a moeda americana é de estabilidade com viés de fraqueza, desde que não haja deterioração geopolítica. “Até um novo acordo, a expectativa é de manutenção desse deságio do dólar e de mercados mais estáveis, ainda que com cautela”, lembrou.
Bobek também vê ambiente favorável para o Ibovespa alcançar os 200 mil pontos, impulsionado sobretudo pelo ingresso de recursos estrangeiros. “O mercado está bastante animado com essa expectativa.”
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, o Brasil passou a ser visto como mercado estratégico por reunir vantagens competitivas como matriz energética diversificada, produção robusta de commodities e menor exposição direta ao conflito entre EUA e Irã.
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Entre os destaques citados estão soja, ferro, petróleo, milho e metais raros, fatores que tornam o país atrativo em comparação com outros emergentes.
Bobek mencionou ainda revisão recente da Morgan Stanley, que teria elevado a recomendação de alocação no Brasil de 4% para 9% do capital destinado a mercados globais. “Isso praticamente dobra o volume potencial de recursos na Bolsa brasileira”, pontuou.
Apesar do otimismo com ações, Bobek avalia que o investidor doméstico segue conservador, atraído pela rentabilidade elevada da renda fixa.
Hoje a taxa básica está em 14,75%, patamar que, segundo ele, reduz o apetite por risco entre brasileiros. “O investidor brasileiro ainda desconfia muito do país e prefere não correr tanto risco”, disse.
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Ele destacou ainda a expectativa para os próximos indicadores econômicos e para a chamada Super Quarta, quando serão anunciadas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Mesmo com possível corte de 0,25 ponto percentual, Bobek acredita que os juros seguirão altos, sustentando o interesse por aplicações conservadoras. “O brasileiro tende a permanecer na renda fixa, enquanto o estrangeiro olha mais para a Bolsa”, concluiu.
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