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EXCLUSIVO: Brasil tem oportunidade estratégica de avançar enquanto Europa recua, diz presidente da Abiquim
Publicado 15/10/2025 • 18:54 | Atualizado há 3 meses
Publicado 15/10/2025 • 18:54 | Atualizado há 3 meses
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O Brasil conseguiu se antecipar à crise que hoje ameaça a indústria química europeia, afirmou o presidente da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), André Passos Cordeiro, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
“O Brasil começou a fazer isso em 2013, com a criação do regime especial da indústria química, e continuou até 2022, portanto pegou todo o período de expansão chinesa se defendendo com incentivos e mecanismos sólidos de defesa comercial. Esse conjunto de medidas funcionou bem e ajudou a proteger empregos, manter parte da competitividade e reduzir a dependência das importações, algo que a Europa só agora começa a discutir”, afirmou.
Ele ressaltou o papel dominante da China no setor e os efeitos dos fortes subsídios estatais: “Hoje, a China é responsável por metade do faturamento global de produtos químicos, o que representa US$ 3 trilhões de um total de US$ 6 trilhões. Esse avanço foi sustentado por um programa deliberado de aumento da produção, com incentivos industriais que somam 6% do PIB chinês e mais de 1.800 linhas de apoio apenas para a indústria química”.
O executivo criticou a falta de reação europeia diante dessa concorrência. “A Europa criou barreiras regulatórias e custos adicionais que pesaram no custo de produção e aceleraram a crise. Nos últimos três anos, 50 grandes plantas industriais europeias já fecharam, e se nada for feito rapidamente, outras seguirão o mesmo caminho. Enquanto isso, o Brasil conseguiu fazer um torniquete, estancando um pouco a hemorragia do setor com a retomada dos incentivos e da defesa comercial, algo que a Europa ainda não fez.”
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Apesar dos avanços, Cordeiro alertou que o cenário global continua preocupante. “A agressividade chinesa e norte-americana no mercado de químicos está aumentando dia após dia, e nossas medidas ainda são insuficientes. É fundamental ampliar a defesa comercial e consolidar um novo programa de sustentabilidade para a indústria química, que garanta previsibilidade, competitividade e segurança para novos investimentos. Se não fizermos isso agora, corremos o risco de seguir o mesmo destino da Europa”.
O presidente da Abiquim também reforçou o apelo ao governo e ao Congresso. “Temos uma oportunidade estratégica com o Projeto de Lei 892 de 2025, que recria o programa especial de sustentabilidade do setor. Se a indústria europeia está recuando, nós podemos avançar, ocupar esse espaço e fortalecer nossa base produtiva. Espero que o governo compreenda a urgência dessa decisão e apoie o setor, porque a indústria química é vital para o desenvolvimento do país e não pode esperar mais”.
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