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Brasil precisa ir além da extração para capturar valor dos minerais críticos, diz vice-presidente de finanças da Moody’s Bárbara Mattos

Publicado 30/07/2026 • 17:06 | Atualizado há 2 semanas

KEY POINTS

  • Bárbara Mattos afirma que reservas minerais, isoladamente, não garantem uma posição relevante nas cadeias globais.
  • País precisa desenvolver processamento, refino, tecnologia e mercado consumidor para agregar valor à produção.
  • Projetos de mineração exigem financiamento de longo prazo; uma mina de cobre pode levar até dez anos para produzir.

O Brasil precisa definir se pretende atuar apenas como exportador de minerais críticos ou avançar para etapas de maior valor agregado, como processamento e refino, afirmou Bárbara Mattos, vice-presidente sênior de finanças corporativas da Moody’s.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a executiva disse que a disponibilidade de recursos naturais e as condições geológicas favoráveis não são suficientes para assegurar uma posição estratégica nas cadeias globais.

“O Brasil tem os recursos, tem uma geologia bastante favorável, mas a geologia sozinha não resolve”, afirmou.

Segundo Bárbara, a exportação de matérias-primas é uma escolha possível, mas o país precisa estabelecer uma estratégia de longo prazo para definir qual papel pretende ocupar no mercado internacional de minerais críticos.

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Cadeia integrada aumenta valor agregado

Para ampliar a participação brasileira, a executiva defendeu o desenvolvimento de toda a cadeia, desde a extração até o processamento, o refino e a formação de mercados para os produtos finais.

“É necessário desenvolver a cadeia. A gente tem a mina, mas também precisa desenvolver o processamento, o refino e o mercado final”, disse.

Esse avanço depende de tecnologia, mão de obra qualificada, investimentos e regras claras, segundo Bárbara. A coordenação precisa envolver tanto o setor público quanto as empresas privadas.

“Tem que haver leis e uma regulação bastante claras para atrair investimentos para o setor”, afirmou.

A executiva disse ainda que uma cadeia mais integrada permite ao país reduzir a dependência de mercados externos e capturar uma parcela maior do retorno financeiro gerado pelos minerais.

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Mineração exige capital de longo prazo

Bárbara destacou que os projetos de mineração possuem períodos extensos de maturação, o que exige estruturas de financiamento compatíveis com o prazo necessário para o início da produção.

Uma mina de cobre, por exemplo, pode levar entre sete e dez anos para começar a operar, segundo a executiva.

“É um setor que exige paciência porque demanda investimentos de prazo muito mais longo. Não adianta pensar em um financiamento de curto prazo para uma mina que começará a produzir daqui a dez anos”, afirmou.

Na avaliação da vice-presidente da Moody’s, investidores e instituições financeiras precisam compreender o ciclo operacional dos projetos para estruturar linhas adequadas ao setor.

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Brasil pode rever papel de exportador de commodities

Bárbara citou o minério de ferro como exemplo do atual posicionamento do Brasil nas cadeias globais. O país exporta a matéria-prima para mercados como a China, que a transforma em aço e vende produtos de maior valor agregado.

“É mudar um pouco esse paradigma que o Brasil tem de ser exportador de commodities”, disse.

A executiva ressaltou que a exportação de minério pode ser lucrativa, mas que a principal discussão é sobre qual etapa da cadeia o país pretende ocupar.

“A questão é onde você quer estar na cadeia”, afirmou.

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