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Acordo UE-Mercosul pode prejudicar laticínios e pequenos produtores

Publicado 09/01/2026 • 10:28 | Atualizado há 13 horas

KEY POINTS

  • A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio com o Mercosul, negociado há mais de duas décadas e que enfrentou forte resistência de setores agropecuários europeus, sobretudo na França.
  • Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, o consultor de investimentos Leandro Benincá, da API Capital, avalia que o impacto do tratado ainda é incerto e vê pontos sensíveis para os dois lados.

A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio com o Mercosul, negociado há mais de duas décadas e que enfrentou forte resistência de setores agropecuários europeus, sobretudo na França. A decisão foi tomada por maioria qualificada entre os países do bloco.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o consultor de investimentos Leandro Benincá, da API Capital, avalia que o impacto do tratado ainda é incerto e vê pontos sensíveis para os dois lados.

Segundo Benincá, apesar dos ganhos para grandes exportadores brasileiros, o acordo traz riscos relevantes para alguns setores. Um dos principais exemplos é o de laticínios. “O setor do leite brasileiro pode ser efetivamente prejudicado, porque o laticínio europeu é muito subsidiado e tem uma produção enorme”, afirmou.

O especialista destacou ainda as diferenças de custos de produção, de mão de obra e de subsídios entre os dois blocos, que tendem a afetar sobretudo os pequenos produtores, tanto no Mercosul quanto na União Europeia.

Para o Brasil, o consultor avalia que o tratado tende a sustentar o fluxo de exportações. “O Brasil é o maior exportador líquido de alimentos do mundo. Isso é muito positivo para o Mercosul”, disse.

No mercado doméstico, os efeitos podem ser mistos. Benincá afirma que produtos europeus como vinhos, azeites e queijos podem chegar ao Brasil com preços mais competitivos, pressionando valores para baixo.

Ao mesmo tempo, há salvaguardas previstas no acordo. “Se as importações ultrapassarem certos limites, entre 5% e 8%, dependendo do produto, as isenções tarifárias podem ser cortadas para proteger os mercados locais”, explicou.

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